A farsa de Copenhague I – A Igreja Universal da Proteção Ambiental

Os mais influentes jornais do mundo estampam nas suas primeiras páginas, em alarmantes letras garrafais: “Cientistas acreditam que a humanidade esteja à beira de um novo padrão climático, para o qual não estamos preparados”.

Um artigo da Newsweek cita um relatório da Academia Nacional de Ciências, alertando que tais mudanças forçarão a sociedade a ajustes econômicos e sociais em níveis globais. Pessimistas, eles não acreditam que os líderes mundiais tomarão as medidas necessárias para impedir um desfecho tão caótico quanto previsível.

Tal relato soa absolutamente real e atual, certo? Meio certo.

Ele é real. Mas não é atual. Retirado do capítulo 5 do SuperFreakonomics, essa introdução revela a preocupação que assolou a comunidade científica – e uma parte bem pequena da sociedade – em meados da década de 1970.

Afinal, está frio ou está quente?
Afinal, está frio ou está quente?

Mas então, dirá a leitora, a preocupação com as mudanças climáticas há muito nos aflige! Isso quer dizer que elas estão corretas!

Sim e não. Realmente faz tempo que tememos essas variações climáticas. Mas os episódios descritos acima referem-se ao pânico causado porque a Terra estava… esfriando!

Pois é… Entre 1945 e 1968 a temperatura caiu 0,28o Celcius no hemisfério Norte, levando os meteorologistas a prever a chegada de uma nova Era Glacial.

O eventual encurtamento dos períodos de plantio alimentou (atenção para o anti-trocadilho) temores de fome (a-há!) entre a população. Alguns cientistas propunham medidas drásticas inclusive para derreter parte das calotas polares e evitar que o frio ganhasse.

 De semelhante com o que ocorre nos dias atuais, o alarmismo generalizado é destaque, ao lado de umas poucas pessoas tirando proveito do consequente pânico. Tudo isso possível, claro, exclusivamente em função do total desconhecimento da população sobre o tema.

De diferente, quase nada. Além do singelo fato de agora a Terra não estar mais esfriando e sim esquentando. Talvez daqui a trinta anos nossos filhos fiquem extremamente alarmados porque a temperatura da Terra está baixando novamente. Ou porque deixou de variar. E Al Gore Jr. ganhe outro Nobel.

6a00e554b11a2e883301347ffbf826970c-200wiO fato é que a defesa do meio ambiente e seus derivados transformou-se numa seita, uma crença quase religiosa. Como destaca Brian Johnson (em SuperFreakonomics) “[a]ssim como as melhores religiões, o temor pelas alterações climáticas satisfaz a nossa necessidade por culpa e vergonha, além da eterna sensação de que o progresso tecnológico deve ser punido por Deus.

O medo das mudanças climáticas funciona como uma religião em sua definição mais básica, pois está envolta em mistérios e você nunca saberá se seus atos de arrependimento e expiação foram, de alguma forma, bem-sucedidos”1.

Do mesmo modo que não sou contra Deus – mas não suporto fanatismo religioso – também não sou contra a preservação ambiental – mas detesto igualmente os radicais defensores da natureza. Pretendo expôr, nessa série de textos, os motivos pelos quais acho que se faz muito barulho por nada.

Em primeiro lugar, boa parte do que se diz sobre aquecimento global está errado, mas não acho que a culpa seja do público geral. O pouco que se sabe sobre o tema das alterações climáticas ainda está cercado de incertezas.

Os atuais modelos de previsão meteorológica carecem de robustez e precisão, ou como Levitt e Dubner descrevem, “[a] imprecisão inerente à ciência climática significa que não sabemos com certeza se nosso caminho atual nos levará a aumentos de temperatura de dois ou de dez graus Celsius. Nem sabemos, ao certo, se um aumento drástico resultará num leve inconveniente ou no fim da civilização tal qual a conhecemos”.2

O bispo Al Gore
O bispo Al Gore

A ciência da Veja, os conceitos do Fantástico ou o conjunto de conhecimentos transmitidos pela mídia leiga em geral não se aprofundam ou detalham o tema o suficiente para que o público possa tirar suas próprias conclusões.

E a incerteza é sempre mais assustadora do que o risco concreto (mesmo quando este é alto). Ocorre, assim, que “(…) a maioria das pessoas responde à incerteza com mais emoção – medo, culpa, paralisia – do que seria aconselhável. A incerteza tem um perverso mecanismo que nos leva a considerar as piores possibilidades.”3

E, como bem sabemos, medo, pânico e escândalo são, lamentavelmente, três ingredientes fundamentais dos meios de comunicação de massa.

No próximo texto, explorarei um pouco mais as falácias em torno do aquecimento global e por que os ambientalistas podem piorar a situação. Até lá!

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1. Like all the best religions, fear of climate changes satisfies our need for guilty, and self-disgust, and the eternal human sense that technological progress must be punished by the gods. And the fear of climate change is like a religion in this vital sense, that it is veiled in mystery, and you can never tell whether your acts of propitiation or atonement have been in any way successful.

2. The imprecision inherent in climate science means we don’t know with any certainty wheter our current path will lead temperatures to rise two degrees or ten degrees. Nor do we really know if even a steep rise means an inconvenience or the end of civilization as we know it.

3. (…) most people respond to uncertainty with more emotion – fear, blame, paralysis – than might be advisable. Uncertainty also has a nasty way of making us conjure up the very worst possibilities.

12 pensamentos em “A farsa de Copenhague I – A Igreja Universal da Proteção Ambiental”

  1. Pois é Rodolfo.
    Tudo isso nos remete ao seu artigo “O Sistema Define o Vencedor” e ao meu artigo “A gestão de Segurança com Diagnóstico Científico”; capítulo 2 do livro Gestão de Condutas na Segurança Eletrônica, editora ciência Moderna. Nele, apresento aluguns casos de marketing FUD. Além de uma sigla em ingles, FUD é uma técnica utilizada por empresas; que estimulam e exploram medos (Fears), incertezas (Uncertainties) e dúvidas (Doubts) para dominar mercados.
    O fato é que com o planeta quente ou frio, de acordo com o sistema alguns saem ganhando e outros perdendo (dinheiro).
    Como o sistema é que define o vencedor, o sistema capitalista neoliberal explora irresponsavelmente os recursos, humanos e naturais. E, o que decorre dessa exploração é o aumento das tensões sociais e da violência. Dizem que a natureza reage diferente: ela não se defende, apenas se vinga.
    Será que dizem isto só para recolher oferendas, como nas igrejas?

  2. Rodolfo,
    Justamente quando a grande parcela das industias migram do eixo EUA-UE para os Brics (Brasil, Rússia, India e China)o planeta responde com uma ameaça global devastadora.
    Filmes como “O dia depois de amanhã” mostra o futuro do nosso planeta e uma boa parcela da população acredita nisto.
    O problema é que previsões sempre possuem margens de erro e quando os dados apontam o resfriamento alguns cientistas são capazes até mesmo de manipular os dados como no escandalo Climagate http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a2742208.xml
    Indico o vídeo A Farsa o Aqueciemento Global


    Concluindo vejo a preocupação com o aquecimento global como um problema geopolítico. A humanidade sobreviverá.

  3. O que é melhor daqui alguns anos: respirar oxigênio ou dióxido de carbono? Que todo mundo fique em pânico pra gerar uma mudança. Viva aos radicais.

  4. Fábio, esse fatalismo (respiraremos oxigênio ou dióxido de carbônico) é um típico estratagema de Schopenhauer* bem utilizado pelos ecologistas: colocar as opções de forma mutuamente excludente para que sejamos forçados a escolher a solução mais óbvia.
    Você realmente acredita que só existem essas alternativas – respirar oxigênio ou dióxido de carbônico? Acha mesmo que em breve a atmosfera será saturada de CO2? E, finalmente, crê nessa balela de que o CO2 é o principal responsável pelo (suposto) aquecimento global?
    Seguindo o filósofo alemão, coloco outra afirmação para que você veja como o ecologista é ardiloso: OK, então vamos escolher respirar o oxigênio; mas teremos que comer oxigênio também.
    * Extensão indevida simples: Consiste em exagerar a proposição do adversário além de seus limites naturais e inversamente concentrar a própria afirmação num sentido apropriadamente limitado. Obtém-se, assim, a ampliação de possibilidades de ataque da tese do oponente e de defesa da própria. (http://direitoeprocesso.blogspot.com/2008/04/arte-de-ter-razo-de-arthur-schopenhauer.html)
    Atenciosamente, Rodolfo.

  5. ASSIM COMO OCORREU O FORTE AQUECIMENTO GLOBAL ENTRE 1925 E 1946, É O SOL QUE PROVOCA O AQUCIMENTO EM MARTE, PLUTÃO E AQUI TAMBÉM!
    De Olho no Céu
    AQUECIMENTO GLOBAL LÁ LONGE
    Como a Terra, a maior lua de Netuno também está esquentando. Só que as causas são um pouco diferentes.
    Por Thereza Venturoli
    Problemas com o excesso de calor na atmosfera não é privilégio do nosso planeta. Até os mundos nos confins do Sistema Solar estão sujeitos a esse tipo de instabilidade climática. Como Tritão, o maior satélite de Netuno. Mesmo a uma distância do Sol trinta vezes maior que a da Terra, o corpo gelado, de tamanho semelhante ao da Lua, está 2 graus Celsius mais quente do que estava em 1989, quando a sonda Voyager 2 passou por lá. Essa onda de calor não dá para bronzear ninguém. A temperatura subiu de 236 graus Celsius negativos para 234 graus, também negativos. Dois graus a mais num frio desses pode até parecer pouco. Mas, segundo os especialistas, representa uma elevação de 5% em apenas nove anos — o que, na Terra, teria efeitos catastróficos. O súbito calor tritoniano foi percebido pelo telescópio espacial Hubble, que detectou um aumento na densidade da atmosfera do satélite. Só que o que está deixando a atmosfera mais espessa lá não são gases industriais ou qualquer atividade de ETs. É o Sol.
    AQUECIMENTO DE MARTE
    http://www.agencia.fapesp.br/materia/6963/divulgacao-cientifica/aquecimento-global-em-marte.htm
    O estudo, feito por cientistas norte-americanos, estima que Marte aqueceu por volta de 0,65ºC entre 1976, quando as sondas Viking 1 e 2 pousaram em solo marciano, e o fim da década de 1990, quando a sonda Mars Global Surveyor orbitou e mapeou parte do planeta. Esse aquecimento pode ter sido o motivo que levou à recente diminuição da camada de gelo no pólo sul marciano.
    Reduzir CO2 não impede aquecimento, diz meteorologista.
    A quantidade de carbono lançada pelo homem é ínfima, é irrisória, se comparada com os fluxos naturais dos oceanos, solo e vegetação. Para a atmosfera, saem 200 bilhões de toneladas de carbono por ano. O homem só lança seis.
    O pós-doutor em meteorologia e membro do Instituto de Estudos Avançados de Berlim garante, baseado em estudos de paleoclimatologia (estudo das variações climáticas ao longo da história da Terra), que as mudanças do clima são muito complexas para serem influenciáveis pelo ser humano.
    Ocorreu forte aquecimento entre 1925 e 1946, e nessa época, o homem lançava na atmosfera menos de 10% do carbono do que lança hoje. Então, aquele aquecimento, que é ainda maior do que esse atual, na realidade foi explicado por fenômenos naturais. O sol esteve mais ‘ativo’ nessa primeira metade do século XX. Além disso, foi um período que praticamente não ocorreram erupções vulcânicas. Assim, a atmosfera ficou mais limpa e entrou mais radiação solar, causando o aquecimento.

  6. Reduzir CO2 não impede aquecimento, diz meteorologista
    http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4145833-EI6580,00-Reduzir+CO+nao+impede+aquecimento+diz+meteorologista.html
    Mas há uma sensação de que existem muitas mudanças climáticas ocorrendo no mundo…
    Não. O que acontece é que hoje, a população está mais vulnerável aos fenômenos meteorológicos. Na realidade, os fenômenos intensos sempre ocorreram no passado. Por exemplo, a maior seca do nordeste foi em 1877 até 1879. O furacão americano mais mortífero foi no Texas em 1900. Então, temos esses eventos intensos que ocorreram numa época em que o homem não lançava a quantidade que lança hoje. Aliás, a quantidade de carbono lançada pelo homem é ínfima, é irrisória, se comparada com os fluxos naturais dos oceanos, solo e vegetação. Para atmosfera, saem 200 bilhões de toneladas de carbono por ano. O homem só lança seis.
    Qual a incerteza que nós temos nesses ciclos naturais? É de 40 bilhões de toneladas para cima e para baixo. Ou seja, existe uma incerteza de 80 bilhões que é oito vezes maior que o que o homem lança na atmosfera. Não tem como se controlar o carbono. E se controlar, se reduzir as emissões, não haverá impacto nenhum no clima. O clima hoje deixou de ser um problema científico, ele é um problema político-econômico.

  7. A maior poluição, é os recurços nas mãos erradas. È, o corruptor dando as ordens, o corrupto obedecendo, e a violência do desprezo da farra da impunidade, repartindo a pilhagem e os holofotes. Veja no blog MATAALHEIAMAMATANOSSA.BLOGSPOT.COM como estrangeiros compraram barato as terras de mananciais de água,e de florestas nativas no Paraná, graças a decretos-lei “democráticos”, dos eco patriótas. Agora exigem dinheiro público para a “manutenção, e projetos sustentados”. Tudo que foi negado aos brasileiros que ali moravam, hoje refugiados da eco inquizição.

  8. A farsa de Copenhague II – Por que o ambientalista é pior do que eu?

    Afirmei, no texto anterior, que boa parte do que se diz sobre o aquecimento global está errado. Já fui muito contestado por meus amigos por causa disso, mas nenhum deles – absolutamente nenhum – apresentou fatos que mostrassem que estou…

  9. Meus favoritos meus

    Bom, não vou te enganar. Este é mais um daqueles textos de encher linguiça, requentando o que já está escrito, enquanto o ano não começa de verdade. Até porque, escolher seus – aliás, meus – melhores textos é uma tarefa…

  10. A desinformação e a histeria coletiva

    Escrevi recentemente uma série de textos sobre a forma apaixonada como tratamos determinados assuntos, mesmo quando não estamos suficientemente preparados para fazê-lo. Discutimos com amigos e desconhecidos e tomamos decisões importantes em nossa vida …

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