Geração neYmar

O assunto da semana foi a birra de Neymar que, depois de ser preterido na cobrança de um pênalti, fez malcriação dentro e fora de campo. Desacatou seu técnico e desrespeitou seus colegas. Agiu como uma criança mimada de quem foi tirado um privilégio que não merece mais.

Antes mesmo de deixar a adolescência, o santista recebe tratamento de supercraque com salário idem. Vive as delícias de ser um astro, mas recusa-se a encarar suas dores. Gosta da fama e da fortuna, mas evita as responsabilidades. Quer ser tratado como adulto, mas sem a obrigação de comportar-se como tal. Neymar representa, por esta descrição, o típico jovem da geração Y.

Assim como muitos da sua idade, Neymar rejeita autoridades e despreza hierarquias. Rebelou-se contra uma ordem de seu superior, sem qualquer razão para isso. Ele não estava batendo pênaltis bem, simplesmente porque não levava isso a sério (dos seis pênaltis que bateu no Campeonato Brasileiro ele perdeu três – uma péssima média).

Zidane - exemplo para Neymar - em seus últimos lances em Copa do Mundo
Zidane – exemplo para Neymar – em seus últimos lances em Copa do Mundo

Quando bateu com cavadinha na mão do goleiro, deveria ter aprendido. Mas não aprendeu. Disse que Zidane fizera o mesmo na Copa. Verdade. Fez isso minutos antes de dar uma cabeçada em Materazzi e receber cartão vermelho no jogo mais importante do futebol mundial, encerrando melancolicamente sua carreira.

A jovem promessa do Santos, aliás, não é reconhecida por adotar bons ídolos nem modelos. Como Robinho, por exemplo, que não deveria ser espelho para ninguém*. O que muitos chamam de irreverência e descontração, vejo como deboche e narcisismo. Considero suas dancinhas comemorativas extremamente desrespeitosas e provocativas. São jogadores de futebol, não animadores de torcidas.

Em duas ocasiões Neymar deu chapéus em adversários com a bola parada. Adversários que não estão esperando dribles. Dribles que não armam jogadas de ataque nem deixam ninguém mais perto do gol adversário. Para que servem, então? Para humilhar o adversário. Cavadinha e paradinha também servem para humilhar o goleiro – além de representar um pulo fácil na lista de artilheiros.

No mesmo jogo, atletas do Avaí acusaram-no de provocações comparando seu salário com os do clube do Sul. Outra humilhação. Rodadas adiante, brigas com jogadores do Ceará. E agora esse fiasco com seu próprio técnico e demais companheiros.

Neymar e Robinho fazendo cara de bobo sem nenhum esforço
Neymar e Robinho fazendo cara de bobo sem nenhum esforço

Imediatamente o Santos impôs-lhe uma multa de 30% do seu salário – a qual, diga-se, não fará nenhuma diferença para ele – além de uma suspensão de 15 dias.

O forçado pedido de desculpas foi muito mais um evento de Relações Públicas do que o reconhecimento de um erro. A mídia interpretou o pedido de desculpas de Neymar como “constrangido”. Mas a bem da verdade ele estava contrariado, porque não achava que devia desculpas a quem quer que fosse.

Juntando os dois, Neymar e Robinho, temos o retrato de uma geração que já quer tomar conta do mundo. Dois moleques que exigem seus direitos sem se preocupar com seus deveres.

Independentemente da letra da sua geração, você só tem direito a alguma coisa nesta vida depois que provar o seu valor. Repetidamente. Antes disso você é apenas mais um. Pode ter muito talento e uma série de habilidades inatas. Mas isso não faz de você um fora-de-série.

Até lá você precisará comer muito feijão com arroz e ser muito, mas muito mais humilde.

Para que os demais Y não fiquem revoltados comigo, admito que há exceções. No futebol, por exemplo, Paulo Henrique Ganso, companheiro de Neymar no Santos é um exemplo. Ganso (como Diego) quer botar a bola pra dentro do gol e ir para casa, ao contrário de Neymar (e Robinho). Sorte sua estar machucado e não ter tido o desprazer de participar desta palhaçada.

No mais, essa geração Y ainda vai tomar muito na cabeça antes de aprender alguns valores que seus pais não lhe ensinaram.

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* Mesmo se achando o melhor jogador do mundo, ele não conseguiu se firmar na Europa – e isso é sintomático. Quando surgiu no Santos tinha a companhia de Diego, de futebol muito mais objetivo e decisivo, mas igualmente destrambelhado (conseguiu a proeza de ser expulso numa disputa de pênaltis). Juntos, Robinho e Diego protagonizaram o lamentável episódio em que um arriou as calças do outro durante uma entrevista coletiva, na frente dos fotógrafos, na fracassada campanha da seleção pré-olímpica que sequer se classificou para os Jogos de 2004.

ATUALIZAÇÃO: A suspensão foi suspensa hoje, 20/09/2010, porque na semana que vem tem clássico contra o Corínthians. O presidente do clube lavou as mãos e jogou o problema no colo do técnico – que é o profisisonal cobrado pelos resultados. O Santos não quer perder o controle sobre o time, mas quer menos ainda perder o jogo. Qual será o próximo chilique?

ATUALIZAÇÃO MAIS ATUALIZADA: A suspensão que suspendia a suspensão foi suspensa novamente. Ou seja, hoje, 21/09/2010, está decidido que Neymar não joga amanhã. Será?

ATUALIZAÇÃO AINDA MAIS ATUALIZADA: Dorival Júnior, técnico do Santos, acaba de ser demitido porque confirmou que não escalaria Neymar. A diretoria do clube covardemente lavou as mãos sobre o assunto e jogou-lhe nos ombros a responsabilidade. E deixou claro que quem manda no time é um garoto de 18 anos. Onde vão arrumar um técnico que aceite trabalhar sob essas condições? (Pensando bem, tem um monte…)

14 pensamentos em “Geração neYmar

  1. E a lei brasileira contra a palmada hein?
    Obvio que a intenção é proteger as crianças da violência, mas quantos casos de voiolência são descobertos depois que o parente teve a mão mais pesada, e que de outro jeito não sertiam descobertos nunca?
    E os Robinhos e Neymarzinhos?
    Quero ver no que vai dar…
    bjo

  2. Rodolfo,
    Em primeiro lugar respeito muito a sua opinião e leio seu blog regularmente sempre atento a seus comentários e na grande maioria das vezes aprendendo com seus pontos de vista.
    Entretanto tenho que discordar em parte.
    Levando em consideração a idade, se olharmos para trás nas nossas préprias vidas, em nós mesmos veremos que esta idade é complicada e sim, é reprovável, mas esperada.
    Como sempre vemos as ações e julgamos e não o contexto. Questionamos quando ele responde que é milionário, mas não quando os adversários falam: “vou quebrar a sua perna!” esta sim é uma atitude deplorável. E que merece resposta no caso com dribles, mas em lgum momento demanda uma resposta oral (ainda mais aos 18 anos…). Quando aos dribles de bola parada a mim me parecem a mesma resposta -tomo tanta porrada (sou desreispeitado)… por que não… (desreispeitá-lo também).
    Do alto da nossa idade não aceitamos mais isto (assim é esperado), porém aos 18 anos esta atitude é mais real.
    Sei que vão dizer que ele é uma pessoa pública e deve se expor … mas ele é um ser humano como nós e na idade mais complicada da vida.
    Ainda, ele é um gênio no que pratica, todos os gênios são incompreendidos. Steve Jobs não é simpático e tem várias atitudes não compreensíveis (e não tem 18 anos). Temos que repreende-lo mas não crucificá-lo, ele deve apreder mas não ser escorraçado.
    O próprio Ganso que foi citado também teve uma atitude contrária ao técnico ainda este ano.
    Quando a provar o seu valor … quem vê os seus jogos vê o seu valor… O Chelsea viu seu valor ….e os adversários também. Talvez estes últimos, bem como toda a imprensa desportiva tenha um interesse maior em desestabilizar um atleta em ascensão.
    Sinto que toda a discussão esteja desviada (ele é um jogador de futebol de 18 anos) ele não é um médico, empresário, ou advogado famoso. Com todos estes últimos já presenciei eventos maos deploráveis na minha vida e em vários destes com efeitos mais desastrosos. E olhe lá não eram gênios como o Neymar.
    Alexandre Sousa

  3. sobre o comentário de meu xará, sinto também discordar de sua colocação.
    Embora o Rodolfo tenha sempre opiniões personalíssimas sobre todos os assuntos e, por isso mesmo discordantes de várias outras opiniões, o que fica em seus artigos são máximas e análises dirigidas à classe de trabalho que se propõe o seu blog: mais para administradores do que para entomologistas.
    Por isto o exemplo do garoto Neymar é pertinente por ser um exemplo que é visto em muitas corporações e empresas. O próprio comentador deu o exemplo de Jobs e, talvez sem o saber, seguiu o pensamento do Rodolfo.
    O que interessa, a meu ver, neste episódio triste do garoto foi ver que são dados privilégios a certas pessoas que são imaturas para seu cargo. O seu exemplo será seguido por outros garotos que imitam seu corte de cabelo indígena. O que sofrerão as suas professoras…?
    Com certeza todos nós tivemos infantilidades quando mais jovens, mas as minhas não foram televisadas…

  4. Concordo com seu ponto de vista, Rodolfo. Acredito que este jogador de futebol é o retrato da Geração Y: talentosa, inovadora, mas imatura e arrogante.
    Claro que todos fomos jovens e cometemos erros que não tiveram esta repercussão, mas esta atitude nunca foi tolerável no ambiente de trabalho. Jogador de futebol, advogado, médico, professor, não importa. O respeito deve ser premissa de todas as profissões. É imprescindível para o sucesso saber ouvir e aprender, seja a partir superiores, subordinados ou equivalentes.
    E, contrariando o ponto de vista de Alexandre, não enxergo essa reação da mídia desportiva como interessada em desestabilizar o jogador. Eu vejo este veículo como o responsável por este comportamento, pois sempre ressalta “valores” como a molecagem, irreverência… mas sobre o respeito, é a primeira vez em meses que falam… meio tarde pra uma pessoa que já conseguiu tudo o que queria justamente por adotar o comportamento oposto.

  5. Determinar a característica de toda uma geração utilizando-se de maus exemplos é muito fácil. Os teóricos de primeira viagem se esquecem que a base de uma boa teoria é a observação contínua e prolongada. Os efeitos das atitudes da geração Y serão sentidos em muitos anos e não no presente. Certamente, desta geração surgirão também os gurus como Druker, Porter, Hammel e outros, exaltando os erros de observação dos teóricos do presente. A Geração Y suportará a revolucionária Geração X. Pense nisso!
    Sinto dizer que o Sr. não foi feliz em seu artigo e, como um dedicado e humilde pertencente à geração citada, sinto-me insultado por seus comentários e comparações.
    Devo admitir que, durante a pós-graduação, o MBA que concluo em 1 mês e, imagino que no mestrado que farei na Espanha no próximo ano, sofri bastante preconceito pela idade e “inexperiência”, mas, jamais pela arrogância e petulância, principalmente diante dos resultados que gerei, os quais poderia ter utilizado para me gabar. A Geração Y possui habilidades que cabem perfeitamente ao atual cenário, as quais não possuem os Babyboomers, da geração passada. Entre as principais características está a de saber lidar com os “novos entrantes deste mercado”, aqueles pertencentes à Geração X. Somos tradutores do passado e futuro.
    Agora, quanto ao futebol, sinto mais uma vez dizer que o que Neimar e Robinho fazem é expetacular. Não difere muito do que Pelé e outros marcantes jogares faziam. Jogo de futebol não se resume aos gols marcados. Futebol é uma arte e deve inspirar em qualquer parte do campo. As pessoas que se sentem ofendidas pelos dribles e jogadas mágicas, as danças etc, simplesmente estão fora do contexto e não fazem parte desta festa que é o esporta mais popular do mundo.
    Aconselho que repense seus conceitos e busque mais fontes para sustentar suas opiniões antes de publicá-las no Portal dos Administradores.
    De qualquer forma, o parabenizo, pois causou muita discussão com seu artigo e isso é muito importante!
    Um abraço,
    Adm. Rafael S. Fonseca

  6. Rodolfo,
    Concordo que fui ofensivo em meu discurso e saliento o quão saudável é o debate acerca do tema. Concordo também que reagi imediatamente ao artigo, sentindo-me ofendido, já que percenço à geração citada e, portanto, às observação feitas. E mais… concodo ainda que me utilizei de títulos para tentar ressaltar minha capacidade de opinar sobre o tema e lhe peço desculpas por todas estas observações colocadas por mim em momento inoportuno. Foram realmente desnecessárias.
    Mas, convenhamos que somos dois “teóricos de primeira viagem”, tentando dissertar sobre um tema extremamente relativo e polêmico, apesar da experiência acumulada e vivência que tivemos nestes 24 e 28 anos. (É esta a sua idade?)
    Confesso ainda, que sofri muito o preconceito imediato da geração anterior quanto ao simples fato de serem mais velhos. Sem querer generalizar, mas os executivos anteriores à década de 80, que hoje tem acima de 30 anos carregam em si uma soberba maior do que aquela apresentada por maus representantes da Geração Y, como Neymar, pelo fato de serem mais velhos e “teoricamente” mais competentes. Felizmente idade não é sinônimo de competência e, ao longo dos cursos que participei eles foram percebendo que tanto eu como outros de mesma idade tinhamos muito a acrescentar, tornando-nos, até mesmo, líderes em nossas atividades.
    Isto posto, vamos às críticas construtivas e à complementação de seu artigo, sem ofensas e em tom humilde:
    – Segundo alguns teóricos, os pertencentes da Geração Y são aqueles nascidos entre 1980 e 89, sendo assim, você também pertence a esta geração. Provavelmente curtimos os mesmos brinquedos, as mesmas brincadeiras de rua e assistimos aos mesmos desenhos na TV;
    – Considerando que você pertença à geração, releia seu artigo e imagine-se recebendo as informações alí escritas. Relate como se sente ao ser descrito como uma pessoa mimada, petulante, arrogante, sem limites e desrespeitosa, como o que fez com os jogadores e todos os membros Y;
    – Quanto ao futebol, devo sustentar meu ponto de vista e o da maioria dos leitores do artigo: é uma arte e deve inspirar em qualquer parte do campo. As pessoas que se sentem ofendidas pelos dribles e jogadas mágicas, as danças etc, simplesmente estão fora do contexto e não fazem parte desta festa que é o esporte mais popular do mundo. Mesmo os dribles de bola parada tornam um lance parado algo expetacular. Tais jogadas diferem muito do que fez o Edílson, no jogo do Corinthians contra São Paulo ou Palmeiras (não me recordo), em que ele começou a fazer embaixadas na frente do adversário e recebeu, claro, um chute, o que se tornou uma confusão enorme. Veja a opinião do goleiro Marcos, um jogador bem esclarecido do Palmeiras, ao dizer que as danças do Santos são super saudáveis, o que torna o futebol a festa que deve ser (mesmo estando jogando contra o time e perdendo).
    – Sobre a análise em si, devo sugerir uma busca mais aprofundada, a qual poderá ser realizada por meio da consulta a profissionais de RH, especialistas teóricos, empresários, professores, pesquisadores do Brasil e exterior. É um tema muito complexo para ser abordado com tanta certeza sobre a verdade, concorda? Sei que se trata de sua opinião, mas, como você mesmo disse, é preciso ter cautela quanto o que se escreve, para não cairmos no senso comum, não acrescentando muito ao conhecimento mas sim, ofendendo as pessoas.
    Enfim, independente do resultado de nosso debate, devo agradecer-lhe por me colocar diante do espelho, mostrando-me os equívocos de comportamento e por dedicar parte do seu tempo, assim como dediquei parte do meu, para a disseminação do conhecimento administrativo. Nos atenhamos a isso!
    Um abraço e sucesso!
    Adm. Rafael S. Fonseca

  7. Olaá Rodolfo,
    Infelizmente discordo com o que foi postado por você.
    A geração muda conforme o mundo muda!
    Não temos que aceitar certas atualizações do mundo, mas sim, primeiramente, haver uma compreensão com cada indivíduo, até porque muitos não tem a oportunidade que nós temos de conhecimento.
    Você confundiu muito as coisas.
    Sua geração X não igual a geração Y, isso é certo!
    Primeiramente, deve-se haver o respeito e educação, pois quando faz um julgamento para alguém, três são voltados para si próprio.
    Atte
    Adm Ayrton

  8. Rodolfo,
    Descordo muito do que você relatou.
    Ser da geração Y não é sinonimo de má criação ….(acredito que você precise pesquisar mais sobre o assunto antes de sair ofendendo todo uma geração de jovens)
    Eu sou geração Y e com orgulho, sei que tenho potencial e muitos diferenciais que o mercado exige …que outras geração passadas não conseiguiu absorver , e se você acha isso de uma geração que tem visão de futuro ..imagine quando você começar a pesquisar sobre uma geração mais nova ..chamanda geração Z(que no momento ainda são crianças e adolescentes).
    Adm Keila

  9. O Bom, o Mau e o Neymar

    Todos nós temos nossas forças e fortalezas, certo? (Bem, nem todos, OK, mas quase todos.) E se você precisar optar entre acabar/amenizar uma deficiência, ou melhorar/ampliar algo em que é bom, qual dos dois você escolheria? Saindo do lado pessoal…

  10. O que me deixa assustado é a relação desta geração com os pais.
    Nasci em 77 e a relação com meus pais eram de respeito, jamais poderia levantar a voz e se fizesse algo errado com certeza seria punido de alguma forma (Entendam os pedagogos como justa ou não,e se a lei da palmada estivesse valendo o meu pai seria preso certamente….rsssss, Enfim, cresci e no meu caso não há trauma e sim gratidão.
    Hoje os filhos levantam a voz para os pais. Se os filhos de hoje não respeitam os pais, então eles acabam não respeitando ninguém. E tem mais…se eles fazem algo errado os pais tentam acobertar os filhos. Vide o caso da Cissa Guimarães. Se pararmos para pensar os dois estavam errados, muito mais errado, em elevadíssimo grau o condutor do veículo.
    Mas o que o pai faz? Tenta esconder o carro, da propina a polícia para acobertar o erro do filho e etc.
    Sinceramente, essa nova geração é assim porque tem de ser. E o grande responsável são os pais. Esse texto, mas do que direcionado para geração Y deve ser para os pais de hoje da geração X, que mimaram excessivamente a geração Y e continuam mimando a geração Z.

  11. Geração narcYso

    Semana passada publiquei no meu blog um texto falando sobre a recente malcriação de Neymar, o craque do Santos. Em Geração neYmar, analiso por que o jogador simboliza tão bem alguns traços da Geração Y: “Vive as delícias de ser um astro, mas recusa-se …

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