Resmungadinha rápida

Vindo para o trabalho hoje cedo ouvi um spot de rádio na Kiss FM que me fez pensar – algo que o redator da peça deveria ter feito. Não lembro quem era o anunciante (dinheiro jogado fora), mas o objetivo era mais uma mensagem nonsense e sem pé nem cabeça sobre preservação do meio ambiente.

Nele, o cantor Jairzinho dava uma valiosíssima dica de como poupar energia elétrica: “Nunca esqueça de apagar as luzes”. Ora, esquecer significa, na maioria das vezes, um ato involuntário. E sendo um ato involuntário, como se espera que alguém o evite voluntariamente?

Show a luz de velas. Peraí! Velas...?
Show a luz de velas. Peraí! Velas…?

Você pode se esforçar para não esquecer algo pontual, específico. Mas policiar-se para jamais se esquecer, por exemplo, onde colocou suas chaves é algo impossível.

O comercial ainda termina mais ou menos assim: “Guarde toda a sua energia para os shows de música. Lá sim, você pode gastá-la”. Ora, se a preservação do meio ambiente é assim tão importante e economizar energia está lá no topo, então não deveria mais haver shows. Especialmente aqueles que têm como causa a preservação.

Taí mais um exemplo de que ecologista sai falando o que vem na cabeça. Se parece uma boa idéia ele já se apressa em divulgar – assim como esculhambar quem faz o contrário. Mas raramente vai um pouco mais a fundo para analisar se suas dicas ridículas fazem algum sentido.

Outra que eu queria deixar para os ecologistas de plantão – e que estão à beira de causar gigantescos desastres ecológicos com suas sugestões – diz respeito aos carros elétricos: realmente eles são muito corretos porque não poluem. Mas de onde virá a eletricidade dos carros elétricos? Se hoje já vivemos crises energéticas, imagine tendo que carregar a bateria do carro.

Já estou imaginando a mobilização, passeatas, abaixo-assinados de ecologistas-ipanemenses para impedir a construção de usinas hidrelétricas, termoelétricas ou mesmo nucleares para gerar energia para… carros elétricos.

11 pensamentos em “Resmungadinha rápida”

  1. Nesse spot que você ouviu, na parte dita “Guarde toda a sua energia para os shows de música. Lá sim, você pode gastá-la”, eles queriam dizer: “Economize muito a energia na sua casa ou não pague a conta, só assim você conseguirá dinheiro para pagar o ingresso deste evento SUSTENTÁVEL”. 😉

  2. Isso, Caru, era um spot do festival de rock que acontecerá no interior de São Paulo em outubro. Com ingressos a R$ 640,00. Isso sim é sustentabilidade!
    E fora que veremos uma nova enxurrada de carteiras falsas de estudantes. E os não-estudantes honestos pagam a conta.

  3. Ecologia é só mais uma das “coisas da moda”. Ou todo ecologista é idiota, ou só os que são idiotas conseguem aparecer na mídia. Mas acredite, os que entendem de idiotas, parecem idiotas, mas são os que dominam o mundo hoje. Mundo de idiotas.
    Já imaginou os milhões de carros produzidos hoje se fossem todos movidos a baterias? A Energia é algo simples, nuclear, e não tem jeito, é a unica alternativa e curiosamente a mais limpa. E se o projeto do Bill Gates (TerraPower) der certo, de quebra limpamos toda a sujeira nuclear que produzimos.
    Agora, o que faremos com as baterias que viram lixo?
    Outra… Essa baboseira de biocombustivel. Gostaria que os ambientalistas voassem pelo NE e SP, iriam notar que TODAS as terras que já eram tomadas por cana-de-açúcar, agora estão indo para as regiões inexploradas, ou seja, Amazônia.
    A propaganda é tão forte, que eu mesmo só fiquei sabendo que ar condicionados Splitter não são em NADA mais econômicos que os tradicionais, a pouco tempo.
    E a prova de que somos um povo alienado, vem do seu comentário sobre carteiras de estudantes.
    Isso vale para propagandas de varejo, onde TODOS repetem a mesma coisa: cobrimos qualquer oferta, somos os mais baratos e não cobramos juros.
    Será que gostamos se ser enganados?
    (Desculpa o mal humor 🙂

  4. Ingressos a R$640,00? Isso não é sustentabilidade; é capitalismo! Concordo que, além de ser uma necessidade, a ecologia está na moda. De fato, isso gera uma oportunidade para grandes lucros… Por isso muitos capitalistas estão infiltrados entre ecologistas e ambientalistas. Contudo, não devemos institucionalizar a devastação social e ecológica em nome do lucro. Muitos enriquecem piorando o ar que a gente respira e muitos outros enriquecem prometendo melhorar aquilo que foi piorado. Os alimentos encontrados no mercado não são os que fazem bem à saúde, são os que dão lucro… Esse é o problema.

  5. Ah! Qual é! Aí é má vontade, rs.
    Você sabe bem que quando se faz uma campanha do tipo “Não esqueça de…” (sou do tempo do “Pai, não se esqueça da minha Caloi”, rere) não se está defendendo o fim dos atos involuntários, mas sim sugerindo que a pessoa se esforce pra criar um bom hábito (não se esqueça de dar descarga, rs). Picuinha já é sacanagem! :o)

  6. Damião, a da Caloi é muito boa! Mas ela cai na categoria que separei como lembranças pontuais – não esquecer uma coisa específica. Mas não adianta eu te dizer para jamais esquecer de trancar a sua Caloi com a corrente. Um dia você esquece…
    Abraço, Rodolfo.

  7. Rodolfo, creio que desta vez vc exagerou um pouco, mas tá perdoado… O cara só está pedindo para as pessoas apagarem as luzes e economizar energia. Tudo bem que ninguém vai fazer isso só pq o Jairzinho está pedindo. Mais razoável seria cobrar pela energia o que ela deveria valer. Se assim fosse, com certeza veríamos uma diminuição no desperdício de energia. Lembram da época do racionamento?
    Com relação ao carro elétrico, tendo a concordar com vc, até porque a energia gerada para carregar a bateria dos carros, muitas vezes vem de usinas que queimam combustíveis fósseis. Não obstante, a energia gasta para produzir combustíveis fósseis, supera e muito aquela usada para gerar energia elétrica…
    Contudo, acho que a matemática é muito complexa e não creio que existam muitas pessoas que possuam, de fato, o conhecimento necessário para defender esta ou aquela alternativa. E é exatamente aí que penso residir todo o problema do debate ambiental… Quase sempre está baseado em puro achismo.
    Abraço.

  8. Dessa vez sou eu que “não posso evitar”… Fausto, você diz isso porque não tem noção do quanto a eletricidade é tributada nesse país! Ela chega a custar aos consumidores próximo do dobro de seu “valor real”! Aumentar ainda mais seria criminoso!
    Quanto ao carro elétrico, eu assisti recentemente a uma palestra ministrada por professores da UERJ que trabalham em projetos dessa área, e uma das perguntas que fiz foi justamente esta! Será que a eletricidade gasta por um carro elétrico, vinda de termoelétricas alimentadas a carvão (realidade na maior parte do mundo), não é mais poluente do que um carro a gasolina? Ele disse que mesmo nessa situação o carro elétrico é menos poluente, mas faltaram números e argumentos técnicos pra fundamentar essa tese. Bem, provavelmente eu não entenderia os argumentos técnicos sem muitas horas prévias de estudo.
    Sobre o resto do texto, a única coisa que eu não sei se foi confusão do Rodolfo ou não (como ninguém mais falou…), apesar de não tirar nada da coerência do texto, pois é ridículo falar em shows de música sem gastos exorbitantes de eletricidade hoje em dia, é que pra mim está claro que a energia que ele falou pra gastar nos shows não é a elétrica, e sim a energia do seu corpo que você pode gastar pulando, cantando e dançado. Trocadilho, saca? 😛

  9. Jefferson, claro que é um trocadilho. Mas eu também tenho direito de usar dele, não? Claro que o Jairzinho se refere à energia das pessoas. Isso porque ele convenientemente esquece de mancionar a energia elétrica. A tarefa ficou para mim…
    Abraços, Rodolfo.

  10. Jeferson, na verdade eu tenho a exata dimensão de quanto pago de imposto na minha conta e concordo com vc que esse valor é alto. Mas meu ponto é outro. Por mais que os tributos sejam altos, no fim do dia a representatividade da conta de luz nas contas do mês é muito baixa.
    Isso fica claro se compararmos a conta de luz à de celular, por exemplo. Duvido que alguém prefira viver sem luz a viver sem celular, e, no entanto, nos custa muito mais o celular. Se o custo fosse semelhante, aposto que muita gente viveria sem ar condicionado, não tomaria banho de 20 minutos em chuveiro elétrico e, provavelmente, leria à luz de vela, antes de dormir.

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