O surdo estrondo de Jarbas

6a00e554b11a2e88330111686831d9970c-800wi Era para ser a mais bombástica entrevista desde Pedro Collor. Deveria remexer as instituições políticas do país e sacudir o Congresso. Merecia promover uma enxurrada que removesse os fétidos excrementos que se acumulam nas alcovas da Capital.

Mas infelizmente, como todos nós sabemos, o recente desabafo do senador Jarbas Vasconcelos à Veja de 18/02/2009 tem curtíssimo prazo de validade. Apesar de contundentes, suas palavras cairão no esquecimento de um povo que tem memória de peixinho dourado na hora de avaliar e escolher seus governantes.

Seu brado pouco retumbará nesse nada heroico povo, omisso e acomodado. Quando lemos nos principais meios de comunicação do país algo do nível do que foi dito por Jarbas, é sinal que algo vai mal, muito mal.

Indignado com a eleição de Sarney para a presidência do Senado – o que considera um retrocesso – Jarbas revira a volta de Renan à presidência do PMDB e nega-o como partido pois este tornou-se, segundo suas palavras, “um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte”. Mesmo sendo veementemente atacado, o PMDB limitou-se a responder que nada responderia pois diz não haver citação de fato concreto algum.

Enquanto o PMDB esquiva-se, finge-se de morto e recusa-se a colocar a cabeça fora da toca, o país prepara-se para mais um Carnaval. Dá as costas à realidade para malhar um judas de pano, enquanto os reais aproveitam para surrupiar nosso últimos confetes.

Ao mesmo tempo os jovens caras-pintadas assistem o tempo passar. Trocam de iPod, tc c/ suas miguxas, tomam mais uma. Programam alguma festinha ou o trote da faculdade. Se der tempo talvez role uma animada passeata na orla, entre o “Empurra que pega” e o a “Banda de Ipanema”, quem sabe?

6a00e554b11a2e8833011168684443970c-250wi Veja algumas frases da entrevista e pense se você não ficaria no mínimo envergonhado de alguém falar isso de você. E pense por que nenhum dos citados ficou, fica ou jamais ficará:

“De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador.”

“Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido. Renan [Calheiros] é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem.”

“Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.”

“Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética.”

“O país não tem infraestrutura, as estradas são ruins, os aeroportos acanhados, os portos estão estrangulados, o setor elétrico vem se arrastando. A política externa do governo é outra piada de mau gosto. Um governo que deixou a ética de lado, que não fez as reformas nem fez nada pela infraestrutura agora tem como bandeira o PAC, que é um amontoado de projetos velhos reunidos em um pacote eleitoreiro. É um governo medíocre.”

6a00e554b11a2e8833010535dc37e4970c-300wi “O marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro. (…) Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.”

“Não é uma batalha perdida, mas a oposição precisa ser mais efetiva. Há um diagnóstico claro de que o governo é medíocre e está comprometendo nosso futuro. A oposição tem de mostrar isso à população.”

“O escândalo chocava até cinco ou seis anos atrás. A corrupção sempre existiu, ninguém pode dizer que foi inventada por Lula ou pelo PT. Mas é fato que o comportamento do governo Lula contribui para essa banalização.”

“Aqui, esperava-se que um operário ajudasse a mudar a política, com seu partido que era o guardião da ética. O PT denunciava todos os desvios, prometia ser diferente ao chegar ao poder. Quando deixou cair a máscara, abriu a porta para a corrupção. O pensamento típico do servidor desonesto é: ‘Se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?’.”

2 pensamentos em “O surdo estrondo de Jarbas”

  1. O triste é que na imprensa vc vê as pessoas criticando o mensageiro e não a msg como se a própria Veja estivesse louvando o entrevistado e não enfatizando as graves denúncias que ele tinha a dizer.
    O Brasil é mesmo um país de “faz de contas” com uma população em sua maioria que faz por merecer a lama em que se encontra. Nada do que ele foi dito vai durar mto. Uma pena…
    Abrax

  2. O individualismo, o sobreviver para muitos, está difícil, a falta de leitura, vários fatores contribuem para essa, digamos, apatia ou alheamento, como se não significasse algo que pesasse na vida cotidiana.

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