Comporte-se!

Somos umas coisinhas muito curiosas, não é mesmo? As pessoas parecem ter a ilimitada capacidade de nos surpreender com as sandices que fazem ou falam. Mas será possível que só os outros são terríveis? Sartre estava certo quando disse que o inferno são os outros? Seria eu tão bonzinho assim a ponto de, por comparação, os outros parecerem tão terríveis? (OK, eu não sou um bom exemplo. Troque por você, então.)

Veja o breve comercial abaixo, lembrado pelo Acerto de Contas por ocasião do Dia Internacional contra a Corrupção (também não sabe quando foi, né?):

Certamente você deve ter identificado, nesse filme, um monte de pessoas que não se encaixam no escorregadio “mera semelhança”. Você, eu, todos nós temos amigas e amigos corruptos, corruptores, trambiqueiros, prostitutas, traficantes, punguistas e delinqüentes em geral. Almas perdidas que colecionam os defeitos aos quais somos imunes. Como bonequinhos de vodu onde fazemos acupuntura em nossas consciências.

Até que nosso carro é multado. Ou até vermos quanto custa o show da Madonna.

Quando nossa honestidade tropeça nos atalhos que escolhemos, é porque preferímo-los aos caminhos. Se o seu caráter tem uma etiqueta de preço, o valor que se lê nela é ZERO.

O filme que fecha essa Sessão da Tarde foi-me enviado pelo meu primo Sette (ah, muleque!). Desculpem os mais sensíveis, mas nesse vídeo rola uma senhora pancadaria num jogo de futebol, quando um torcedor resolve invadir o campo. Infelizmente, nada demais até aí. Mas depois que ele faz sua presepada, duas coisas inesperadas acontecem. Assistam e depois leiam os comentários:

Uma invasão de campo pode ser um espanto na Europa. Mas até aí tudo bem, porque os policiais foram rápidos e logo dominaram o sujeito. Não se sabe o motivo pelo qual eles começaram a espancar o rapaz e aí vem o primeiro episódio surpreendente: os demais torcedores invadiram o campo para defender aquele que estava sendo covardemente agredido.

Num instante, os que agiam covardemente passaram a ser os alvos da covardia, pois os torcedores não suportaram ver um semelhante sofrer tal abuso. (Não percam, também, o mega-tombo ultra-ridículo que um cara toma sozinho, no meio do campo, sem a ajuda de ninguém, no segundo 0:44.)

E qual a segunda coisa inesperada que acontece no vídeo? você deve estar se perguntando. É que depois que a pancadaria começou, não mais do que de repente, ela simplesmente… parou. Sem tropa de choque, jatos d’água ou gás lacrimogênio nem dezenas de mortos e feridos. As pessoas tão-somente pararam de brigar e foram embora.

Que estranhos vocês são!

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