O legado do meu legado

Caros amigos, prezados leitores, queridos ambos e estimados etceteras,

obrigado de verdade pela quantidade de comentários que recebi, não só através do blog mas também por email, sobre o post dos legados que deixamos a nossos filhos. Muita gente me confessou pensar dessa forma, buscando sempre dar a melhor educação possível aos filhos. Outros ainda disseram não concordar totalmente, mas enxergaram novos pontos-de-vista e argumentos válidos.

Outro tanto de gente insiste que minhas convicções ainda mudarão, ou ao menos serão amaciadas, quando o rodolfinho ou a fulaninha der seus primeiros berros.

6a00e554b11a2e883301053678836a970b-320wi Gente, não vou dar meia-dúzia de tickets, vales e passes de ônibus para as crianças e deixá-los entregues à própria sorte. Também não farei como o Xororó, que obriga os filhos a trabalhar desde criança. Espero nem ter que fazer tal escolha – pois enquanto o(s) herdeiro(s) não v(ê)em, dedico-me a preparar sua(s) chegada(s). E espero nem precisar optar por um ou outro, podendo prover ambos.

Minha principal crítica é que quando uma pessoa precisa escolher entre educação ou dinheiro, opta por este em detrimento daquele. Deixa-lhe uma poupança em vez de pagar um curso de inglês. Seu filho pode fazer o curso depois, mas aí será por necessidade e provavelmente ele já terá perdido alguma oportunidade por não ler Outliers no original. Nesse caso você terá trocado dinheiro (seu) por tempo (dele).

Além disso, as pessoas pensam apenas em gastar o dinheiro que já têm – e se esquecem que podem abrir mão daquele que ainda não ganharam. Que podem, por exemplo, trabalhar menos ganhando menos, mas ter mais tempo para conversar com os filhos sobre a Terra, o céu e o mar. Que podem tirar férias, ao contrário de vendê-las, para viajar para o exterior com os filhos, em vez de mandá-los pela Stella Barros.

6a00e554b11a2e883301053680544a970c-320wi Alguns insistem que se deixarem um bom dinheiro para seus filhos eles poderão estudar na escola que quiserem. O ponto é exatamente esse: provavelmente ele não vai QUERER. Se você não lhe der uma educação básica, uma formação humanista sólida, valores positivos, ele não enxergará sentido em se dedicar tanto assim. E provavelmente ele terá uma conta bancária com mais dígitos do que seus anos de estudo.

Por outro lado, se você inspirá-lo a estudar e ele conseguir se motivar para seguir em frente, nem você nem ele gastarão um tostão com uma educação de qualidade.

Meu amigo Serpa me lembrou que nada garante a perenidade do sistema financeiro. O que ele quis dizer é que Educação é uma herança que nunca vai acabar nem falir. E olha que ele comenta isso diretamente da Suíça! Outro grande amigo lembra, sem ressentimentos, como uma frota de 4×4 foi trocada pela pós-graduação de seus filhos e hoje ele vai-e-vem num possante quase da idade da mais nova, orgulhoso dos três pimpolhos encaminhados.

Já o Éder lembrou uma história da infância do Arnold Schwarzenegger, quando seu pai lhe disse que se ele quisesse uma bicicleta, que trabalhasse para comprar uma. Exageros a parte, era um indício de que a vida seria dura e que se ele realmente desejasse algo, então deveria ser forte! (Perceberam o trocadilho…?)

Abraços, Rodolfo.

1 pensamento em “O legado do meu legado”

  1. Qual o seu legado?

    Quanto dinheiro você quer deixar para seus filhos? Essa pergunta ficou martelando na minha cabeça (já conto o porquê) desde ontem e acho que hoje eu cheguei a uma conclusão: ZERO. Acompanhei uma discussão sobre esforço vs. recompensa, onde uma…

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