Médico bandido, professores inocentes

Uma reportagem na TV denunciou um médico do interior de São Paulo vendendo atestados médicos. Por R$ 50,00 o Dr. Isidro João Camacho liberava funcionários públicos do trabalho pelo tempo que quisessem na pequena cidade de Severinia, a 431 km da capital.

6a00e554b11a2e88330147e2d0c3fb970b-250wi Dois detalhes chamam a atenção: Dr. Camacho é ex-prefeito da cidade e os funcionários picaretas são professores.

A Secretaria de Educação do município desconfiou do fato de 196 professores terem apresentado 200 atestados médicos em 2010 – sendo a maioria assinados por, adivinhe, Isidro Camacho. A reposição das aulas custou R$ 250 mil à cidade.

Um dos atestados, inclusive, foi protocolado três dias antes de o professor ficar doente. Certamente ele não dava aulas de matemática nem de biologia.

A curiosidade da reportagem foi apontar o médico como o grande e único vilão da fraude. Mas e os professores? Nenhuma palavra foi dita, durante a reportagem, sobre a deplorável conduta de quem deveria dar exemplo de honestidade.

O médico foi pego em flagrante. Mas há provas da conduta ilegal e criminosa dos professores. Todos estão errados e devem ser exemplarmente punidos.

Mas faço duas tristes previsões:

.: O médico não terá o seu registro cassado, pois os Conselhos de Medicina são corporativistas e protegem seus afiliados – mesmo os comprovadamente criminosos.

.: Nada vai acontecer aos professores. Sinceramente eu não sei explicar essa parte. Talvez o brasileiro não veja nada errado em matar o trabalho e considere o atestado falso algo normal. Quem sabe enxergue o professor acima do bem e do mal. Ou acredite que o corruptor e único culpado da história seja o ex-prefeito-médico.

São todos picaretas. Todos cometeram crimes. Envergonham seus pares e mancham suas profissões. Mas se ninguém se importa. Então que fique como está e todos mereçam seus rótulos.

5 pensamentos em “Médico bandido, professores inocentes”

  1. Sinceramente, acho um absurdo comentar esse tipo de post. A sociedade atual é falsamente moralista.
    Num meio totalmente comercial, por que todos podem vender seus serviços menos o profissional de saúde?
    Sou médico e, sem brincadeira, já pensei em anunciar meus atestados no Peixe Urbano. Tenho certeza que iria bombar!

  2. Marcel, não sei se entendi direito, mas você não vê nada errado em um médico vender atestados para pessoas que não estão doentes?
    Uma coisa é o médico anunciar seus serviços, ou de sua clínica – o que acho perfeitamente normal. Outra é ele oficializar um diagnóstico sabidamente falso.
    Você daria (ou venderia?) um atestado para seu filho ir à praia, em vez de à escola?
    E se em vez de ser pago pelo paciente, o médico for pago pela prefeitura, dizendo que todos os funcionários estão aptos para o trabalho, quando na verdade estão doentes?

  3. Rodolfo, desculpe a brincadeira.
    Não sou médico, nem concordo com esse tipo de postura que descrevi. A intenção do meu comentário foi apenas de esquentar a discussão.
    Mas a cultura brasileira é a do jeitinho. Como você mesmo exemplificou, muitos procuram atestados médicos para justificar ausências dos filhos nas escolas, quando o motivo real é uma viagem à praia.
    Os filhos crescem entendendo que não há nada de errado nisso e a prática se propaga…
    Quando se encontra um médico que oficializa diagnósticos sabidamente falsos fica ainda mais fácil.
    E o pior é que isso já é tratado com naturalidade. É tão comum que já ficou banal. Toda cidade (e todo bairro) tem gente que facilita a emissão desses documentos.
    Enfim, desculpe a brincadeira.
    Que possamos continuar fomentando a indignação.
    Um abraço.

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