The Shield

6a00e554b11a2e883301053688b91b970b-320wi Os fãs de Jack Bauer que me perdoem, mas perto de Vic Mackey ele é uma mocinha.

Abro hoje uma honrosa exceção nos posts sobre filmes para falar de uma série – mesmo não sendo o maior fã delas –  pois The Shield é um capítulo à parte.

Falo de cadeira porque assisti todas as temporadas disponíveis de ambas e, por isso, a frase acima tem certa convicção. Por indicação do meu amigo Renato Verme peguei a primeira temporada de 24 Horas em DVD. Vinte e quatro episódios, dezoito horas de Jack Bauer num final de semana.

Depois disso, encarei mais cinco sessões facilmente. As tramas são muito envolventes, a produção impecável e os atores excelentes. Vale um post à parte, prometo. Depois tentei Prision Break. Que decepção! Um elenco insosso arrasta uma estória pra lá de rocambolesca. Nem o sempre psicopata Peter Stormare se salva com seu mafioso italiano John Abruzzi. O único responsável por alguns bons momentos é o imprevisível William Fichtner, com sua versão FBI do Inspetor Javert, Alexander Mahoney. Mas só para quem conseguir chegar à segunda temporada.

6a00e554b11a2e883301053688c685970b-320wi Até que um dia na locadora aqui perto, ouvi uma mulher reclamando que o marido só ficava assistindo The Shield o tempo todo e não lhe dava atenção. Olhei bem para o naipe da figurinha e pensei: “Esse seriado deve ser bom…” Da primeira temporada à quinta, foi um instante.

A trama gira em torno de um esquadrão especial numa delegacia no fictício distrito de Farmington, uma violenta região de Los Angeles recheada de conflitos raciais.

O personagem central é o detetive Vic Mackey, interpretado pelo ator de ascendência grega Michael Chiklis, mais conhecido aqui pela Coisa, do Quarteto Fantástico. No comando dessa tropa de choque da delegacia, Vic chega a ser mais bruto que seu alter-ego Marvel.

A especialidade de seu time é combater crimes de gangues, bem como suas disputas pelo poder na área. São hondurenhos, salvadorenhos, mexicanos, negros e toda ordem de minorias raciais organizadas em torno de tráfico, assaltos, homicídios, estupros, extorsão, prostituição e mais quantos delitos ainda se puder relacionar. Não, definitivamente esse não é um programa para a família.

6a00e554b11a2e8833010536901b47970c-320wi Compõem o time de Mackey, na ordem da foto, os policiais Shane Vandrell (o intenso Walter Goggins – repare como ele se parece com o Jim Carrey), Terry Crowley (Reed Diamond, preste bastante atenção porque ele só dura meio episódio), Ronnie Gardocki (David Reed Snell no papel de um autêntico dois de paus) e Curtis “Lem” Lemansky (Kenny Johnson). Apesar de ilustres desconhecidos, são todos excelentes atores e figurinhas fáceis noutras séries, além de serem grandes amigos na vida real.

Completam o quadro fixo da série os ótimos Holland “Dutch” Wagenbach (Jay Karnes), o capitão David Aceveda (Benito Martinez) e Claudette Wyms (CCH Pounder), dentre outros. Em participações mais do que especiais, temos os premiados com Oscar Glenn Close, como a capitã Monica Rawling e Forest Whitaker, como o tenente da Corregedoria Jon Kavanaugh.

Vic e sua equipe não medem esforços para manter a ordem na sua jurisdição. Isso inclui praticar todo o tipo de malvadeza e brutalidade que deveriam combater. Eles batem, roubam, chantageiam, mentem, conspiram e, se preciso, matam. E ainda são os heróis da trama adorados, inclusive, por policiais na vida real.

Boa parte do público que acompanha The Shield sente-se atraído exatamente por essa ambiguidade moral que a série carrega. Os dilemas éticos a que os personagens se submetem conflitam com seu desejo de, ao seu modo, fazer o bem. O que, no final do dia, eles até conseguem. O custo disso é que torna-se questionável.

6a00e554b11a2e883301053690227f970c-320wi Tentando impôr um pouco de ordem na tropa de choque está o também volúvel capitão Aceveda, o chefe que dá as costas às irregularidades, pois enxerga nos (ótimos) resultados finais de sua equipe o trampolim perfeito às suas ambições políticas. As excelentes atuações de Martinez são sustentadas por textos que dariam ótimas aulas de liderança e resolução de conflitos.

Com personalidade oposta à de Mackey, Dutch é o bom moço da delegacia, com seus rígidos códigos morais. Sua desastrada habilidade com as mulheres faz dele a vítima perfeita para as brincadeiras de todos os seus colegas. Um CDF de carteirinha, tem enorme perspicácia para investigar crimes, construída através de disciplinado estudo do comportamento humano. Numa das temporadas, inclusive, ele torna-se tão obcecado por um serial killer que faz aflorar seu lado Mr. Hyde.

Dramas individuais também perseguem o protagonista de The Shield. Em meio à pressão do trabalho Vic acaba divorciando-se de sua esposa, não sem antes descobrir que seus dois filhos mais novos são autistas (a mais velha, aliás, é Autumn Chiklis, sua filha na vida real). Trata-se de um ingrediente perverso para o espectador, uma vez que ele pode confundir-se em alguns dilemas morais, justificando algumas (das muitas) escorregadas de Mackey.

Enfim, para os fãs de ótimas tramas policiais, repletas de ação e reviravoltas surpreendentes, The Shield é um programa imperdível! A série acumula, ainda, os Emmy Awards de Melhor Série de Drama de 2002 e Globo de Ouro de 2003, prêmio também recebido por Michael Chiklis.

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CURIOSIDADES:

– Apesar de a série contar com a admiração da verdadeira polícia de Los Angeles, os figurinistas tiveram que trocar o lado do distintivo usado pelos policiais uniformizados (fica do lado direito do peito), pois a LAPD não queria que os fictícios policiais fardados fossem tão parecidos com seus retratados.

– Por seu teor violento, The Shield demorou a conseguir patrocinadores fixos para sua exibição. Isso só veio com o tempo, depois que a série tornou-se sucesso de público.

– Michael Chiklis trabalhou numa outra série policial da década de 1990, The Commish, onde ele fazia um comissário de polícia. Certa vez houve um assalto com reféns perto de onde ele morava e, chegando em casa, ele foi abordado pelos policiais que lhe explicaram toda a situação, pensando tratar-se do oficial encarregado.

– Na vida real, Chiklis faz trabalho voluntário para ajudar crianças autistas, tão envolvido que ficou com os personagens de seus filhos na série.

6 pensamentos em “The Shield”

  1. Rodolfo,
    Comecei a leu seu blog por indicação do Balu, de quem sou muito amigo.
    Sou um aficcionado por séries e atualmente, enquanto fico na espera do retorno de “Lost”, estou começando a tirar o atraso com “24”. Assisti à primeira temporada em 4 dias e já estou na metade da segunda. Depois que me atualizar com as aventuras de Jack Bauer, vou tentar seguir a recomendação do The Shield.
    Mas aproveito para te indicar a série “The Wire”, da HBO. Pelo que li dos seus comentários sobre The Shield, o princípio é basicamente o mesmo, sendo a execução impecável. São 5 temporadas e recentemente passava no canal Cinemax. É meio difícil achar em DVD, tive que achar na Internet – mas na primeira oportunidade de ir aos EUA (ou ter alguém para trazer de lá) pretendo comprar todas as temporadas. É espetacular. Recomendo fortemente.

  2. sou fa de carteira da sere the shield, to louco para assistir a 7ª temporada, não vai ter graça se o vic morrer no final da série ela tem que acabar deixando margem para uma continuação, porque tem que ter uma continuaçao nem que seja uma especial depois da 7ª nem que seja daqui a 1, 2 ou 3 anos isso ai um abraço para quem curte the shield.

  3. Por que o final de Lost foi tão bom?

    Antes do texto propriamente dito, preciso confessar que jamais assisti sequer um episódio de Lost. Só sei que tinha um gordinho barbudo e um tiozinho careca. Fora isso, não reconheço um ator, não identifico uma música e jamais entendi uma…

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