Justiceiros: santos e pagãos.

Uma das curiosidades que a gente passa a ter quando escreve um blog é quem o está lendo (além de você, óbvio). Claro que seus amigos eventualmente te escrevem contando que leram, alguns mais corajosos deixam até comentários (vamos lá, mulambada, comente!).

O site que hospeda o meu blog fornece algumas estatísticas interessantes a respeito da navegação, mas tudo muito superficial (não se assuste, leitor, não sei quem você é…). Dá apenas o link de onde você veio – se é que você veio de algum lugar.

Há, também, aqueles que você não conhece, nunca ouviu falar, mas que acessam. Como? Como me acharam? Fiquei curioso para saber se estou googlável e qual o meu nível de googlabilidade (nossa…). Eis que procurei algo relativo ao post da Influência e caí no Blog do Balu.

Ele tem um apanhado de coisas interessantes e a pesquisa caiu lá exatamente por ele ter comentado o mesmo livro do Cialdini que citei. Comecei a ler outros posts e seus textos sempre trazem idéias diferentes, pontos-de-vista polêmicos e indagações construtivas. Recomendo fortemente.

O texto a seguir não revela nenhum detalhe sobre o filme “Batman – O Cavaleiro das Trevas” que possa estragá-lo para quem ainda não o viu. Mas também, você que não viu, não vai achar muita graça…

Particularmente o que ele escreveu sobre o último Batman chamou minha atenção, pois acho que muito já se falou sobre o filme, mas nada com conteúdo. Há aqueles que resumem-se à superficialidade de um press release. Outros falam mal apenas porque é o que esperam deles, porque acha bonito e porque é sempre do contra – “sou a resistência ao imperialismo ianque, contra movimentos culturais impostos, avesso à imposição cultural da indústria cinematográfica”. (Patético! Pateta. Mickey. Walt Disney. Se fudeu!)

Não vou discordar de uma opinião porque ela é contrária à minha. Se alguém falar mal com consistência, com conhecimento de causa, com um mínimo de embasamento, vou entender. Posso admirar, mas não sou obrigado a concordar. Mas se me trouxer um saco vazio, vai voltar com ele… vazio.

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E foi nisso que o Balu matou a pau! Concordo em quase tudo o que ele disse. Já assisti “O Cavaleiro das Trevas” duas vezes e estou pronto para mais um par. De fato é um filme extremamente sombrio.

Sou um cinéfilo inverterado, adoro filmes! Vejo quase tudo e lembro da maioria. Tenho um apreço especial por filmes policiais, suspenses, malucos e psicopatas em geral. Já vi muita maldade na tela. Já vi muitas atuações espetaculares (falo disso outro dia). Mas nada comparável ao Coringa de Heath Ledger.

Todos falam da trágica morte do ator e sua influência sobre as bilheterias. Entendo que a força do filme vai muito além dessa mórbida curiosidade.

Há uma tendência de se absolver os mortos, endeusar os idos. Continuo achando o John Lennon um chato e o Morgan Freeman não vai virar meu ídolo quando morrer (e foi quase, hein?). O talento de Ledger vai além disso – o que ficou mais do que provado em “O segredo de Brokeback Mountain”.

O fato é que cenas antológicas ficarão para sempre. A já citada pelo Balu cena da enfermeira e o truque da caneta. Fora isso o que impressiona demais é a sua atitude, sua disposição em aterrorizar, anarquizar. Outros fazem, ainda, a (in)evitável comparação com Jack Nicholson.

Ora, é o mesmo que comparar Marlon Brando e Charles Chaplin – aliás, Sir Charles Chaplin. As propostas são completamente diferentes e tanto Brando já fez comédia quanto Chaplin fez drama. Ledger encarnou um sociopata e Nicholson um palhaço, no mesmo personagem.

coringa_2_2Morgan Freeman e Michael Caine não brilham, mas também não decepcionam. Diz-se até que que Caine esqueceu todas as suas falas na primeira cena que fez com Ledger, de tão impressionado que ficou com a composição do personagem.

Aaron Eckhart aproveitou uma grande chance e deu muita consistência a seu Harvey Dent. Gary Oldman também é discreto, mas presente. Sempre o respeitarei por sua impressionante atuação de “O profissional”.

Christian Bale teve destaque menor do que no filme anterior, no meu modo de ver. Mas se portou como o coadjuvante-no- papel-principal que todo astro gostaria. Ele seria um ótimo Robin de seu Batman. Potencial ele tem, e muito. Basta ver “O operário” (onde ele emagreceu 27 quilos para viver um operário insone – veja a foto assustadora abaixo. Sim, esse magrelo é o Batman.).

A única coisa que discordo do Balu é em relação à mocinha. Com aquela cara não dá pra ser mocinha. O papel não exige uma Fernanda Montenegro, então a Katie Holmes daria pro gasto (não fosse a agenda). Mas estou pra ver uma atriz de Hollywood mais feia que Maggie Gyllenhaal. Cruzes!

 

christian_bale_o_operrioPor fim, o mentor e maestro disso tudo: Christopher Nolan. Acompanho de perto a obra de Nolan desde “Amnésia”, seu longa de estréia com uma linguagem tão revolucionária quanto Pulp Fiction.

A inversão das cenas na montagem deixa o espectador sem saber o que esperar. O filme é tão bom que se você o assistir na ordem cronológica (há essa opção no DVD) ele continua espetacular. Depois vem “Insônia”, “O grande truque” (com direito a um final inesperado) e a franquia Batman. Uma curta porém produtiva trajetória para esse jovem diretor inglês.

Ao final do seu texto Balu coloca, ainda, uma interessante discussão entre o bem e o mal, o certo e o errado.

Muito curioso, porque eu acabei de legendar um trecho do filme “Os santos justiceiros”, exatamente na parte onde os heróis/santos do filme buscam e fazem justiça com as próprias mãos.

O filme é muito interessante na abordagem dessas questões. Longe de querer fazer apologia da pena de morte ou algo que o valha, “Boondock Saints” discute a polêmica cruzada de dois irmãos (católicos) na Boston irlandesa. Pegos numa situação extrema eles são obrigados a agir em defesa própria. Só que depois passam à defesa própria de seu bairro, sua cidade…

Vejam o trailer a seguir e num próximo post eu desenvolvo mais o tema. Prestem atenção nas falas quase bíblicas. Mas não deixem de comentar! Xau!


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PÓS-POST: acabo de escrever um texto completo sobre “Os santos justiceiros”. Confira aqui!

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