Segunda divisão do campeonato de WAR do condomínio

Depois de flertar com a perpetuação do seu cargo, o ex-presidente hondurenho e candidato a ditadoreco Manuel Zelaya teve dura resposta das instituições do seu país (seu próprio partido político, o Congresso, o Judiciário e as Forças Armadas), ao ver rechaçada sua tentativa de golpe branco, ao mesmo tempo em que era destituído do cargo e expulso do país.

- Acho que está na hora de outro golpe...
– Acho que está na hora de outro golpe…

Patrocinado por algum escuso país sul-americano, o bigodudo destronado voltou para casa e procurou uma embaixada que não fosse reconhecida por sua firmeza em questões internacionais. Assim, entrou na representação brasileira pela porta da frente, infiltrando-se no Estado de onde havia sido expulso.

Sua rocambolesca manobra assemelha-se a um Jerry que vai atrás do Tom, joga-se na frente dele e fica rebolando para que este o persiga, para depois posar de coitadinho. Lula e seu ratinho albino que cuida do Itamaraty acolheram o único fugitivo que se auto-encarcera.

Se Zelaya queria reivindicar alguma coisa, que se exilasse na embaixada da Venezuela, cujo dono é simpático às suas idéias de mudar a Constituição para governar mais um pouquinho. Ou até numa embaixada brasileira mesmo – cujo presidente também flerta com a mesma ideia – em qualquer outro lugar do planeta. Mas não no único país do mundo que não lhe quer! (Na verdade, a lista deve ser bem maior, mas Honduras está no topo.)

Agora o governo hondurenho ameaça invadir a embaixada brasileira naquela terra, dando contorno dramático a um episódio menor, mas que agora pode tomar proporções bélicas. Um movimento desse tipo representaria uma violação da soberania do Brasil e requer, por conseguinte, resposta idêntica, ou seja, militar.

Pela frente, o Brasil teria um país inundado de armas, herdadas dos seus inúmeros conflitos do passado e com a maior taxa de criminalidade do mundo. O que talvez possa dar a urgência necessária para comprar os aviões franceses, pelo dobro do preço dos suecos.

Lula, como sempre, em boa companhia
Lula, como sempre, em boa companhia

Ainda que Zelaya esteja reivindicando algo que lhe é de direito – afinal, ainda é o presidente eleito de Honduras – a forma como negocia sua posição é absolutamente reprovável. Em sua quixotesca aventura, ainda envolve o governo brasileiro que, convenientemente ingênuo, cai nessa vigarice.

Numa tentativa de cumprir uma escusa agenda política no desconhecido (para eles) cenário internacional, Lula e seus asseclas escrevem mais um patético e esquecível capítulo na ridícula diplomacia característica desse governo.

O asilo político é dado a alguém que esteja sendo ameaçado por uma dada situação e queira sair dela. Mas Zelaya criou sua própria perseguição ao retornar a Honduras. Subverte a ordem do direito internacional ao promover, inclusive, manifestações e desordem públicas. O embaixador Marcos Azambuja caracteriza o asilo de Zelaya como uma farsa, onde ele usa a embaixada brasileira como uma plataforma para uma ação política – o que é vetado nesses casos.

O ex-vice-presidente da Costa Rica, Kevin Casas-Zamora, especialista em política latino-americana, disse ao Sem Fronteiras, da Globo News, que a chegada de Zelaya à embaixada brasileira não deve ter sido uma supresa para Celso Amorim, pois até mesmo o presidente Cólon, da Guatemala, estava a par da tramóia uma semana antes do ocorrido.

Ele sugere, então, que a manobra fazia parte do plano brasileiro de afirmar-se no cenário político latino-americano. Casas-Zamora entende, também, que Zelaya procurou abrigo na credibilidade internacional brasileira o trampolim para a seu plano napoleônico. Talvez ambos tenham superestimado a capacidade de nossos estrategistas.

Ao contrário dos seus modelos Chaves e Morales, Zelaya era um político de centro que, aos poucos, migrou para a esquerda. Mas inspirado pela dupla acima e seu aprendiz mais graúdo, dobrou o salário mínimo e tomou outras medidas populistas para angariar o apoio de uma gente miserável.

 

 

Ninguém sabe ao certo qual a atual condição política de Zelaya na embaixada: se é um convidado ou um asilado. Entendo que é um invasor ilegal, um posseiro sem-terra. Só isso explicaria a enorme simpatia que conseguiu angariar naquela missão em Tegucigalpa. Muito em breve, sairá de lá com uma Bolsa-Asilo e uma polpuda indenização de perseguido político, ambos pagos em Reais.

Outra flechada destinada a sair pela culatra, já que de forma alguma a ONU permitirá que um bando de aloprados desses faça parte do seu Conselho de Segurança. Numa organização desse naipe, a porta dos fundos é bem trancada e a chave não está a venda.

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ATUALIZAÇÃO DEPOIS DO COMENTÁRIO DA NINA (28/09/2009, 14:20h)

Nina, não discordamos nesse ponto, tanto que escrevi que Zelaya reivindica algo que lhe é de direito. Segundo o que prevê a Constituição de Honduras, ele deveria ter sido preso e julgado, por sua tentativa de rasurar cláusulas pétreas de sua Carta Magna.

A desastrosa manobra do agora governo provisório – chamada por alguns de golpe corretivo – sem dúvida foi truculenta e constrangedora, desencadeando uma crise inicialmente insignificante, mas que tomou vulto desproporcional com os desdobramentos seguintes.

Boa parte da imprensa mundial – a brasileira incluída – tomou partido do lado golpista pelo medo que manobra semelhante a de Zelaya seja tentada também no Brasil, onde algumas condições políticas e sociais se assemelham àquelas hondurenhas.

O fato é que ambas as partes estão erradas ao embarcar numa negociação que já nasce fadada ao fracasso. Duas questões, no entanto, permanecem sem resposta:

1. Quem teria ajudado Zelaya a retornar ao seu país?
2. Por que o governo brasileiro abrigou Zelaya em sua embaixada? Qual o interesse por trás disso?

A volta de Zelaya ao país é uma distração que impede os lados de pensarem no problema central. Um complicador desnecessário numa situação já suficientemente tensa. Será que as medidas extremas do governo provisório (censura da imprensa, expulsão dos representantes da OEA, estado de sítio) estariam sendo tomadas se Zelaya não tivesse retornado ao país?

O ultimato dado pelo governo provisório ao presidente deposto – e, indiretamente ao próprio Brasil – configura um desafio ao Direito Internacional que, diga-se, também é grosseiramente afrontado com as canhestras condições do asilo de Zelaya. Ameaças bélicas entram, agora, numa briga de quintal onde dois carecas brigam por um pente.

Veremos, então, de onde surgirá a influência mediadora que selará a paz entre duas forças que explicitamente violam as convenções internacionais, pondo fim ao conflito que ora toma contornos dramáticos. Será que o Brasil conseguirá reverter o papelão que tem feito até agora? Os próximos dias prometem emoções…

8 pensamentos em “Segunda divisão do campeonato de WAR do condomínio”

  1. Dia Rodolfo,
    Não tinha ainda feito as ligações que culminam com a compra dos caças, mas concordo 100%. O pior é que uma das coisas na qual nosso molusco sempre meteu o pau foi a mania bélica dos EUA, que ‘inventam’ guerras para seus interesses. Será que nosso pior-presidente-de-direita-de-todos-os-tempos tá indo nesse caminho? Se estiver, qual será a justificativa (pois ele sempre tem justificativa para fazer o que no seu passado de esquerda clamava ser errado).
    Abraços
    ps> Animal o título!!!!!! Parabéns!
    Serpa

  2. Rodolfo,
    Seu texto é ótimo como sempre. Concordo o comentário acima, o título é sensacional.
    No que tange à questão, no entanto, discordamos dessa vez. A destituição de um presidente eleito pela maioria sob a mira de armas, sem direito a um processo democrático, é um fato que deveria ser condenado sem maiores discussões. Sou sempre contra golpes de Estado. Os ataques à Embaixada do Brasil são fato muito grave. O último ato de Micheletti foi suspender a liberdade de imprensa.
    Nada sei sobre a política de Honduras, mas está em meus princípios defender sempre a democracia, a liberdade e os direitos individuais.
    Apesar da discórdia, beijo pra vc!

  3. Pois é, e um dos princípios internacionais dispoto na Constituição Federal é “Não-intervenção”. Bem, acho que o Sr. Lula está ferindo nossa CF.

  4. Se eu fosse de lá…
    eu apoiaria o “golpe” militar … antes do golpe de Zelaya…
    foi um mal menor.
    pior é tirar depois o ditador .. tipo Chavez ou os Fidéis da vida…

  5. Rodolfo,
    Texto bom é o que provoca polêmicas. São poucos os que hoje têm algum discernimento para entender o que realmente está acontecendo em Honduras. Falar em golpe, em governo golpista, é fazer coro com o trio cucaracha (Chavez, Evo e Lula, e de quebra, o Amorim) que quer se fazer de importante para o resto do mundo às custas de um país pobre e inexpressivo. O que este celerado do Zelaya queria era fazer um referendo para se perpetuar no poder, seguindo os passos do beiçola de Caracas. Não tinha nem o apoio total de sua base e sua pretensão foi declarada ilegal pelo Congresso e pela Justiça. Além da afronta à Constituição do seu país, que não prevê a reeleição, desafiou o Exército a cumprir suas ordens. Daí a ser destituído (porque lá o impeachement não está previsto), dentro da mais perfeita ordem democrática, é um passo. O excesso, sim, foi tê-lo mandado embora do país, sem julgamento. O que aconteceu depois foi uma orquestração barata dos “líderes das republiquetas de banana” apoiados por uma imprensa burra e comprometida.
    Só mais um alerta: desconfiem sempre do que o Celso Amorim apoia: boa coisa não pode ser.

  6. Rodolfo,
    me sinto honrada por meu comentário merecer uma atualização. Aliás, você faz uma análise profunda da situação. Como sempre, você vai além da superfície.
    Silvia,
    Você diz que “O excesso, sim, foi tê-lo mandado embora do país, sem julgamento”. Pois é esse excesso que caracteriza o golpe. O governo de MIcheletti não tem qualquer legitimidade.
    Deixo quem entende mais do assunto falar por mim:
    http://noticias.uol.com.br/ultnot/internacional/2009/09/28/ult1859u1540.jhtm
    De qualquer forma, debater é sempre bom! Agradeço a oportunidade.

  7. O que aconteceria se isso acontecesse no Brasil?
    O Presidente poderia ser Impedido?
    Chamariam de Golpe Branco?
    Desrespeitar a Constituição e querer permanecer no poder parece grave.
    um abraço!

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