A farsa de Copenhague II – Por que o ambientalista é pior do que eu?

Afirmei, no texto anterior, que boa parte do que se diz sobre o aquecimento global está errado. Já fui muito contestado por meus amigos por causa disso, mas nenhum deles – absolutamente nenhum – apresentou fatos que mostrassem que estou errado. Ninguém conseguiu, até agora, apresentar-me evidências mais sólidas de que o tão anunciado apocalipse previsto por Al Gore e seus seguidores representa, de fato, nosso inescapável destino caso o atual padrão de vida – e, especialmente, de consumo – seja mantido.

A vistosa Amazônia do século XXII?
A vistosa Amazônia do século XXII?

Alguém se lembra quando o Nordeste era um oceano ou no Saara abundavam densas florestas, com ricas fauna e flora? Claro que não, porque isso ocorreu há milhares, talvez milhões de anos. Quem teria sido, então, o malvado responsável por gigantesca calamidade?

Ninguém. Ou melhor, teria sido isso uma calamidade? Certamente que não. Então não houve culpado porque isso não foi uma calamidade. Foi, antes de mais nada, um conjunto de mudanças perfeitamente naturais causado por ciclos climáticos.

Até meados do ano passado, todos nós acreditávamos que os modelos financeiros de previsão de riscos eram infalíveis (exceto, talvez, Nicholas Nassim Taleb). Infelizmente os acontecimentos seguintes mostraram-nos, de modo bastante dramático, o quão enganados estávamos.

Apostar demais num modelo que não temos como verificar a sua precisão pode revelar-se tão arriscado quanto não apostar em nada – especialmente quando há um alto preço a se pagar antecipadamente. Obviamente que este argumento também serve para os ambientalistas mas, deixo claro, minha intenção aqui é mostrar os dois lados.

No recente post Uma mentira conveniente apresento uma série de evidências científicas (com as devidas fontes) revelando que, atualmente, pouco se sabe sobre as reais causas das variações climáticas. Minha intenção neste texto é oferecer mais algumas chances, mostrando que as mais divulgadas falácias sobre o aquecimento global são tão furadas quanto levianas. Senão vejamos1:

.: As atividades humanas respondem por apenas 2% de todas as emissões de CO2. Isso significa dizer que, mesmo que voltássemos aos tempos das cavernas e deixássemos de emitir um grama sequer de dióxido de carbono, isso não faria a menor diferença para o ambiente.

Sauna para mim, para você e para o mundo todo!
Sauna para mim, para você e para o mundo todo!

.: O CO2 não é o gás que mais influi no efeito estufa. Este posto cabe ao vapor d’água. Alguém já viu uma campanha para banir as saunas da face da Terra ou a ONU considerar invadir a Finlândia (que tem mais de uma sauna por habitante)? Já disseram que o cafezinho é o maior vilão do aquecimento global? Você sente culpa toda vez que toma um banho quente?2

.: As nuvens têm papel importantíssimo na regulagem da temperatura da Terra (leia-se, resfriamento), mas os modelos climáticos não conseguem medir tal impacto. Grosso modo, as nuvens são formadas a partir de três elementos básicos: ar ascendente, vapor d’água e partículas sólidas, que servem como núcleos formadores.

Os gases emitidos pelas turbinas dos aviões fazem muito bem o papel dessas partículas. Pois bem, logo após os atentados de 11 de setembro de 2001, as agências de segurança dos EUA determinaram que nenhum avião civil deveria decolar. O resultado disso foi uma queda abrupta na quantidade de nuvens nos céus americanos, o que levou a um aumento de 1,1 oC na temperatura da região. Isto significa que mesmo a poluição pode ter um efeito benéfico no clima, ainda que colateral.

.: Mais CO2 na atmosfera provavelmente faz bem para a biosfera. As plantas precisam de muita água para absorver o dióxido de carbono misturado ao ar – especialmente nos seus períodos de maior crescimento. Um estudo de Ken Caldeira (que curiosamente dividiu um Prêmio Nobel com Al Gore) mostrou que, mantendo todos os outros fatores inalterados (como água, nutrientes etc.), quando dobramos a quantidade de CO2 as plantas crescem 70% mais. Não por acaso, a maioria das estufas hidropônicas tem elevados níveis de dióxido de carbono, mantidos artificialmente.

Nosso horroroso e improvável sistema de ar condicionado
Nosso horroroso e improvável sistema de ar condicionado

.: As partículas de poluição suspensas na atmosfera provavelmente tiveram o efeito de resfriar a Terra ao bloquear mais raios solares – sendo em parte responsáveis pelas quedas de temperaturas registradas até a década de 1970, como mencionadas no post anteior. Esta tendência começou a se reverter quando passamos a diminuir a poluição. A maior parte do aquecimento observado nas últimas décadas pode ser resultante, portanto, da melhor conservação ambiental.

.: A variação dos níveis de oceano (para cima) dá-se pelo aquecimento da água e não pelo derretimento dos polos. O nível dos oceanos cresce há 20.000 anos e subiu, desde o fim da última Era Glacial, 129,5 metros, dos quais 20 centímetros no último século. Em vez dos 9,1 metros previstos para o próximo século, os mais respeitados estudos da área apontam apenas 45 centímetros no mesmo período – o que equivale ao dobro da variação da maré na maioria das regiões costeiras do mundo.

.: Em 15 de junho 1991, nas Filipinas, o vulcão Pinatubo registrou a mais potente erupção dos últimos cem anos, cuspiu furiosamente lava e fumaça por nove horas consecutivas, ao mesmo tempo em que a região era varrida por um tufão. Duas horas após a primeira erupção, uma coluna de gases de 35 quilômetros de altura lançou vinte milhões de toneladas de dióxido de enxofre na atmosfera.

O resultado disso foi uma camada sulfurosa ao redor da Terra que funcionou como um gigantesco filtro solar, reduzindo a temperatura global em 0,5 oC – ou o equivalente a um século de efeito estufa. O outro efeito colateral desse imprevisível evento natural foi o vigoroso crescimento das florestas em todo o mundo, em virtude da amena irradiação solar dos anos seguintes.

Toyota Prius: licença para poluir?
Toyota Prius: licença para poluir?

Os arautos da desgraça escrevem seus utópicos manifestos em seus chiquíssimos MacBooks, mas não ligam para o fato de que 3.000 trabalhadores morrem todos os anos nas minas de carvão da China, gerando energia para que seus preciosos notebooks sejam produzidos. Ou simplesmente não sabem disso, porque não os interessa saber.

Pais preocupados com o futuro de seus filhos recém-nascidos censuram-nos por consumirmos o mundo em que seus pimpolhos viverão – mas não abrem mão do conforto que representam as fraldas descartáveis.

Afinal, dirigir um Prius e ficar com a consciência tranquila é muito mais glamoroso do que tirar cocô de uma fralda de pano. Um estudo recente mostrou, aliás, que 1/3 dos donos do carro elétrico da Toyota têm também uma picape. Aparentemente, tomar uma atitude não poluente dá às pessoas imunidade ecológica para praticar outras atrocidades ambientais sem se indispor com seu alter-ego algoreano.

Assim, além de divulgar mentiras convenientes – seja por inocente ignorância ou planejada sordidez – o pseudo-ambientalista ainda pretende criar em nós um sentimento de vergonha e tirania, encaixando-nos no papel de algoz da natureza que ele tanto nega. Verdadeiras metralhadoras de pedras, armadas em suas fragilíssimas casinhas de vidro.

Daí o título deste post

No próximo texto discutirei quais os interesses por trás da lorota do século e quem pagará a conta dessa gigantesca mentira. Até lá!

__________

1. A maioria das afirmações desse texto foram retiradas do SuperFreakonomics, capítulo 5.

2. Essas três perguntas são, por assim dizer, licença poética. Nunca li isso em lugar algum mas, confesse vai, você levou super a sério, não?

9 pensamentos em “A farsa de Copenhague II – Por que o ambientalista é pior do que eu?”

  1. Rico, obrigado por seu comentário, mas ficaram faltando os dados, os argumentos.
    Aqui em São Paulo ocorreram, de fato, enchentes terríveis. Mas este tipo de calamidade acontece desde antes de o jornalismo registrá-las.
    Parte da Zona Leste ainda está debaixo d’água, é verdade, mas isso tem pouco a ver com efeito estufa ou algo semelhante. Já se sabe que boa parte disso foi causado por lixo que as pessoas jogam nas ruas e nos rios. É muito mais uma questão de educação – no seu sentido mais básico – do que de alterações climáticas provocadas pelo homem.
    Abraço, Rodolfo.

  2. Há sempre quem defenda o capitalismo. Da mesma forma haverá quem defenda o neoliberalismo (a maximização do capitalismo), atribuindo as causas da miséria e da violência aos próprios seres humanos, e do aquecimento global à própria natureza.
    Será que a tendência à pobreza, violência, prosperidade e riqueza são só características humanas? Seriam causas genéticas naturais? Será que só isso explica a prosperidade de uns e a miséria de outros? Será que o planeta aquece e esfria sozinho? Será que o sistema econômico não interfere em nada? Será que não há nada que possamos fazer para impedir a violência e o aquecimento global?
    O capitalismo não é economicamente correto e nem vai ser ecologicamente correto. Sempre explorou irresponsavelmente os recursos humanos e naturais, criando um ambiente precário para os seres humanos.
    Com ou sem comprovação do aquecimento global, temos que atacar o neoliberalismo. Está na cara que esse sistema gera desequilíbrio sociológico e ambiental.

  3. É Rodolfo,
    Eu também sempre achei lorota essa do aquecimento global ser nossa culpa!
    Há também os ciclos solares, e no momento passamos por um ciclo de aquecimento … (não que eu ache certo as coisas erradas que fazemos, só acho, como você, que não são elas a gerarem os problemas).
    E que me mostre o Andre (do primeiro comentário) um modelo econômico, social etc em que não haja exploração do mais fraco. Me mostre um animal vertebrado que não viva em um meio que explore alguém (algum animal)(mesmo um cardume de peixes explora os mais azarados para o bem da estatística).

  4. Rodolfo,
    Concordo com você que há falta de informação e, pior, talvez informações manipuladas. Na dúvida, porém, é preciso fazer algo, pois as consequências podem ser desastrosas caso haja alguma coisa de verdade nisso tudo.
    Mas a questão ambiental vai além simplesmente do aquecimento global. A população da Terra cresce, teremos 9 bilhões de pessoas daqui a algumas décadas e o padrão de consumo sobe significativamente nos países emergentes. Mais do que aquecimento global, o problema da água vai ser crítico e virá muito antes do suposto aumento de temperatura (aliás, a Terra anda esfriando nos últimos anos). Outro problema vai ser o risco da falta de nutrientes, especialmente fósforo, essencial para os fertilizantes.
    A questão de fundo e que realmente importa é se conseguiremos ter 9 bilhões de pessoas com níveis de consumo se aproximando do nível do cerca de 1 bilhão que vive nos países desenvolvidos. Um bom livro sobre a questão é Colapso, do biólogo Jared Diamond, que ganhou o Pulizter com Armas, Germes e Aço.
    Abraço,
    Marcelo

  5. O Alexandre C. Serpa impôs a mim a responsabilidade da humanidade inteira, só porque critiquei o sistema ecomômico em que vivemos. Vejam só o que acontece com quem se opõe ao sistema: agora eu tenho que, sozinho, dar a solução e mostrar ao nobre colega um sistema econômico e social em que não haja exploração do mais fraco pelo mais forte. Ora, não somos todos seres racionais? Não somos nós os animais que dominam a terra? Será que não podemos (nós, a humanidade) evitar uma catástrofe social e ambiental? Não, acho que não. Enquanto os que detiverem dinheiro e poder estiverem vivendo bem em suas ilhas de tranquilidade, nada vai mudar. Quanto àquela história de mais forte engole o mais fraco, é só esperar a violência chegar mais perto. É que os seres humanos são capazes reverter essa coisa de “mais fraco”. Um desnutrido, desaculturado e sem educação, armado se torna o mais forte em segundos. Ao ficarmos do outro lado da arma entendemos melhor a violência que vemos pela TV. Do mesmo modo, a humanidade terá que sofrer os efeitos devastadores da natureza aviltada. Se sobreviver vai aprender a ter mais respeito com o meio ambiente.

  6. rico.
    O IMPÉRIO MAIA TEVE SEU OCASO EM UMA CATASTRÓFICA MUDANÇA CLIMÁTICA.
    Quem foi o culpado? O metano emitido pelos resíduos dos carros da época, a tração animal(da bosta do cavalo e dos bois)?
    O Lago Titicaca desceu dramáticos 50 metros em seu nível.
    E o dilúvio relatado em culturas tão distantes como os indios Hopis norteamericanos, judeus, maias e muitos outros, foi provocado, por acaso, por excesso de CO2 na atmosfera? Trate de construir uma arca!
    o Império Minóico, na ilha de Minos, foi destruido por uma gigantesca explosão piroclástica que assou a quase todos. Os remanescentes, revoltados com o “ódio dos deuses contra seus reis” trucidou-os e a seus sacerdotes num repente de fúria. O que provocou este cataclisma? Por acaso foi o CO2?
    Reduzir CO2 não impede aquecimento, diz meteorologista
    http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4145833-EI6580,00-Reduzir+CO+nao+impede+aquecimento+diz+meteorologista.htmlPara o professor Luiz Carlos Molion, representante da América Latina na Organização Meteorológica Mundial e pós-doutor em meteorologia, as reduções de emissões de carbono propostas pela 15ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-15), não vão produzir efeito no clima mundial, “o gás carbônico não controla o clima global”, garante.
    …”- A quantidade de carbono lançada pelo homem é ínfima, é irrisória, se comparada com os fluxos naturais dos oceanos, solo e vegetação. Para a atmosfera, saem 200 bilhões de toneladas de carbono por ano. O homem só lança seis”….
    E o terremoto seguido de tsunami em Lisboa em 1755, matando milhares de pessoas foi , por acaso, fruto de poluição por CO2?
    Foi a indústria? Foi o navio a vela? Foi a lenha dos fogões?
    E a Groenlândia em que se encontraram arados utilizados há milhares de anos, sob o gelo?
    E a sibéria, em que se encontraram mamutes mortos congelados com grama em seus rumens? Foi por acaso o CO2, ou foi uma conjugação de fenômenos cíclicos naturais em que não temos nenhum controle?

  7. E AOS ALARMISTAS DE PLANTÃO QUE FALAM EM SE SECAR OS RIOS SE EU NÃO ECOMIZAR SUAS AGUAS…. POR ACASP, SE EU NÃO GASTÁ-LA, ELAS NÃO FLUIRÃO, FATALMENTE, AO MAR COMO JÁ FAZEM HÁ MILLÕES DE ANOS?
    EM TEMPO. A IN´´USTRIA, PELA PRESSÃO DE AMBIENTALISTAS, IBAMA ETC. JÁ FEZ SUA LIÇÃO.
    HOJE, O MAIOR POLUIDOR DAS ÁGUAS É A MULHER INCONSCIENTE QUE DESPEJA DETERGENTE E DESINFETANTES SEM MEDIDA EM SUAS MÁQUINAS DE LAVAR E EM SEUS SANITÁRIOS.
    VJ AS ONDAS DE ESPUMA NOS RIOS.
    OS CATADORES DE RECICLÁVEIS JÁ FAZEM SUA PARTE RECOLHENDO LATAS, PLÁSTICOS E GARRAFAS VAZIAS.
    EDUQUE-SE AMULHER E LIMPAREMOS OS RIOS.

  8. A farsa de Copenhague I – A Igreja Universal da Proteção Ambiental

    Os mais influentes jornais do mundo estampam nas suas primeiras páginas, em alarmantes letras garrafais: “Cientistas acreditam que a humanidade esteja à beira de um novo padrão climático, para o qual não estamos preparados”. Um artigo da Newsweek cita …

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