Tarefas, 2ª parte

Depois de publicar o texto sobre as relações das pessoas com seus empregos, lembrei-me de uma abordagem muito interessante e atual sobre o tema, presente na coletânea Breakthroug ideas for 2008, da Harvard Business Review – um apanhado de insights bem bacanas que você pode baixar pela bagatela de US$ 6,00.

hblogo_main_2Em seu artigo, Tamara Erickson discute exatamente a unidade através da qual os empregos têm sido remunerados recentemente: o tempo. Contextualizando o tema, a autora lembra que nos idos da economia agrícola o trabalho era recompensado com base na produção: sacas de trigo, litros de leite etc. e que, mesmo no início da Industrialização, os empregados eram pagos de acordo com a quantidade de peças produzidas.

Com a evolução da economia industrial, no entanto, métodos produtivos mais mecanizados e sistemáticos geravam assimetrias nesse modelo, dificultando a mensuração da quantidade de trabalho com que cada um contribuía. O tempo dedicado por cada operário fazia mais sentido – e os sindicatos trataram de dar tratos finais à tendência de mudar a unidade de medida de tarefas para horas.

factoryworkers_2 Com a Geração Y (os nascidos a partir da década de 1980) e uma nova revolução tecnológica emergente, essa relação deixou de fazer sentido novamente. Havia, então, um contingente de mão-de-obra capaz de realizar tarefas de forma mais rápida e eficiente do que seus predecessores, particularmente devido à sua melhor adaptação às novas ferramentas disponíveis.

Os avanços nas telecomunicações e a disponibilidade de recursos permitem, agora, que trabalhemos em casa ou onde for mais cômodo e produtivo para ambos os lados (40% dos funcionários da IBM não têm escritório fixo), tornando o trabalho um fenômeno assíncrono (nem todo mundo precisa fazer as coisas ao mesmo tempo).

olho_do_tempo_2As experiências relatadas pela autora mostram que, em virtude de uma melhor conciliação entre o tempo dedicado à empresa e aos assuntos pessoais, a produtividade de quem aderiu ao teletrabalho aumentou em 35%, além de outros benefícios indiretos, como a queda do turnover e o aumento da satisfação pessoal.

Erickson conclui sugerindo que as empresas avaliem seriamente a adoção de um novo paradigma nas relações empresa-empregado. Uma atitude que, provavelmente, deixaria os exterminadores de tarefas em vias de serem exterminados.

4 pensamentos em “Tarefas, 2ª parte”

  1. Eu acho que o sistema de home-office para mulheres pode se tornar um problema. Atendo pacientes que trabalham assim e as experiências não têm sido tão boas.Em casa elas se esbarram com babás, empregadas e filhos.A mulher se sobrecarrega ainda mais.Prejudicando a produção que cai inevitavelmente.Acredito que o sistema possa ser bom em famílias reduzidas.

  2. Oi, Andréa, obrigado pelo comentário. Acho que a palavra-chave aqui é disciplina. A mulher deve, antes de tudo, criar um ambiente propício para que seu trabalho possa render. Isso inclui impôr alguns limites para que todos na casa entendam que ela está em horário de trabalho e, por isso, não deve ser incomodada.
    Outro aspecto importante é notar que, na maioria das vezes, é a própria pessoa que opta por esse regime de trabalho – mesmo que seja um autônomo, sempre pode alugar um escritório fora.
    Claro, há situações onde a pessoa não tem muita escolha. Mas outra pergunta deve ser feita: como será que essas mães se virariam se não houvesse essa opção? Como encontrar esse equilíbrio?

  3. Domenico de Masi efetuou estudos na itália e descobriu que o tempo efetivamente trabalhado era de apenas 4 horas nos escritórios.
    Recomendo vc ler ” o ócio criativo” e escrever um tópico sobre o livro.
    é um livro à primeira vista fácil, porém cheio de insights.
    a proposta seria remuneração por projeto?
    no meu entender sim.

  4. Olá, Júlio, obrigado por seu comentário.
    De fato, trabalhamos muito menos do que imaginamos – e do que nossos chefes imaginam também! Sinceramente acho que essa estimativa do De Masi é até otimista… Se espremer mesmo, dá menos!
    Ainda não li nada dele, mas tanta gente fala a respeito que já está na hora de tomar vergonha.
    Abraço,
    Rodolfo.

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