Atirando no que não viu II

Depois que o Leo Kuba classificou o Atirando no que não viu original como “o melhor e
mais bem humorado relatório de ‘métricas de analytics‘ que já vi”, minha tarefa de escrever a sequência ficou ainda mais desafiadora. Mas como a leitora bem sabe, há coisas que eu Não posso evitar…

Para quem (ainda) não leu o primeiro, uma breve explicação: minha ferramenta de publicação (TypePad) fornece uma relação do caminho percorrido pela minha audiência até chegar aqui.

6a00e554b11a2e88330133ec9810fe970b-320wiComo da outra vez, o Google ainda é minha maior fonte de acessos, respondendo por pouco mais de 40% das visitas. A parte curiosa é ver o que o incauto buscava ao chegar aqui. Por isso digo que o desavisado atira no que não vê – e acaba acertando mais longe ainda. Então vamos às pérolas da vez:

Um candidato a milionário digitou “quero dicas e truques infalíveis para mega sena” e aterrissou em O monge, o queijo e a vida real, meu segundo texto demolindo as falácias da auto-ajuda. Ora, não sei o que se passa pela cabeça de um indivíduo que acha que alguém pode ter um método certeiro para transformar em vencedora uma infinitesimal probabilidade. E, ainda, que vá dividir gratuitamente seu rico segredo com o mundo, através da Internet. A única chance de alguém ficar rico com isso é vender baratinho seu segredo para qualquer um ingênuo o suficiente para pagar por isso, sempre buscando um atalho para ficar rico. Ou seja, muita gente.

Já o pouco talentoso gazeteiro perguntou ao oráculo “como fazer para mentir para a mãe que não tem aula”, despencando em Aula de mentira, onde critico o professor Lula em mais uma lição de como enganar o alienado povo brasileiro. Será que existe por aí um manual sobre lorotas estudantis? Uma coletânea de desculpas esfarrapadas para burlar suas obrigações? Bom, devo confessar que até já tuitei um texto sobre as regras para dizer ao chefe que está doente (The rules for calling in sick), mas minha intenção foi apenas divertir. Ah, e não custa lembrar ao artista que sua mãe pode ter a mesma ideia e pesquisar o tema na Internet – chegando ao mesmo truque e desmascarando o pequeno pilantra…

Outro internauta com más intenções quis saber “como virar um agiota de susesso“. É curioso como hoje ninguém mais quer ser astronauta nem bombeiro. As profissões da moda pendem para a contravenção e espelham o caráter de um povo. Pelo menos ele caiu em Celebridades em campanha pró-agiotagem, onde esculhambo os artistas de TV que fazem propagandas de agiotas disfarçados de banco. Na esperança de que a ficha tenha caído para este leitor, fico ainda com a sensação de que alguém que escreve sucesso com tanto “s” não deve ter muitas opções na vida.

Ao buscar dicas para melhorar sua performance em suas disputas, alguém confiou numa fonte pouco confiável, acreditando poder encontrar na “resenha do livro quem mexeu no queijo para técnicas de negociação”. Não sei como foi parar em Placebo: o próximo blockbuster da indústria farmacêutica, o que certamente contribuiu pouco para suas habilidades de negociador. Mas se a pessoa buscava uma ajuda com essa qualidade toda, deve ter sido para conseguir trocar três balas Juquinha por uma paçoca…

6a00e554b11a2e88330133ec981cb0970b-320wi E no embalo da série Crepúsculo, um aspirante a imortal quis encontrar uma “porção para virar vampiro”, indo parar direto na divertida coletânea O melhor de @O Criador. O culpado por isso foi o seguinte trecho (é preciso ler o texto original para entender melhor):

Kaimbra: E ai deus porque q eu naum nasci na idade media?
queria ser um cavaleiro. Mas ai… vc pode me ajudar… que tal me
transformar em vampiro os Mutante… Qualquer coisa é só me jogar no
universo Marvel que eu me viro. do seu servo e copiar, EL Kaimbra
Aquele q soh se ferra

Você prefere virar um cavaleiro e pegar na espada ou virar um vampiro e chupar outros?
Decida-se. O Altíssimo)

Ainda assim, continuo com a dúvida: ele queria uma porção de dicas ou uma poção?

Enquanto isso, um franzino navegador tinha uma dúvida física: “como ficar com o fisico do rocky balboa”. Uma pergunta para ser respondida na academia, não na frente do computador. E a resposta encontrada em Caro Rocky Balboa, diria que se a ambição é ter o shape do Garanhão Italiano no sexto filme, não é tão difícil, mas leva tempo…

O próximo curioso vasculhou a rede atrás de uma opinião “favoravel a cota racional“, chegando a O correto e o possível, com teor exatamente contrário. E se ele se referia à cota racial, deve torcer para estar dentro dela, porque da racional ele passa longe!

Outra característica interessante do googleiro que permanece a mesma é a sua crença de que há uma pessoa de verdade do outro lado respondendo suas perguntas. São os que conversam com o Google e fazem perguntas diretas, às vezes até pedindo “por favor”. Vejamos algumas:

“Explique com suas palavras a Teoria da Dissonância Cognitiva de Leon Festinger.” Este não teve nenhum escrúpulo e pediu, na maior cara-de-pau, que o tio Google fizesse o seu trabalho da escola…

Mas tive pena do aflito que digitou “quero ajuda como se tivesse alguma coisa atrapalhando que minha vida ande”. Talvez sua angústia tenha aumentado ao ler O nascimento do auto-atrapalha. De qualquer forma, fica o alerta para o Google criar rapidamente o seu C.V.V. (Centro de Valorização da Vida), para atender internautas depressivos.

Há ainda os que confundem o conceito de pesquisa do Google. Confundem a busca por assuntos com pesquisa de opinião pública. Quando o cinéfilo (bem) amador escreve “amnesia memento alguem entendeu”, quer que os funcionários do Google que entenderam o filme levantem a mão? Eu, hein?!

4 pensamentos em “Atirando no que não viu II”

  1. Essa é boa mesmo, “conversando … pedindo ‘por favor’ pro Google …”
    No meu caso tenho poucos casos para amostrar, mas um interessante foi uma coisa meio ‘meta-linguística’:: “aeroporto de guarulhos achados e perdidos como acha-los?” …
    Um português que buscou “estatística carecas”, como se para um careca fizesse diferença a estatística, ele já tá careca …..
    Outra é a confirmação de que as mulheres ainda se preocupam com algo tão irrelevante quanto a idade:: “por que homem adora falar de nossa idade” (pelo menos acertou o ‘por que’ separado)…..
    E, obviamente, não poderiam faltar os taradinhos onanistas de plantão :: “pecadoras ponografia show” e “mulheres gostosas chamadas *****” …..
    Boa semana!

  2. Oi, Rodolfo,
    Adorei a continuação… E tenho a certeza que sejam quais forem os caminhos que tragam suas leitoras até aqui, serão sempre proveitosos.
    Bjo

  3. Atirando no que não viu III

    Para minhas mais antigas leitoras esse é um momento aguardado ansiosamente. Para as que acabaram de chegar, explico que a série Atirando no que não viu é uma coletânea divertida das mais pitorescas buscas feitas no Google que, por motivos…

  4. Atirando no que não viu

    Uma das grandes curiosidades que tenho no meu dia-a-dia de blogueiro é saber de onde vem a minha audiência. Que estranhos caminhos a leitora teria percorrido até chegar aos meus domínios? Essa pergunta é respondida, de forma até certo ponto…

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