Lixo reciclável

O blog do Noblat dá conta hoje de mais um mini-chilique do presidente contra a imprensa e a nossa paciência. Em Tucuruí para um evento oficial, Lula lembrou que na última vez que esteve lá em 2004, para a inauguração de uma turbina daquela hidrelétrica, a imprensa deu muito destaque ao fato de ele ter comido um bombom e jogado o papel no chão.

Considero esse equívoco até razoável para alguém que previu, recentemente, que a crise financeira não nos abalaria. O que ele fez foi reviver uma bobagem que fez quatro anos atrás, sem acrescentar nada de bom. Ou seja, apenas nos lembrou de mais uma de suas intermináveis gafes. Para completar, reclamou que a imprensa só dá destaque a coisas ruins que lhe acontecem.

6a00e554b11a2e8833010535dc37e4970c-300wi Desde o início do seu primeiro mandato Lula tem flertado com a censura. Recentemente eu até a defendi em determinadas situações – dentre as quais essa não se encaixa. O fato é que ele tenta esvaziar o conteúdo da notícia, criticando sua fonte. Isso é Schopenhauer pré-escolar! Mas antes que o presidente consiga pronunciar o nome do filósofo alemão, é preciso que alguém lhe diga que é muito feio atirar no mensageiro.

Em relação ao papel do bombom, o que ele queria? Ele é o presidente do país! A nós não importa se ele cospe no chão, deixa comida no prato ou faz qualquer outro tipo de malcriação dentro da sua casa. Mas em público ele NÃO PODE JOGAR PAPEL NO CHÃO! Também não pode soltar pum nem dizer palavrão. Ele é o representante máximo do país e DEVE SERVIR DE EXEMPLO.

Por isso mesmo, não tem DIREITO de atirar no mensageiro, isto é, dizer que a imprensa fala demais e dar a entender que o persegue. Como bem lembra Noblat, Lula tem no Brasil uma atenção da imprensa incomparável a qualquer outro país democrático – tanto em quantidade quanto em qualidade. E por que ainda fica se defendendo atrás do preconceito? Por que ele sempre tem dizer que os que vieram antes dele faziam pior?

Não estou interessado em saber se o Collor não lavava a mão depois de ir ao banheiro, nem se o Sarney passava meleca embaixo da mesa, nem muito menos se jogar papel no chão é pior ou melhor do que isso! A mim, a única coisa que preocupa é como reciclar o lixo do Lula.

3 pensamentos em “Lixo reciclável”

  1. Prezado Rodolfo,
    Muito obrigado pela citação indireta. Somente hoje vi o meu feed sobre seu comentário, mas fiquei muito satisfeito de ter alguém lendo meus alfarrábios.
    Parabéns pelo seu blog. Ele também vai pro feed. Se você tiver algum interesse por direito está convidado para visitar o blog sempre.
    Grato!
    Daniel Silveira

  2. Em tempo caro Rodolfo, o que Vossa Senhoria e o Diogo Mainardi tem feito pela nação ultimamente, se você fez uma crítica em 05.11.2088 de que o Lula disse que a crise economica não nos abalaria, como você realmente pode perceber, não nos abalou. O que prova que aquele matuto do nordeste tem uma boa visão econômica e ou administra bem esse país. Caso a sua pessoa tenha esquecido, hoje essa nação administrada por esse matuto não deve nada ao FMI e ainda empresta dinheiro aquele orgão, coisa nunca alcançado pelos ditos homens cerebros da casta e elite durante os seus 500 anos de existência. Tá com inveja heim!!!

  3. Saulo, obrigado pela visita, pelo comentário, por me colocar em pé de igualdade com o Diogo Mainardi e por adiantar o relógio em 80 anos.
    Meu entendimento sobre a crise financeira difere muito do seu.
    Quem diz que a crise não abalou o país só para defender o Lula e entende que emprestar para o FMI é o supremo sinal de desenvolvimento, também deve achar que não houve mensalão, que a Dilma nunca conversou com a Lina e que o Sarney é honesto.
    Não tenho nada para discutir com essas pessoas. Passar bem.
    P.S.: pensei em corrigir os erros de português do seu texto, para ele não enfeiar o meu blog. Mas achei que você deve gostar mais dele assim, desse jeito matuto.

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