Retrato do país I – a população

Acaba de ser publicada pelo IBGE a Síntese dos Indicadores Sociais 2008 – Uma análise das condições de vida da população brasileira.

grfico_populaoHá vários dados interessantes sobre melhora da renda e da qualidade de vida no Brasil. Entre 1997 e 2007, por exemplo, o percentual de famílias com renda per capita inferior a ½ salário mínimo caiu de 31,6% para 23,5%, tendo sido a queda mais acentuada no Nordeste (de 53,9% para 43,1%).

Outros números mostram uma mudança no perfil dos nossos lares, como o crescimento do fenômeno DINC (Double Income and No Children) – casais sem filhos, ambos com renda – que quase dobrou para 3,4% (1,9 milhão) de domicílios, com uma renda média é de 3,5 salários mínimos por pessoa.

Com relação à taxa de natalidade – grande preocupação de países em desenvolvimento – 63% das mulheres têm filhos, mas a quantidade de progenitoras com apenas 1 filho subiu de 25,8% para 30,7%. Com relação à idade 6,4% das adolescentes entre 15 e 17 anos são mães – porcentagem que se manteve estável desde o último estudo.
trficoSobre expectativa de vida, nas regiões Sul e Sudeste – com um nível acima das demais – não há grandes diferenças de um Estado para o outro entre o sexo feminino. Mas entre os homens, no Rio de Janeiro vive-se sensivelmente menos. Está abaixo, inclusive, da média nacional. Quem achar que isso está relacionado à violência ganha um doce. É onde se tem, também, a menor taxa de fecundidade e a maior de mortalidade.

Para as mulheres um aviso: Amazonas e Roraima são os únicos Estados brasileiros onde há mais homens do que mulheres. Mas não é muito: só as primeiras 5.219 que chegarem encontrarão essa desproporção. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, há aproximadamente 721 mil mulheres sobrando, enquanto que em São Paulo são 938 mil.

Mas o que realmente chamou a minha atenção nos números foi a parte que trata da educação. O Brasil ainda tem uma alta taxa de analfabetismo: são 14,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler (10%). A proporção caiu em relação a dez anos atrás, quando eram 14,7%. Ficou ainda menor entre habitantes com renda superior a dois salários mínimos: 1,4%.
2007_ilustracao_censo_jp1A divisão de analfabetismo por raça mostra 6,1% para os brancos, 14% para pretos e pardos (denominação do próprio IBGE). Quando o quesito é sexo, nota-se que a mulher tem, em média, um ano a mais de escolaridade que o homem, além de ter ampliado sua dominância entre os universitários, passando de 53,6% para 57,1%. Em se tratando de idade, no grupo de 15 a 17 anos a freqüência à escola subiu de 77,3% para 82,1%, mas apenas 48,% deles estão na série adequada à idade, contra 26,6% do período anterior. Mas em nenhuma das faixas etárias a média de anos estudados atingiu o nível ideal.

Fiquei um pouco na dúvida com o comentário sobre o aumento da desigualdade entre brancos e negros/pardos nas universidades. Em 1997, 9,6% dos brancos e 2,2% dos negros/pardos com 25 anos ou mais tinham nível superior no país. Dez anos depois os números passaram a ser 13,4% e 4,0%, respectivamente. Vejo pelo menos três maneiras de comparar esses dados (sem dúvida há muito mais):
– Diferença absoluta: quantos porcento um número é maior que o outro num período e a mesma conta para o outro. Nesse caso aumentou, passando de 7,4% para 9,4%.;

– Diferença entre o crescimento de cada uma: o quanto cada percentual cresceu de um período para outro. O percentual de alunos brancos aumentou 40%, enquanto que há mais 84% de negros e pardos nas universidades

– Diferença da razão entre um e outro: quantas vezes um número é maior que outro num período e no outro. O número de brancos era 4,4 vezes maior do que o de negros/pardos e caiu para 3,4 vezes.

Em qual desses números você se embasaria, leitor, para dizer que a desigualdade aumentou ou diminuiu? Ou gostaria de criar o seu próprio racional? Cartas para a redação.

1 pensamento em “Retrato do país I – a população”

  1. Outra maneira seria multiplicar os percentuais pela população(de brancos e de negros) e assim ver o impacto absoluto.
    exemplo:
    13,4% x número de brancos
    4% x número de negros
    só gostaria de salientar que não acredito em branco e negro no brasil.
    eu sou um exemplo: Sou “branco” aqui. Sou “hispanic” lá.
    tenho um avô negro que casou com uma “branca”.
    tenho um avó branco(descendente de alemães) que casou com uma “branca” descendente de portugueses e índios.
    A maioria dos negros do Brasil me lembram OBAMA — negro por conveniência. OBAMA tem mãe branca e pai negro… porque ele só é chamado de candidato negro (pelos canis de comunicação do mundo inteiro)?
    desculpe os erros de pontuação, e ortografia. Sou preguiçoso para revisar.

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