Eu vejo o futuro repetir o passado…

Esses dias durante uma conversa sobre o futuro, um amigo disse que nossas ações determinam o futuro. Ao que respondi “então prepare-se para um choque, pois é exatamente o oposto: é o futuro que determina nossas ações!”

6a00e554b11a2e88330133f5bedaed970b-150wi Apesar de bizarra, esta afirmação é sustentada por uma lógica impecável, como explica Bruce Bueno de Mesquita em The Predictioneer’s Game: Using the Logic of Brazen Self-Interest to See and Shape the Future (Random House, 2009). Para ele, nossa tomada de decisão leva em consideração os possíveis resultados (futuro) de nossas ações atuais (presente) e, portanto, decidimos o nosso presente baseados no nosso futuro – ou nas suas possibilidades. Louco, né?

Mesquita é um estrategista que criou modelos matemáticos para realizar previsões em ambientes complexos, simulando centenas ou milhares de cenários distintos.

Sua maior habilidade reside em conseguir transformar frases em números ou, como ele mesmo conta, “(…) os especialistas comunicam-se em sentenças. Modelos lidam com números. Então parte do meu trabalho é transformar sentenças em números que o computador possa mastigar”.

Para conseguir taxas de acerto muito superiores aos demais consultores de serviços de inteligência, ele vale-se de duas estratégias principais – que tive o prazer de mostrar ao meu amigo:

1. Entender corretamente as motivações por trás dos atos de cada pessoa envolvida na situação, pois tudo o que se faz tem uma finalidade – por mais absurda que possa nos parecer. Não se pode prever o comportamento de um homem-bomba sem entender que sua motivação é encontrar 72 virgens no paraíso. Também não se projetam as ações da Madre Tereza de Calcutá caso se ignore seu objetivo de ir para o Céu. Independentemente da nobreza – ou torpeza – das intenções, são elas que motivam os comportamentos;

2. Definir precisamente a pergunta que se quer responder. Para uma resposta precisa, deve-se fazer uma pergunta objetiva e com escolhas reais. Não se pode perguntar quem vai ganhar o conflito entre árabes e palestinos, porque “ganhar” é um conceito vago neste contexto.

A surpresa que meu amigo experimentou ao ouvir este conceito foi muito parecida com a minha ao lê-lo, no ano passado. E por ser um conceito contraintuitivo temos certa dificuldade em aceitá-lo – embora sua irrefutável lógica seja muito tentadora. A verdade é que precisamos nos habituar a novas formas de enxergar o mundo tomar decisões, pois as antigas estão… antigas!

 

4 pensamentos em “Eu vejo o futuro repetir o passado…”

  1. Olá Rodolfo,
    “decidimos o nosso presente baseados no nosso futuro – ou nas suas possibilidades.”
    Não sei se entendi equivocadamente a ideia do autor, mas a mim ela pareceu muito óbvia e pelo menos no meu cotidiano, algo normal. Melhor eu ler o livro pra entender direito….
    boa dica… obrigado!

  2. Terremotos e corrupção

    Um recente estudo publicado pela Universidade do Colorado aponta que 83% das mortes causadas por terremotos ocorrem em países corruptos. Os pesquisadores Roger Bilham e Jim Scott cruzaram dados dos óbitos resultantes dos tremores de terra com os índice…

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