Impressões praianas

De volta à realidade depois de uma interessante semana na Costa Verde, guardei alguns comentários a respeito dos lugares por onde passei.

Saindo de São Paulo fui até Paraty por um caminho e voltei por outro, fazendo algumas paradas pelo caminho. Este, por sinal, já é um programa à parte. A BR-101 continua um espetáculo por si só. Pequenos buracos e outros obstáculos menores não comprometem em nada a viagem de carro, que pode ser feita com toda tranqüilidade desde que, é claro, observem-se as normas mínimas de segurança.

6a00e554b11a2e8833011570a7cdaa970b-320wi Maresias: apesar de estar em São Paulo há quase quatro anos, ainda não conhecia o litoral norte do Estado (nem o sul, que continuo sem conhecer). O caminho de 174 km pode ser feito facilmente em duas horas e meia, sem sustos nem abusos. A descida pelo sistema Anchieta-Imigrantes é pacata, considerando o escasso trânsito de uma quarta-feira pela manhã. A ótima condição da estrada diminui um pouco a dor dos R$ 17,00 do único pedágio deste trajeto.

Sem a badalação do final de semana Maresias parece uma cidade fantasma, transformando-se numa ótima alternativa para o descanso. Com menos demanda, os preços dos hotéis e pousadas tornam-se convidativos. Numa breve caminhada pela rua paralela à estrada encontram-se diversas opções indo do precário ao moderadamente sofisticado. Você pode pagar R$ 48,00 num albergue xexelento ou R$ 100,00 por uma suíte de 50m2 com jacuzzi incluída (na verdade essa tarifa corresponde ao quarto normal, mas pelo fato de a pousada estar vazia, o upgrade foi oferecido antes de solicitado).

Isso sugere buscar uma pequena inversão nos arranjos do trabalho: será que seu chefe aceitaria que você trabalhasse no sábado e no domingo, para folgar terça e quarta, por exemplo? Assim você poderia ter essa praia acima só pra você, por 45% do preço do final de semanasem trânsito algum. Vale perguntar para ele?

Trindade: de Maresias a Trindade são mais 150 km de uma estrada bastante sinuosa, principalmente no trecho depois de Ubatuba. Aliado a isso, a belíssima mistura de mar e montanha lado-a-lado faz com que você alivie o pé do acelerador para apreciar a paisagem. O primeiro susto vem no posto, na hora de abastecer. Você vai de R$ 2,19 o litro da gasolina em São Paulo para R$ 2,89 assim que cruza a divisa. Coisas da nossa tresloucada legislação tributária!

6a00e554b11a2e8833011570a7f567970b-320wi A estradinha que desce da BR-101 até Trindade é uma pirambeira que inclui até um trecho sobre as pedras da praia. Não à toa há várias placas de guinchos pelo caminho. Em Trindade há três belas praias (essa ao lado é a Praia do Meio, em foto copiada da Kenia) com fácil acesso (menos de dez minutos a pé) e outras mais complicadas, por trilhas que resolvi deixar para outra oportunidade – a leitora mais aventureira talvez aprecie. Uma elegante creperia te faz dormir o sono dos justos, embalado pelo forte barulho das ondas.

Ali percebi, também, uma inversão com relação a São Paulo: enquanto em Maresias a hospedagem era barata e a comida cara, em Trindade (e mais tarde Paraty) ocorreu o contrário. Mesmo sendo pé na areia, o minúsculo quarto da pousada onde fiquei apresentava traços de falta de conservação e um incômodo cheiro de mofo. Mas o mais surreal estava no cardápio, que anunciava uma “multa” de R$ 5,00 por dia se você usasse o frigobar para guardar coisas suas, em vez de consumir o que havia nele. Um jeito um tanto truculento de forçar uma grana extra de forma bastante antipática. Afinal, o negócio de uma pousada é deixar o hóspede à vontade e não vender bebidas a preços sempre extorsivos.

Paraty: essa charmosa cidade histórica é outro convite à vadiagem saudável. Apesar de não ter praias urbanas como as anteriores (o que você resolve com um passeio de escuna básico), Paraty compensa com suas ruazinhas rústicas de calçamento mais do que irregular, salpicadas de convidativos bares e restaurantes.

6a00e554b11a2e883301156fb2d367970c-320wi Num destes, aliás, uma situação surreal: na hora da conta cobraram uma tal de table tax – R$ 1,00. Indagado sobre o que seria aquilo, o garçom respondeu (com um sotaque estrangeiro bastante comum por lá) que era a taxa de ocupação da mesa. Ora, eu não me incomodo de pagar o couvert artístico (era R$ 7,00), pois na maioria das vezes é só isso que o músico ganha. Mas pagar para sentar à mesa? Que outra opção você tem num restaurante? Recusei e briguei por um Real…

Já no hotel, o simpático e vazio frigobar era um convite a guardar ali o que você quisesse – afinal, essa é a sua real finalidade! No domingo de manhã, um cano estourado brindou-me com uma cachoeira no meio do quarto às 8:00h da manhã. Tudo bem, acidentes acontecem, mas me oferecer o quarto que ficava exatamente embaixo do alagado não foi lá muito esperto. Aceitá-lo, menos ainda pois uma hora depois a água já escorria pelas paredes e lá fui eu conhecer o terceiro aposento no mesmo dia.

Um passeio de escuna (R$ 40,00) pelas praias e ilhas da região, acompanhado de turistas americanos e franceses (acho) garantiu o resto do dia. Mas de novo recusei-me a pagar R$ 10,00 por máscara e snorkel para ver os preguiçosos peixinhos listrados atraídos por migalhas de pão. Devia estar incluído no pacote…

A surpresa foi saber depois que praticamente todos os hotéis já estavam lotados para a 6a FLIP (Feira Literária Internacional de Paraty), de 1o a 5 de julho próximos. Ponto para a cidade!

A volta: para voltar, a melhor opção numa única tacada é subir até a Via Dutra (BR-116) em direção a Taubaté (desde Paraty são 140 km). Fora a “escalada” da serra (os 7 km mais íngremes que já percorri, quase todos em segunda marcha) é uma estrada excelente, especialmente bonita e vazia numa ensolarada segunda-feira. Com mais 149 km pela Rodovia Carvalho Pinto (SP-070) dá pra fazer em 3:30h sem pressa.

Agora de volta, vamos com tudo de novo e sem nenhuma saudade do Obina…

2 pensamentos em “Impressões praianas”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *