Fooooooda-se!

Antes que a leitora fique escandalizada ou pense em mudar de página, explico o motivo de tão reverberante, exuberante e obsceno palavrão: é super persuasivo!

6a00e554b11a2e8833011278de692728a4-320wi Confesse, vai: você veio correndo ver o que era, assim que leu isso, não foi? Pois não precisa ficar encabulada por isso. Em recente artigo da Inside Influence os autores revelam-nos, enrubescidos, que palavrão funciona. E funciona pra caralho!

Dessa vez o Dr. Noah Goldstein baseia-se num estudo realizado pelos psicólogos Cory Scherer e Brad Sagarin, da Northern Illinois University (Indecent influence: the positive effects of obscenity on persuasion) para testar a hipótese de que as pessoas que falam palavrões são mais persuasivas.

Eles elaboraram um vídeo onde um palestrante procurava passar uma mensagem à sua audiência. Para dois terços dos participantes da pesquisa, o discurso era entremeado por alguns palavrões (um terço no início e outro no final), enquanto que o restante ouvia exatamente o mesmo texto, sem os palavrões. Após assistirem ao vídeo, todas as turmas preenchiam questionários onde expunham suas sensações a respeito do teor da mensagem, bem como seus sentimentos sobre o palestrante.

6a00e554b11a2e883301116868fe1c970c-250wi Os resultados mostraram que os palestrantes boca-suja não só eram vistos como mais engajados em suas causas, mas também revelavam-se mais persuasivos. Obscenidades, como concluíram estudos anteriores, enfatizavam os sentimentos do interlocutor.

Mas espere! Isso não significa que você deva sair por aí pragejando e esbravejando para convencer o mundo de seus pontos-de-vista. Antes de mais nada, o “palavrão” usado no estudo era um cândido Damn it!*, algo como “Droga!” em português.

Outros estudos mostram que palavrões mais fortes funcionam quando a platéia já está ao seu lado e você pretende apenas inflamá-la um pouco mais (como eu fiz com vocês, queridos leitores). Do contrário, hum-hum, evite…

Em seu livro Cursing in America (Xingando na América), de 1992, o lingüísta Thimoty Jay adverte que um palavrão em hora errada pode diminuir a credibilidade do malcriado, assim como sua persuasão e a percepção do seu profissionalismo.

Êpa! Conflito de resultados… Verdade! Mas são quase quinze anos entre um estudo e outro! Quinze anos atrás a gente não ouvia nem “pum” na televisão. Mas hoje em dia, veja só o que esses rapazes desbocados falam no teatro:


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* Esse mesmo palavrinho em 1939 rendeu a Dalvid Selznick, produtor de “E o vento levou… “, uma multa de US 5.000,00 pela famosa frase de Rhett Butler (Clark Gable) “Frankly my dear, I don’t give a damn (Sinceramente, benzinho, estou cagando um monte desse tamanho pra você).

3 pensamentos em “Fooooooda-se!”

  1. Rodolfo,
    O ponto de vista não seria tão somente a visão em um determinado ângulo em relação ao mesmo objeto, circunstância ou situação? Então, o ponto de vista não deveria ser apenas uma forma pessoal de dar interpretações sobre quaisquer fatos que, em si mesmos, representam uma verdade efetiva em relação à algo em que espera-se provar?
    Isso seria particularmente eficiente na questão da formação ideológica ou moral. Analisemos por exemplo a formulação de leis e protocolos de procedimento. Têm-se nestes casos um claro objetivo, de legislar sobre algo no qual espera-se regular, moralizar e eventualmente reprimir determinados padrões de conduta.
    Quando há conflitos, diverências ou pontos divergentes em relação a determinado assunto por causa dos pontos de vista sustentados ou assumidos, o que fazer? Qual será o ponto de vista válido, considerado moralmente legal ou justo? Quem ou qual é o ponto de vista viável? A questão seria o ponto de vista melhor ajustável a implementação da regra, ou a resolução e entendimento de determinado fato?
    Pensemos …
    Abraço
    Alex

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