Meus favoritos meus

Bom, não vou te enganar. Este é mais um daqueles textos de encher linguiça, requentando o que já está escrito, enquanto o ano não começa de verdade. Até porque, escolher seus – aliás, meus – melhores textos é uma tarefa ingrata, porque a menos que escolha todos, alguns não farão parte da seleção. Escolher os melhores significa, então, escolher os não-melhores ou, em português claro, os piores.

Hummmmm… quem sabe então eu poderia escolher meus piores textos? Aí automaticamente vocês saberiam que os que ficaram de fora são os melhores…? E escolhendo 10 textos ruins, os outros 108 são bons… Vou pensar nesse truque para um próximo post.

Enquanto isso, vou usar critérios altamente científicos para separar o trigo do farelo de trigo: são os textos mais acessados, com umas ligeiras roubadinhas da minha parte, para colocar os que não foram tão acessados quanto eu gostaria (aliás, leitora, essa é uma chance de você se redimir).

Então, sem mais delongas, segue minha particular seleção dos meus textos favoritos do ano:

Retrospectiva atrasada…
Retrospectiva atrasada…

:: Amanhã eu escrevo (fevereiro): foi o texto mais acessado do ano (em grande parte graças a uma citação feita pelo Inagaki no seu Pensar Enlouquece), mas também porque seu tema central – a procrastinação – parece ser um mal moderno que ronda e faz ninho nas melhores famílias.Tanto é que demorei à beça até escrever uma retrospectiva. Mas se você ainda não leu e também sofre desse mal, aproveite e vá lá dar uma espiadinha. Até porque provavelmente você está lendo este texto quando deveria estar fazendo outra coisa, não é mesmo…?

:: Experimentos em Psicologia (junho): talvez o grande divisor de águas do blog nesse ano, a série de 13 textos explorou os mais importantes estudos realizados no século passado, tendo o comportamento humano como tema central. Vários desses textos, como os de Stanley Milgram e Salomon Asch tornaram-se referências nas buscas do Google em seus respectivos assuntos. Imperdíveis para quem quer conhecer um pouco mais da alma humana.

:: O nascimento do auto-atrapalha (setembro): uma ácida crítica aos livros de auto-ajuda e suas  promessas mirabolantes, embora nunca cumpridas. Veja no texto qual a minha teoria sobre os motivos pelos quais os livros vendem tanto, embora seus leitores continuem pobres, ao contrário dos seus autores.

A mais fantástica história de sobrevivência
A mais fantástica história de sobrevivência

:: Endurance – a heróica jornada de Sir Ernest Shackleton (fevereiro): um breve relato sobre a emocionante e inspiradora aventura vivida pelo explorador irlandês e seus 27 marinheiros, perdidos mais de dois anos na gélida Antártida, no começo do século passado, quando seu barco Endurance naufragou. Vale mil livros de auto-ajuda…

:: Caro Rocky Balboa (janeiro): uma bela fábula (talvez o único texto de ficção de todo o blog), escrita em parceria com meu amigo Balu, onde o falecido pugilista Apollo “O Doutrinador” Creed envia uma carta ao seu arqui-rival Rocky Balboa, contando como ambas as vidas foram construídas em torno da sempre saudável rivalidade que cultivavam. Um texto muito divertido e gostoso de escrever – além de ter recebido um dos comentários que mais me deixou feliz desde que comecei a escrever aqui.

:: Iconoclasta (janeiro): um dos livros mais interessantes que li no ano passado, onde um neurologista americano desvenda o funcionamento das pessoas que fazem aquilo que os outros dizem que não era possível. Com impecável clareza, Gregory Berns descreve como diferenças na Percepção, na Reação ao Medo e na Inteligência Social podem ter explicações biológicas e interferirem de forma absolutamente decisiva na história de uma pessoa. Uma breve série de três textos desvenda cada uma dessas características. O livro foi lançado recentemente no Brasil pela Editora Best Business, com o título O Iconoclasta.

:: A farsa de Copenhague (dezembro): os últimos textos do ano não economizaram em polêmicas. Nos três textos que compõem esta série – inspirada em dois livros: Unscientific America e SuperFreakonomics – faço um breve relato sobre os fatos que me levam a crer que há muito mais do que um mero instinto preservacionista por trás das iniciativas para tentar frear o (suposto) aquecimento global. Desde a cabeça fraca daqueles que embarcam nessa onda, sem conhecimento algum, até os que querem apenas aparecer e chegando aos que têm interesses bem mais escusos no assunto (leia-se: dinheiro).

Aqui, ó!!
Aqui, ó!!

:: Fooooooda-se! (fevereiro): de uma inusitada brincadeira com um texto acadêmico que mostrava o poder de persuasão dos palavrões, surgiu meu título mais grosseiro e, ao mesmo tempo, mais divertido. Seja pelo choque, ou mesmo pela curiosidade, a verdade é que muita gente veio conferir que raios poderia estar escrito aqui. Se você não for uma das leitoras curiosas, ficará sem saber por que as pessoas que falam palavrões convencem mais do que as outras… Vai lá, porra!

:: The drunkard’s walk (janeiro): outra curta série de três textos sobre o ótimo livro de Leonard Mlodinow, que conta a evolução do pensamento matemático, desde que a estatística e a probabilidade começaram a engatinhar. Longe de abordar o assunto de forma enfadonha, Mlodinow revela-se um exímio contador de histórias (não à toa ele é roteirista de Hollywood), entremeando acontecimentos marcantes com fatos pitorescos e dando um especial toque de humor em suas narrativas que revelam, no final das contas, o quanto a nossa vida está atrelada ao acaso. Também foi lançado aqui recentemente pela Editora Zahar com o título de O andar do bêbado, naturalmente…

:: Os limites da Intuição (maio): outra pequena série de três artigos onde, à luz da disputa Kasparov vs. Deep Blue nos tabuleiros de xadrez, faço uma pequena análise das diferenças entre o raciocínio do homem e o da máquina. Um pouco de xadrez e algo de neurociências para entender as vantagens e desvantagens do cérebro humano frente ao cibernético e tentar responder à pergunta: no final das contas, o que realmente faz diferença…?

Sentiu falta de algum texto que você gostou e não foi citado? Algum desses acima seria dispensável? Tem alguma idéia interessante sobre o porquê de ter tantos textos do início do ano? Aguardo seus palpites nos Comentários!

1 pensamento em “Meus favoritos meus”

  1. Oi, Rodolfo!
    Eu adoro seu blog, portanto tenho um monte de favoritos… Entre os que você citou, o Endurance (eu adoro Shackleton) e a série de Experimentos em Psicologia estão entre meus preferidos. Mas passeando de novo pelo blog, tem outros tantos que eu gosto muito: Total falta de estilo, sobre o comercial da Fiat. Duelo de banjos, seu texto está sensacional! Por que seu médico precisa conhecer estatística – eu adoro estatística! E também aquele texto em que você nos conta os caminhos pelos quais “as leitoras” chegam ao seu blog. Ri muito! Estou esperando a continuação…
    Ah, e não posso esquecer do seu twitter! Adoro as tuitadas nos aeroportos e a trilhas sonoras!
    (Sobre o porquê de tantos textos no início do ano… Bem, como tradicionalmente o ano só começa depois do carnaval, deve ser porque você tem menos trabalho e mais tempo para escrever…)
    Beijo

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