Problemas disfarçados de oportunidades

Todo mundo adora dizer que problemas são apenas oportunidades disfarçadas.

A série de anúncios do HSBC que cobre os corredores que nos levam até os aviões abordam este conceito e coloca o banco à nossa disposição para trilhar o caminho do sucesso – a um módico preço, lógico. Só que em determinados momentos eles trocam os pés pelas mãos e, vez ou outra, saem-se com pérolas como essa:

“0,3% da energia solar do Saara seria suficiente para abastecer a Europa”.

Eu vejo uma Turquia cheia de alcoólatras
Eu vejo uma Turquia cheia de alcoólatras

Essa frase deve fazer sorrir o coraçãozinho verde de todo ecologista inocente, vislumbrando mirabolantes formas de salvar o planeta.

Cumpre-me, então, a dolorosa função de avisar que trata-se apenas de uma frase de efeito, sem nenhuma possibilidade de execução por, provavelmente, uma ou duas gerações. Um mega problema disfarçado de oportunidade.

Cobrir o Saara de placas de captação de energia solar significaria deixar de refletir o calor recebido do Sol naquela região. Algo como asfaltar um quarto da África. Dito assim dá para perceber que isso aqueceria a Terra?

Bom, como seria realizada tão gigantesca obra? Onde morariam os operários e como eles sobreviveriam? De que forma a energia gerada seria levada até a Europa e lá distribuída? E onde ela ficaria armazenada para ser utilizada à noite.

Ainda que tudo isso fosse possível, como seria gerada a energia necessária para tal construção? Em quanto tempo se anularia esse déficit energético? Quem financiaria essa vultuosa iniciativa com payback em algumas décadas? Ah, sim! Essa pergunta já veio com resposta: o anunciante.

Bom, como minha intenção não é acabar com a esperança alheia – ainda que infundada – proponho uma dinâmica para os comentários:

Vou deixar aqui a minha própria solução ecológica inviável e impraticável mas, ao mesmo tempo, muito bonitinha. Você vai dizer nos comentários por que é uma idéia inexequível e em seguida dá sua própria sugestão, como se fosse a agência de publicidade do HSBC.

“15% da água do rio Amazonas daria para irrigar todo o deserto do Saara, tornando-o fértil e habitável (mas arruinando os planos energéticos europeus, porque molharia os painéis solares).”

10 pensamentos em “Problemas disfarçados de oportunidades”

  1. “15% da água do rio Amazonas daria para irrigar todo o deserto do Saara”
    Pô, não fique dando idéia, porque o Lula é capaz de querer abraçar! Desvio do S.Francisco é pouco, o Amazonas sim que seria uma obra digna da grandeza megalonanica.

  2. Querido JORNALISTA, assim não vale… não está comentando nada, na verdade ensinando a tantos ler a “linguagem” e entender o que está escrito nas entrelinhas. Grata.

  3. Acho muito complicado avaliar uma idéia através de uma simples frase. Tudo é questão de leitura e interpretação, positivismo/negativismo, seja o que for…Uns veem o copo meio cheio, outros veem o copo meio vazio…
    Como trabalho em uma indústria que fornece matéria-prima para o segmento de vidros, vejo a frase do HSBC de outra forma. Se tem vinhedos, tem produtores de vinhos; que precisam de garrafas, que são feitas pelas indústrias vidraceiras…Opa, não seria um mercado interessante para minha empresa?
    Assim como, analisando friamente, sua proposta de fornecimento de água para o Saara pode fazer brilhar os olhos de fabricantes de navios-tanque.
    Sei que meus pensamentos acima são muito simplistas, mas reforçam a questão de que precisamos avaliar também o contexto onde o problema está inserido.
    Sendo inocente e tendo uma visão ecológica, segue meu comentário a respeito de sua idéia: É impraticável pois apesar de “beneficiar” a região do Saara, imagine o impacto ambiental que isso irá causar; alterando o ciclo de chuvas na região amazônica e resfriando a região do Saara. Se o clima já anda meio perdido assim, com isso então…
    Minha sugestão perfeita para salvar o planeta é: Todos os escritórios do planeta obrigarão seus funcionários a trabalherem em casa. Assim, acabariam os deslocamentos de funcionários (sem carros nas ruas, menos poluição na atmosfera…) e de quebra, poderiamos demolir todos os prédios e centros comerciais do mundo plantando arvores em seus lugares.
    Abraços.

  4. A água do rio Amazonas seria transportada por tubos fabricados com fibra de cana-de-açúcar, e como a região norte e centro oeste devem perder suas florestas para a cultura da cana, o Saara irrigado passaria a produtor de mais cana. E como já somos o maior produtor de gado do mundo, vamos adubar o Saara com toda essa merd*. Também estou torcendo para o Lula não ver essas idéias.

  5. Rodolfo, gastar sua imensa capacidade de articulação para comentar que vaca não voa é um e desperdício,seu e nosso. Mas, lembre-se, Galileu já teve que se retratar por afirmar que a terra é redonda e outros não tão célebres também já tiveram idéias factívei consideradas inadmissíveis a sua época.
    Aliás, você fica notadamente rabugento quando o tema é meio ambiente, não?

  6. Nereida…
    à guisa de esclarecimento, Galileu não teve de retratar-se por dizer que a Terra era redonda, mas por defender uma postura místico-religiosa de Copérnico: “a teoria da luz e o heliocentrismo tinham um significado espiritual, religioso. Galileu não possuia provas naturais conclusivas para sustentar a posição copernicana. E isso era sabido entre os estudiosos da época.(Pietro Redondi, in ‘Galileu Herético’, Editora Schwarcz).
    Para ele, o sol era o centro do universo, por ser fonte de um espírito que se difundia e penetrava todas as coisas, conforme foi visto.
    Quando a Igreja condenava o heliocentrismo em Galileu, portanto, entre outras coisas, condenava-o enquanto portador de uma doutrina copernicana gnóstica e não enquanto científica.
    É de se notar que vários religiosos da época (e ainda hoje) eram cientistas de renome.

  7. vamos simplificar e acabar com essa coisa que se chama internet.
    Gasta-se muita energia e etceteras para produzir os computadores (atulhados de metais pesados) sem falar na energia consumida (“google” quanto se consome de energia por busca no google) ……
    Rodolfo, o problema é que os políticos do N/NE do país iriam começar a desviar do projeto, e só uns 0,0000015% da água iam acabar chegando no Saara.
    Fui

  8. De fato, em qualquer tipo de empreendimento (ecológico ou econômico), surgem idéias absurdas e catastróficas entre idéias inteligentes e geniais. Não podemos nos esquecer algumas idéias economicamente geniais que são ecológica e socialmente desastrosas.
    Vamos pensar também em algumas soluções econômicas, muito pragmáticas e bastante lucrativas, porém devastadoras: que tal mudar a matriz energética do Brasil para usar madeira da amazônia em termoelétricas? Que tal incentivar enormes queimadas para transformar a amazônia numa planície de cultivo de soja transgênica? Que tal usar bombas no lugar de varas de pescar? Com uma simples explosão os peixes flutuam – mortos. Prático, não?
    As corporações multinacionais querem derrubar os “obstáculos naturais” aos seus negócios. Estão criando grandes campanhas contra o movimento ecológico. Para isso usam o poder do dinheiro para deter aqueles que se interpõem aos interesses capitalistas. Logo veremos placas de PROCURA-SE ECOLOGISTA BRASILEIRO VIVO OU MORTO. RECOMPENSA EM DÓLAR.

  9. Rodolfo, não pude deixar de dar minha contribuição para um mundo melhor.
    Eu acho que o corpo humano economizaria muita água se os ureteres (canais que ligam os rins à bexiga) fossem ligados ao intestino grosso.
    Assim, a água da urina seria drenada pelo intestino antes de deixar o corpo, assim como já acontece com o bolo fecal, gerando reaproveitamento interno.
    Qualquer planta industrial inteligente já funciona desa forma!
    Aí iríamos menos ao banheiro, poluiríamos menos volume d’água, interromperíamos menos o trabalho para beber ou urinar, e o melhor: poderíamos enviar nossas bexigas, sem utilidade, para alimentar crianças famintas.
    Seria o máximo, não?

  10. Olá, boa tarde.
    Diante de argumentos como alguns que li aqui é que vc percebe o quanto nós, seres humanos, somos individualistas, ou seja, pensamos em nós mesmos, no mais fácil, no mais econômico, e outros similares.
    Gostaria de deixar aqui o meu, pensamento.
    Sobre o saara e/ou outras regiões áridas do planeta terra imagino que se iniciarmos novamente a revegetação dessas áreas contribuiríamos já em larga escala para a permanencia nossa aqui nesse planeta.
    Vejamos alguns princípios:
    1) A floresta amazonica fica tambem proxima ao equador assim como o deserto do saara.(é possivel entao tal argumento)
    2) Na pre-historia o saara era floresta. (é possivel entao tal argumento)
    3)A areia do deserto nada mais é do que o solo descompactado, que o efeito se reverteria com a constante irrigação das plantas pela agua do mar depois de desalinizadas. (é possivel entao tal argumento)
    4) a desalinização da agua do mar, hoje, já chega a patamares perfeitamente razoaveis para colocar em pratica tal plano. Custo baixo pelo metodo da osmose reversa e baixo custo em larga escala. (é possivel entao tal argumento)
    5) O processo de arborização começaria pela regiao mais proxima à menos árida avançando para a mais árida, ou seja próxima ao mar para o interior do deserto. Um efeito contrário a famosa frase: “o deserto avança sobre a floresta”ou seja, ‘a floresta está avançando sobre o deserto’.(é possivel entao tal argumento)
    6)A velocidade da arborização seria proporcional a quantidade de parceiros que ao longo do tempo poderiam se unir para o bem comum a humanidade. Explicando melhor: Se podemos plantar mil arvores por dia, que plantemos. Ao longo de um ano estaremos colocando, entre arvores de lei de floresta tropical e arvore secundarias cerca de 365000 mudas que ao longo de 15 anos seriam arvores completas.(é possivel entrao tal argumento)
    7)Só pra ter uma ideia, imagine um quadrado de lado igual a 12 km, cujas arvores ficariam distantes umas das outra cerca de 20 metros. Esse é o tamanho da area anual reflorestadas.
    8) Se voce pegar a metade dos voluntarios do green peace, que nao sao poucos,concertra-los no plantio dessas arvores, somados com acordos com o governo brasileiro e chines para a producao de mudas, adicionando ao apoio dos EUA e Uniao Europeia para financiar os desalinizadores, e ainda ficando a cargo de outros paises o custeio alimenticio desses trabalhadores e o de transporte, teriamos a matriz inicial do projeto, o qual dentro de um ano veriamos o aumento das proporçoes do mesmo.
    9) Se durante 5 anos o projeto for aumentado 1000 %, teriamos uma floresta do tamanho de um quadrado de lado igual a 78 km. (pequeno ou grande?)
    10) Se a humanidade se empenhasse a tal procedimento, e trocasse o dinheiro que gastam em guerras inuteis a tal projeto, ele poderia aumentar talvez em 1000000%.
    11) Quais as consequencias: Ar mais puro naquela regiao e consequentemente no resto do mundo, despoluição gradativa do ar, mudança do clima atraindo mais chuvas e clima tropical e os resultados seriam vistos em 20 anos por todos.
    Meu amigo existe sim varias maneira de mostrar que o homem ainda tem o controle de tudo, basta usar a cabeça assim como Isaac Newton usou ao equalisar as forças que regem o nosso mundo.
    Perderemos ele e tudo que há nele, o planeta, se nao investirmos em Educação de qualidade, para formar novos cientistas e pessoas capazes de no mínimo fazer comentarios decentes na internet.
    Abraços….

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