Das coisas rápidas – e das nem tão rápidas

Pessoal, ótima notícia para todo mundo: o LHC foi ligado ontem! O que? Você não sabia? Um dos maiores eventos da história da humanidade aconteceu ontem e você não soube? Onde você andava? Estava procurando o índice Bovespa na profundezas abissais do pré-sal? Assistindo a mais um lamurioso documentário sobre o aniversário do atentado às torres gêmeas? Se você – assim como eu – achava que LHC é um parente próximo do ex-presidente, então vai ver algum sentido nesse texto. Se, por outro lado, você é físico ou algo parecido, ou algum outro tipo de amante das ciências no seu mais puro grau, desculpe, você vai se divertir mais se for arrancar um dente.

Antes de mais nada quero deixar muito claro que vou começar a falar sobre um assunto que não entendo profundamente. Nem superficialmente. Mas o blog é meu e eu vou falar assim mesmo. Está nas regras desse blog. (Essa é a sua última chance de ir embora.) Minhas opiniões serão, por isso mesmo, superficiais e muitas vezes vazias. Mas tenho certeza que muita gente se identificará com elas.

lhc_2Tudo o que sei sobre aceleradores de partículas aprendi na graduação. Não é muito, considerando que cursei Publicidade e Propaganda. Por isso minha compreensão não alcança a magnitude da conquista que o início da operação de um Large Hadron Collider representa.

Mas que tipo de descoberta revolucionária poderá sair dos seus 27 quilômetros de comprimento? Quando digo revolucionária não me refiro a descobrir que o Big Bang ocorreu há 13,9 em vez de 13,7 bilhões de anos. Ou se “puxa, verdade, a massa atômica do tungstênio de fato é 184!” Isso pode ter um valor enorme para parte da comunidade acadêmica e representar o trabalho de uma vida para alguns pesquisadores. Gerações de cientistas devem ter esperado por esse momento. Para mim não passa de fetiche intelectual.

Mas aonde isso leva? Vai dar para purificar água nessa máquina, quando todas as reservas estiverem salobras? Jorrará petróleo não-poluente desses canos? Alguma nova fonte de energia fará um milharal produzir em 48 horas? Ou isso curará a AIDS? Não. Não. Talvez. Não.

“Ah, mas poderemos prever se um grande asteróide vai se chocar com a Terra daqui a quatro mil anos.” Maravilha, hein? Vou correndo preparar o meu testamento! Ou “saberemos se haverá uma catastrófica chuva cósmica com seiscentas horas de antecedência”. Supimpa! Isso nos dará o tempo suficiente para construirmos um sensacional guarda-chuva galático! Ou uma arca de Noé.

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De novo, imagino que isso deva ter um enorme valor, mas minha ignorância não alcança. Um monte de gente deve achar que as coisas de que eu gosto também são baboseiras sem tamanho. (Vai, pode confessar…). Mas nenhuma delas levou 14 anos nem consumiu US$ 8 bilhões para ser construído. Minha grande pergunta é: não haveria jeito melhor de torrar esse dinheiro? Quanto dinheiro é gasto levando gente para a Lua? Porra, se até um brasileiro já foi lá, não deve ser o melhor lugar do mundo. Digo, do Sistema Solar. Que interessa se cresce feijão sem gravidade, se ainda é mais fácil fazê-lo brotar no Saara do que em Fobos ou Deimos (te peguei, hein!)?

Desde que aprendi a calcular a distância de uma tempestade multiplicando o intervalo entre o relâmpago e o trovão por sei lá quanto, nunca mais vi uma aplicação prática para esse nível de ciência. E isso é tão prático e usual na minha vida que eu nem lembro mais. Até porque, de que adianta saber a distância da tempestade? Você vai sair correndo?

Por isso, continuo achando que um acelerador de partículas não passa de uma máquina onde você coloca uma partícula lenta de um lado e ela sai rapidinha do outro…

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