Retrospectiva 2010

Segundo o Google Analytics, quase 160 mil pessoas passaram pelo blog neste ano – um número do qual me orgulho muito, depois de mais de dois anos do início do Não posso evitar…

2010 não foi um ano tão prolífico quanto o anterior: escrevi apenas 69 textos. OK, não foi tão pouco assim, mas ficou longe dos 118 exclusivos aqui publicados em 2009.

6a00e554b11a2e883301116863c15e970c-320wiO campeão do blog continua a ser o texto sobre Procrastinação (Amanhã eu escrevo) – o que representa, aliás, um contrassenso, já que ninguém deixa para depois a tarefa de lê-lo – mas, certamente, encontra o texto durante alguma pausa preguiçosa.

Entre os mais lidos em 2010, o primeiro efetivamente escrito neste ano aparece somente em 19o lugar: O canhoto, este ser sinistro (07/04). Sete posições adiante, O golfinho benevolente e a vitória da autoajuda (14/03). O fato de os textos mais lidos serem os mais antigos pode muito bem ter a ver com os links espalhados por aí, ou com o fato de 36,59% do meu tráfego ainda vir do Google. Ou porque eu já fui melhor nisso…

De qualquer forma, não vai fazer sentido comentar pelo ranking e, por isso, farei uma relação daqueles que mais gostei de escrever. Veremos, assim, se o meu gosto bate com o seu ou se realmente você só cai aqui por acidente.

UM ANO DE CRÍTICAS

Mais do que nos anos anteriores escrevi algumas críticas um tanto quanto fortes sobre o comportamento humano – tema pelo qual, aliás, nutro um profundo interesse.

Após os trágicos terremotos que sacudiram o Haiti logo no início do ano, impressionou-me a capacidade de mobilização das pessoas em determinados momentos, em oposição a uma total indiferença com o mesmo objeto em períodos menos turbulentos. Em Haiti: o apêndice global (14/01), ressalto a semelhança entre este comportamento à inflamação que chega sem aviso: você só percebe que o apêndice existe quando dói. Mas no caso do Haiti, onde dói? Por que você se preocupa? E por que se preocupa mais com o haitiano do que com o seu vizinho?

Parte deste comportamento pode ser atribuído à forma como a mídia explora tais catástrofes. A viralização da violência (04/06) mostra como tragédias são transformadas em notícias e exploradas como mercadoria. Pouco antes, A TV é um meio sem princípios nem fim (21/04) já havia iniciado uma análise sobre o impacto da televisão sobre a formação da sociedade e sua influência sobre as gerações.

6a00e554b11a2e883301348009ce2c970c-300wi Um dos grandes eventos da televisão em 2010 foi, por sinal, o fim de uma das mais celebradas séries da história. Por que o final de Lost foi tão bom? (30/05) especula que mesmo que você tenha se decepcionado enormemente com os últimos capítulos, dificilmente você admitirá que foi enganado durante seis anos.

Por falar em enganação, minha cruzada contra os livros de autoajuda receberam o apoio do ótimo Bright-sided: How the Relentless Promotion of Positive Thinking Has Undermined America, escrito por Barbara Ehrenreich. Baseado neste livro, escrevi uma pequena série mostrando como o otimismo exagerado pode ser ruim, na medida em que nos distancia da realidade. Confira em O motor do consumismo e a morte da iniciativa (06/03), Do pessimismo calvinista ao otimismo paralisante (10/03) e O golfinho benevolente e a vitória da autoajuda (14/03).

LIVROS E CONCEITOS INTERESSANTES

Duas publicações mereceram destaque por aqui neste ano: The Upside of Irrationality (26/06) escrito por Dan Ariely inspirou três textos publicados aqui antes mesmo de o livro ser traduzido para o Português (Positivamente Irracional). Depois de nos mostrar o quão irracionais nossas atitudes são, Ariely explora o lado positivo de nossas pequenas incongruências. The shallows: a superficialidade da inteligência (14/10), por outro lado, faz um oportuno alerta à forma como nossas mentes estão sendo mudadas pelo contínuo consumo das novas tecnologias. Este texto serviu-me, também, para abrir caminho para uma improvável entrevista com Nicholas Carr, autor do livro.

Um grande especialista em Persuasão. Ao seu lado, Robert Cialdini
Um grande especialista em Persuasão. Ao seu lado, Robert Cialdini

Indo um pouco mais a fundo noutro tema pelo qual também me interesso bastante, fui assistir à palestra de Robert Cialdini (05/10) no Fórum Mundial HSM de Negociação. Sua revisão dos Seis Princípios de Influência foi magistral e, ao fim, a boa notícia de que um novo livro está a caminho.

Os ensinamentos de Cialdini são ótimos exemplos de como algumas de nossas atitudes estão longe daquilo que a teoria nos ensina – ou poderia nos ensinar caso a conhecêssemos melhor. Algumas dessas atitudes foram ilustradas em Dicas de um pai que nunca foi (07/01) e Mais dicas de um pai que nunca foi (19/02), explicando porque às vezes as melhores intenções podem ter efeitos opostos.

UM POUCO DE DIVERSÃO, AFINAL

Para quem gosta tanto de cinema, o ano não poderia ter ficado sem a sua dose de textos sobre filmes. Depois de fazer uma revisão sobre Meus filmes favoritos da década de 2000*, percebi que boa parte dos meus prediletos haviam sido produzidos no período anterior. Por este motivo escrevi sua continuação às avessas: Meus filmes da década de 1990 (01/08).

Por fim, 2010 marcou também a mudança de layout e domínio (01/11) do site, na busca por um visual mais clean e agradável de se ler, além de facilitar a visitação através do www.naopossoevitar.com.br. Aliás, você se lembra como era o visual anterior…?

Isto posto, espero poder produzir coisas tão bacanas (baixa autocrítica) em 2011 e contar novamente com a sua visita!

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* Este texto não tem data porque precisei roubar para encaixá-lo aqui: ele foi escrito em 31/12/2009.

4 pensamentos em “Retrospectiva 2010”

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