Experimentos em Psicologia – Bruce Alexander e o mito do vício

Nos textos mais recentes exploramos alguns comportamentos humanos relacionados a escolhas feitas em ambiente pouco familiares, onde os indivíduos encontravam-se em situações de estresse. Especificamente os artigos sobre Zimbardo e Milgram mostraram como as pessoas acabam tomando decisões que prejudicam aqueles à sua volta, num momento em que havia a possibilidade de escolher entre se fazer o bem ou o mal a alguém. Hoje veremos como o indivíduo faz tal escolha numa situação em que ele próprio sofrerá as consequências mais imediatas: o uso de drogas.

Scarface doidão querendo fazer amigos
Scarface doidão querendo fazer amigos

Na década de 1970 o uso de drogas pesadas atingia níveis endêmicos com a disseminação da cocaína pelos EUA, além dos veteranos da Guerra do Vietnam que voltavam para casa viciados em heroína e os revolucionários movimentos da contracultura, que popularizaram o LSD.

Depois de o vício em drogas ter sido associado à imoralidade e à fraqueza de caráter, a corrente de pensamento da segunda metade do século XX atribuía o uso e o abuso das drogas a questões essencialmente farmacológicas. Colocavam a dependência química quase como um inevitável fim para aqueles com alguma predisposição inata sendo, portanto, uma questão médica.

Recentes experimentos com ratos e macacos relatavam dramáticos desfechos de estudos nos quais, em condições experimentais, as cobaias chegavam a preferir droga em vez de comida, muitas vezes morrendo de fome. Mas o psicólogo americano Bruce Alexander encontrou algumas inconsistências nesses relatos que mostravam o vício em drogas como um destino quase irrevogável e praticamente dissociado do livre arbítrio.

Para ele, as condições em que os próprios estudos eram realizados representavam um verdadeiro pesadelo para as cobaias envolvidas. Era de se esperar, continua, que qualquer ser vivo naquelas situações preferisse viver entorpecido do que sobreviver de forma tão deplorável. E ele estava disposto a provar sua hipótese.

Depois de se formar em Psicologia na Universidade de Miami, Alexander conheceu Harry Harlow e seus famosos estudos sobre o amor materno envolvendo macacos. Fascinado com essas teorias e buscando resposta para seus próprios dilemas amorosos, Alexander transferiu-se para a Universidade de Madison, para estudar com o próprio Harlow.

O que presenciou, entretanto, haveria de mudar radicalmente seu foco de interesse: Harlow era um incorrigível alcoólatra. Alexander passou a se perguntar o que levava uma pessoa a desconectar-se completamente do mundo. Em vez de pesquisar sobre o amor, acabou atraído pelo vício – academicamente falando.

Com o colapso do seu casamento, Alexander mudou-se para o Canadá, onde trabalhou numa clínica de tratamento de viciados. Um paciente em especial chamava sua atenção: um rapaz que trabalhava vestido de Papai Noel injetava-se heroína e passava seis horas por dia sorrindo para crianças num shopping center em Vancouver. Tal comportamento sugeriu-lhe, pela primeira vez, que as pessoas não usavam a droga por uma necessidade essencialmente química, mas para suportar uma situação social potencialmente difícil.

6a00e554b11a2e88330115713cfa03970c-320wi Com as recentes descobertas sobre o funcionamento do cérebro nas décadas de 1960 e 1970 e a localização das suas zonas de prazer, Alexander perguntava-se, então: se o acesso às maravilhosas drogas que estimulavam essas áreas era tão fácil e o resultado tão satisfatório, por que apenas uma fração dos usuários tornava-se dependentes?

Para Alexander, os modelos animais estudados na época ignoravam a ligação entre os estímulos farmacológicos e as condições ambientais. Ninguém considerava que o ratinho cruzava um piso eletrificado para sugar uma solução rica em ópio, porque talvez não tivesse mais nada para fazer. Ou que um macaco que trocava sua comida por cocaína provavelmente preferisse morrer a estar ali, pois o isolamento causa aflição extrema aos macacos, assim como a várias outras espécies – o homem incluído.

Ele queria provar que, talvez mais do que desequilíbrios químicos, a necessidade incontrolável por determinadas substâncias poderia estar relacionada, por exemplo, ao trabalho, a um lar opressor, a uma infância sem afeto, à sorte ou até mesmo ao mau tempo – ou seja, fatores situacionais em vez de biológicos.

Observando os ratinhos viciados de seus colegas, Alexander admite que ele próprio sucumbiria ao torpor das drogas, como uma fuga para aquele ambiente precário – isso sem falar dos cateteres introduzidos em obscuros orifícios da sua anatomia, como acontecia nas caixas de Skinner utilizadas na época. Qual seria o comportamento dos roedores, perguntava-se, caso vivessem num outro tipo de ambiente, ou fossem experimentados sob diferentes circunstâncias?

Para Alexander, a resposta talvez estivesse aí. Junto com seus colaboradores Robert Coambs e Patricia Hadaway, ele começou a construir o verdadeiro Paraíso dos ratinhos de laboratório, num experimento que mais tarde tornar-se-ia conhecido como Rat Park.

"Eu amo o meu ursinho..."
“Eu amo o meu ursinho…”

Num ambiente controlado de 8,8 m2 (pode não parecer muito, mas era 200 vezes maior do que a gaiola comum onde a maioria dos experimentos era feita e, considerando o tamanho do ratinho, seria algo como uma pessoa dentro de um estádio de futebol*), aquecido a uma temperatura agradável, eles espalharam serragem de cedro pelo chão, bolinhas coloridas, rodas para exercício e dispensadores apropriados para alimentação.

Havia espaço suficiente para que os animaizinhos pudessem conviver confortavelmente, brincar, namorar e até eventualmente dar à luz e amamentar. Nas paredes pintadas de verde, eles desenharam montanhas e árvores simulando uma realidade ainda mais ampla do que uma gaiola de laboratório comum. Dezesseis felizes ratinhos passaram a desfrutar desse paraíso – que passarei a chamar singelamente de Ratolândia.

Outros dezesseis roedores não tão sortudos serviram como controles e foram confinados a um ambiente bem mais modesto – que batizei de Ratoeira –, semelhante às gaiolas utilizadas até então, onde viviam num triste isolamento.

Para ambos os grupos eram oferecidas duas opções de líquidos: uma torneira despejava água pura, enquanto que a outra oferecia uma mistura de água, açúcar e morfina.

Como era de se esperar, os ratinhos confinados logo preferiram a segunda opção, enquanto os felizes habitantes da Ratolândia eventualmente davam uma bicadinha (ou uma roidinha) na solução com morfina – com maior prevalência das fêmeas, diga-se. Os pesquisadores verificaram, assim, que o consumo de drogas era dezesseis vezes maior na Ratoeira, a colônia dos ratinhos sofredores – uma proporção pra lá de estatisticamente significativa.

Mais adiante no estudo, Alexander e sua equipe misturaram naloxona – uma substância que anula os efeitos da morfina – à solução com o opiáceo. Agora os habitantes da Ratolândia também bebiam dessa nova mistura, mas apenas em busca do seu açucarado paladar. Este toque final ao estudo mostrou como os ratinhos que viviam num ambiente equilibrado e socialmente ajustado evitavam qualquer substância que pudesse interferir em suas estáveis relações sociais. Eles também gostavam da água doce, desde que ela não os deixasse pirados.

"Me dá um teco ou me tira daqui!"
“Me dá um teco ou me tira daqui!”

Alexander considera válida a comparação do seu estudo com os ambientes humanos pois, assim como nós, os ratos são animais extremamente agregadores, ativos e curiosos. E o efeito analgésico e tranquilizante da morfina interferia negativamente em suas capacidades de se relacionar com o grupo, bem como em outras gratificantes oportunidades que lhes eram oferecidas, tornando o seu uso indesejado.

Numa importante variação do estudo ambos os grupos, tanto os da Ratolândia quanto os da Ratoeira, recebiam apenas água batizada com morfina e açúcar. Depois de algum tempo nesse regime, os dois grupos eram compostos de ratos viciados e dependentes, certo?

Não necessariamente. Após aproximadamente dois meses, os pesquisadores ofereceram novamente a opção entre água com morfina (e açúcar) e água pura. A primeira opção continuou a ser a preferida da Ratoeira, enquanto que na Ratolândia seus habitantes pouco a pouco foram deixando de consumir a droga, mesmo depois de um longo período de uso contínuo.

Mesmo quando deixavam a droga por vontade própria, os ratos mostravam ligeiros sintomas de abstinência, mas nada severo como suor em profusão ou convulsões, por exemplo. Para Alexander, a síndrome de abstinência configura outro exagero em torno do também superestimado mito do vício.

Alexander conclui que boa parte do vício faz parte do chamado livre arbítrio. Quando uma pessoa – ou um rato – pega e usa o cachimbo, mas não o larga depois, isso está muito mais ligado às situações que vive do que às propriedades farmacológicas da droga em si. Talvez as circunstâncias em que a pessoa viva não lhe ofereçam uma redenção tão imediata e fácil quanto as drogas que ele tem à disposição.

O vício representa, então, uma estratégia, um estilo de vida para lidar com determinada situação e, como toda estratégia, está sujeita à influência da educação, da diversão e das oportunidades – assim como qualquer escolha.

Considerando o impacto de suas descobertas – ou talvez exatamente por causa delas – o artigo original de Alexander (The effects of housing and gender on morphine self-administration in rats) foi rejeitado pelas revistas científicas mais importantes, como a Science e a Nature, tendo sido publicado na respeitada, porém nem tão glamorosa, Pharmachology, Biochemistry and Behavior, em 1978.

6a00e554b11a2e883301157231a47e970b-320wiAinda assim, as ideias de Alexander trouxeram – e continuam trazendo – uma série de dúvidas em relação à forma como se aborda o problema do vício em drogas. Questionam profundamente as abordagens sociais e, especialmente, as médicas para o problema das drogas.

Nem os mais modernos avanços em tecnologia de diagnósticos ou as recentes descobertas em bioquímica ou genética foram capazes de desvendar completamente os mecanismos por trás do vício em drogas.

Até pelo fato de haver enormes diferenças individuais nas respostas aos seus efeitos no organismo, não se chega a uma proporção ideal sobre os fatores que mais exercem influência nesse pernicioso hábito; se farmacológicos (a pessoa pode ter algum déficit na produção dos neurotransmissores) ou situacionais (o indivíduo pode estar vivendo um momento particularmente difícil).

O uso de drogas, qualquer que seja, guarda estreita relação com o estado de espírito do indivíduo, espelhando a situação particular que vive. Cigarros, cocaína ou chocolate representam um apelo muito mais forte para a pessoa que tem algum tipo de problema do que para quem está feliz e serelepe. Talvez até por isso não exista esta proporção ideal, uma vez que as características próprias de cada indivíduo sugerem abordagens particulares.

Num artigo recente na The Walrus Magazine Robert Hercz relembra os estudos de Alexander e sua equipe, mencionando o fracasso no combate às drogas no Canadá, em virtude do seu crescente consumo.

6a00e554b11a2e8833011571403208970c-320wi Só que tão interessante quanto o artigo é notar que o primeiro comentário nele postado foi do próprio Dr. Robert Coambs, um dos coautores do estudo original, junto com Bruce Alexander. Para ele, as caixas de Skinner dissociam os ambientes experimentais do mundo real, onde uma torta de chocolate só é atraente se você realmente a quiser, pois a recompensa e o prazer estão inerentemente ligados à situação. Por isso, acrescenta, milhões de pessoas acotovelam-se todos os anos nas filas das montanhas-russas para sentirem medo e pânico – sensações não muito agradáveis em condições normais.

Coambs lembra, ainda, que a morfina estimula áreas do cérebro (especialmente o nucleus accumbens) independentemente do estado de humor em que a pessoa se encontre. Existem outras partes do cérebro, no entanto, que canalizam, modificam ou até mesmo bloqueiam tais estímulos, de acordo com outras atividades cerebrais em curso.

Os centros de recompensa do cérebro são regulados por uma miríade de circunstâncias que a ciência ainda não é capaz de controlar em laboratório. Quando a experiência de Alexander e seus colegas conseguiu controlar uma delas – o ambiente social – todo o modelo corrente de morfina-e-os-centros-de-prazer-do-cérebro parece ter ruído.

Os estudos de Alexander soam, também, como mais um brado em favor da legalização das drogas. Ao menos para os ratos, a abundante oferta da droga não resultou, necessariamente, em vício, embora todos os ratos a tenham experimentado e até desenvolvido certa dependência em determinado momento. Talvez não haja razão para supor que a descriminalização das drogas reduza a atração pelo proibido, mas certamente inibe algumas das consequências secundárias, como o tráfico e a violência que ele gera.

6a00e554b11a2e88330115712d03c8970b-320wi Mesmo que as pesquisas de Alexander não tenham provado que o vício em drogas é uma questão puramente comportamental – porque talvez não seja o caso – elas mostraram falhas indiscutíveis no modelo estritamente farmacológico.

Transformar o problema numa questão essencialmente química e tratá-lo dessa forma parece apenas camuflá-lo por um tempo. Até pode dar resultado, mas em seguida devolve-se o ex-viciado ao mesmo ambiente adverso que o colocou naquela situação. Nossa sociedade combate várias de suas doenças – sejam médicas ou sociais – do mesmo modo.

O vício seria, por assim dizer, uma resposta individual, consciente e premeditada a um problema coletivo. E parecemos sempre buscar minimizar as consequências dos seus problemas do que as causas propriamente ditas. Medicamos os viciados antes de os tirarmos das suas Ratoeiras. Obrigamos as empresas a contratar deficientes físicos em vez de torná-los competitivos no mercado de trabalho. Devolvemos ex-presidiários à sociedade e ficamos torcendo para que não voltem a cometer crimes.

A essa altura, não podemos deixar de lembrar a emblemática frase de Phil Zimbardo dizendo que “se você quer mudar alguém, tem que mudar a situação em que a pessoa se encontra“.

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* Isso foi um chute, mas se alguém quiser fazer o cálculo exato da proporção eu agradeço…

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Leia a Introdução sobre esta série a respeito de famosos Experimentos em Psicologia, além de uma relação dos outros textos já disponíveis.

11 pensamentos em “Experimentos em Psicologia – Bruce Alexander e o mito do vício”

  1. Oh César, você se antecipou a minha afirmação!
    Rodolfo,
    Que texto!! Minha nossa! Eu sempre em termos do vício como um “sintoma” de algum estado emocional, social, espiritual…
    As conversas acabam convergindo para pensar em que ambiente o “vício” prolifera, não um ambiente apenas no confinamento familiar, mas a sociedade onde isso ocorre. Quais são os “motivadores”, as aspirações, as alegrias, as perspectivas dos grupos sócio-culturais?
    Quando falamos de drogas estamos falando das lícitas e das ilícitas. O excesso de medicamentos, álcool, cigarros, comida(!?), indústria cultural(!!!!!) que a sociedade ocidental contemporânea – e as sociedades orientais que querem a todo custo de ocidentalizar! – consome(m) é bastante eloquente.
    Um grande abraço
    Luiza Helena

  2. Olá Rodolfo.
    Vi que vc me escreveu e fiquei bastante contente. Tenho acompanhado todos os artigos, desde o primeiro. Trabalhei por um ano com a famosa caixa de skinner. Já conhecia a maior parte dos experimentos e eles sofrem dois problemas. O primeiro é que possuem alguns problemas cientificos mesmo, sobretudo deslocados de determinados contextos e depois generalizados. O segundo e inevitavelmente mais grave é que seus valores genuinos são suprimidos na cultura. Por exemplo: o experimento de Asch pode sugerir que numa eleição, a divulgação dos dados de pesquisa, por exemplo, induzem o eleitor a uma unanimidade burra. Neste caso não precisamos fazer pesquisa alguma, basta olhar a necessidade dos candidatos em mostrarem esses dados. O próprio skinner sugeria coisas interessantes sobre a dependência química e a compulsão. Ele mostrava que retirando a droga do usuário, oferecendo-lhe outro ambiente, ela não fazia falta(as clínicas de internação, não fazem idéia dessas pesquisas). Sugeria também que os compulsivos alimentares, só eram compulsivos porque dispunham de alimentos reforçadores. Deixe sua geladeira cheia de comidas que não gosta que a compulsão diminui. Simplifiquei um pouquinho, ok. Mas era uma forma dele mostrar a independencia do comportamento em relação ao desejo e a genética, que aliás já havia sido bem exclarecida por Pavlov. Escrevi, certa vez o texto que segue. Ele caminha em direção ao seu artigo. Lembra também o experimento de Milgran e de como as autoridades políticas e médicas nos oferecem crenças sustentaveis na relação com a autoridade.
    Rodolfo, um grande abraço com muita admiração de quem tem aprendido bastante contigo, até.
    CRACOLÂNDIA NA TV
    São 19h e acabei de ver uma matéria sobre a cracolândia, no jornal SPTV, da rede globo. Levantei e estou escrevendo. Moro perto da cracolândia e já vi de perto o horror daquelas pessoas. A matéria falava da dificuldade dos assistentes sociais em convencer os usuários a buscar tratamento, que vai de inclusão num albergue a tratamento médico especializado. A matéria mostrava que ninguém se dispunha a ir. Mostrava também a opinião de um comerciante, queixando-se do fato de que ao menos as crianças, deveriam ser obrigadas por lei, a aceitar os tratamentos propostos pelos assistentes sociais. Depois vemos o prefeito Kassab num evento comemorativo, dizendo que irá passar os imóveis para a iniciativa privada, para que eles revitalizem a região e que serão criadas equipes especializadas para atender essa população. Como disse, moro perto e muitas vezes já passei pelas ruas repletas de adultos e crianças em situação deplorável. Mas é o seguinte. De que adianta tratamento médico, albergue, revitalização, equipe especializada? Eu sei do que estou falando, estou aqui do lado. Não são vítimas nem menos gente. O crack é o tratamento que essas pessoas encontraram para amortecer suas histórias. Essas pessoas saem do tratamento médico e voltam imediatamente para o crack. O que elas vão fazer depois do tratamento? Elas não precisam de nada além de empregos, sonhos, perspectivas de vida, escola, pais, família, moradia, algum futuro, dignidade e alguém que realmente olhe por elas. Serão empurradas apenas para outro canto, um pouco mais longe dos olhos. E mesmo que os tratamentos funcionassem, nada podem diante da máquina que produz toda esta escuridão. Ela logo se reproduz, assim como o discurso político que mais mostra a firmeza e convicção do prefeito na TV, do que uma mínima noção do que fazer.

  3. Sempre genial!
    Qto a liberalização das drogas, hj parece mais uma questão de conservadorismo e tb de impraticidade caso seja feita apenas por alguns poucos países que virariam centro de consumo e via de tráfico. Eu sou a favor da liberar a venda, mas é impossível se feita apenas por alguns países.
    Abrax

  4. Certo, concordo com boa parte do que foi dito!..sou a favor da descriminalização da maioria das drogas.. concordo que pó e maconha nao vicia …acostuma ..e tinha que liberar logo!!!!!
    agora..é complicado dizer que outros fatores estimulam crises de abstinencia em relaçãoa heroina, metanfetamina a nao ser os fatores quimicos..
    eu achoooo que vc de veria fazer uma facu de medicina .. e estudar melhor essas preceitos em releção as interações quimicas do organismo humano….
    att

  5. Beto, Faculdade de Medicina está fora dos meus planos. Até porque a Medicina ainda não encontrou uma resposta definitiva para os assuntos aqui tratados.
    Aliás, eu não digo que outros fatores causam crises de abstinência. Só disse que nos experimentos de Alexander elas não eram tão severas quanto o esperado.
    Atenciosamente, Rodolfo.

  6. Prezado Rodolfo.
    Apreciei o vosso site porque traz boas informações sobre obras que também li e experimentos de minha área, a psicologia. Sou professor de psicologia e supervisor em psicoterapia estratégica, desde 1986, da UERJ e entendi que vc fala em descriminalizar porém há pessoas que não entendem este discurso e falam em liberar geral, curiosamente vi isto na sinopse de argumentos de um livro on-line: Carregando o elefante, de dois jovens administradores, que talvez vc conheça.
    Bem…
    Publiquei em janeiro de 2010 um artigo intitulado Sobre elefantes voadores e drogas, aonde alerto, como E. Kalina, sobre como esta campanha para liberar as drogas vem sendo orquestrada há muito tempo. Agora temos o FHC metido com THC. Creio que ele realmente acertou quando disse que como avô deveria ficar com os netos…realmente deveria. Não sei se ele gostaria de ver os netinhos fumando um baseado, mas político é político.
    Bem, muito cuidado com este assunto, a droga… O experimento narrado em vosso site mostra algo importante, e o problema é justamente este… Se vc liberar a droga p/ humanos vivendo no caos físico, social, emocional e familial teremos uma explosão como a que ocorreu na Holanda fazendo o governo recuar e se preocupar com o futuro (vide artigo em meu site). A complexidade existencial humana é bem maior do que a dos ratos, muitos jovens vivem drogados em ambientes cheio de atrativos como as “gaiolas amplas douradas” da Ratolândia, como vc chamou.
    Creio que especialistas têm alertado sobre este tema mas a mídia vem fazendo uma enorme confusão. Sou radicalmente contra liberar/legalizar a droga, assim como todos os especialistas sérios, como o Dr. Ronaldo Laranjeiras e o Dr. E. Kalina, e digo mais, as neurociências, com a contribuição de nosso, porque brasileiro, M. Nicolelis irá dizer muito e ajudar muito sobre isto. Não é assunto para políticos nem para leigos. E não se trata de elite, se trata de conhecimento e informação… Houve tempo em que as pessoas riam quando a ciência falava em assepsia…
    Colo abaixo trecho do meu artigo…(pedindo licença ao colega pelo longo texto)…
    Os cigarros e o ácool são legalizados, e daí?, isto evitou as mortes por cirrose, as pessoas não estão com câncer? Não se viciaram do mesmo jeito? E a grana recolhida dos impostos? Mesmo que tivesse sido usada para tratar destas pessoas, isto teria sido inteligente? Você fumou e agora tem um belo câncer, que bom que temos verba dos impostos para te tratar!
    “E você que fumou e cheirou a vontade após a legalização acontecer, poderemos agora estudar seu cérebro e tratar do que restou!”
    Só mesmo alguém desinformado (epistemologicamente) ou interessado (e há um cordel de políticos e até profissionais de saúde financiados pelo narco-tráfico) pode alegar que a solução para um crime ou patologia deve ser legalizar o processo…
    Doença não se legaliza, se trata.
    A cannabis e a cicuta, assim como cascavéis e cogumelos fazem parte da Natureza. Simplesmente aconteram graças à dinâmica algorítimica evolutiva. Não precisam ser legalizadas, o que quer se legalizar é um vício crônico, por puro interesse… Não há cabimento em se legalizar o Mycobacterium tuberculosis ou bacilo de Koch, assim como não tem cabimento em se legalizar a tuberculose.
    Qual é o sentido em se legalizar uma doença? Elas já são legalizadas, o que se proíbe é a disseminação e contaminação, se você for conscientemente transar com alguém que tem AIDS, isto é uma forma de liberdade ou de suicídio? E mais, se você transar sem usar camisinha (as luvas do médico!) estará se expondo… E se você não sabia e a pessoa que o contaminou sabia que era soro positivo, então isto é crime, e ela será penalizada por isto. Tráfico de doença!!! A drogadicção é uma doença.
    Portanto…
    Legalizar uma doença não é um argumento cientificamente válido, porque as doenças não passam por este crivo. Se alguém foi contaminado por radioatividade deve ser tratado… Mas não se pode permitir que as pessoas saiam por aí com material radioativo. Não se pode permitir que a sociedade seja ameaçada porque alguém quer ser “livre” para andar por aí espalhando o vírus da tuberculose. O conceito de liberdade está inexoravelmente ligado ao conceito de responsabilidade e controle… Somos livres na exata medida em que nos controlamos… Lição da filosofia oriental e ocidental… A meta do budismo e do humanismo.
    Abs
    Prof. Celso Lugão
    IP-SPA-UERJ

  7. Caro Prof. Celso Lugão
    Permita-me alguns comentários em relação aos seus dizeres, particularmente: “Só mesmo alguém desinformado (epistemologicamente) ou interessado (e há um cordel de políticos e até profissionais de saúde financiados pelo narco-tráfico) pode alegar que a solução para um crime ou patologia deve ser legalizar o processo… Doença não se legaliza, se trata.”
    1) Havendo financiamento do narcotráfico em certos sectores, esta influência será para afastar a legalização das drogas e manter, assim, a posição no mercado e os lucros. Parece-me evidente que o narcotráfico é, por interesses estratégicos óbvios, um dos grandes lobbies contra a legalização;
    2) Uso, abuso e dependência de drogas são conceitos bem distintos. Equipara-os todos a uma doença? Desconheço o seu posicionamento epistemológico, para mim é claro que configuram diferentes tipos de relação com a(s) substância(s). O uso de substâncias psicoativas é milenar e transversal a outras espécies além da humana. A utilização problemática é uma das possibilidades, por factores que transcendem as propriedades das drogas usadas, mas não é a única – os usos não problemáticos cabem também na categoria de doença? Bebe um copo de uma bebida alcoólica ao fim de semana – doente? Toma café depois de uma farta refeição – doente? Usa heroína uma vez por ano – doente? Usa cocaína nas férias – doente? Faz ingestão de drogas psicadélicas uma vez na vida – doente? …
    Há literatura científica que atesta estes meus pontos, que partilharei com gosto caso seja do v/interesse. Percebo a tentação da abordagem médica, higienista e pró-vida, porém os dados mostram que os efeitos da proibição matam mais do que as substâncias por si. A proibição mata. E, aqui num ponto ideológico, termino com a questão: E daí se a pessoa escolher se matar, usando drogas ou se infectando com VIH ou como queira? Está no exercício de um dos seus direitos, ou também é doente?
    Cumpts,
    Joana Pereira

  8. Rodolfo, parabéns e obrigada pelo texto.

    Eu estou no 5º período de Psicologia e junto com meu grupo de pesquisa estamos pensando em replicar esse experimento. Como percebi que você fala bem no texto sobre o experimento, gostaria de saber se você tem mais informações sobre a pesquisa. Na verdade estamos atrás da publicação original ou algo similar.

    No que puder ajudar ficarei muito agradecida!

    Mais uma vez, meus parabéns e sucesso!

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