Mercado livre. Livre de concorrência.

Na década de 1980 era proibido importar determinados produtos, como automóveis e computadores. Outros, como ocorre até hoje, sofriam uma pesadíssima tributação – o que, na prática, funcionava como uma proibição branca.

A justificativa para esta afronta ao livre comércio era proteger a indústria local de concorrência predatória dos importados permitindo, ao mesmo tempo, que ela se desenvolvesse e ajudasse no progresso do país.

Hoje isso até faz sentido num mercado globalizado, mas 30 anos atrás não havia luz elétrica na China e na Índia o transporte era feito por carros de boi.

Viva a indústria nacional!
Viva a indústria nacional!

O que os legisladores burocratas não previram é que este tipo de regulamentação funciona em qualquer parte do mundo – exceto no Brasil.

A falta de um concorrente externo, em vez de estimular a criação tupiniquim, apenas agravou nossa preguiça tropical. Com o monopólio garantido por lei, a indústria nacional parou no tempo. E elevou os preços.

O resultado disso é que nosso referencial de preços foi irremediavelmente afetado e nos acostumamos a tudo ser absurdamente caro aqui, em comparação com os preços lá fora. Achamos normal pagar R$ 1.800,00 por uma câmera fotográfica que custa US$ 270,00. Não reclamamos de um carro custar aqui o dobro do que se paga nos EUA ou na Europa.

Um efeito colateral disso é que os serviços também ficam absurdamente caros. Um técnico teve a coragem de me cobrar R$ 140,00 para trocar o LCD da minha câmera. Fora a peça em si, custa R$ 375,00, mas em qualquer site de eletrônicos lá de fora sai por menos de US$ 30,00. Só que para ser autorizado pelo fabricante, ele tem que pagar o preço abusivo do fabricante (que começa com Pana e termina com sonic).

Duas aberrações:

1. Um semianalfabeto manuseando um ferro de solda numa loja fedorenta na Zona Sul de São Paulo cobra o equivalente a uma consulta de um neurocirurgião;

2. Enquanto a diferença de preços for de 680%, aumentar o IOF de 2,38% para 6,38% não vai nem fazer cócegas.

Se este aumento de imposto não serve para reduzir os gastos no exterior, dada a disparidade de preços entre aqui e lá fora, para que serve, então?

8 pensamentos em “Mercado livre. Livre de concorrência.”

  1. Se este aumento de imposto não serve para reduzir os gastos no exterior, dada a disparidade de preços entre aqui e lá fora, para que serve, então?
    Poxa Rodolfo, eu sei que você sabe a resposta!!
    EU SEI!
    O motivo é o que tira todo o orgulho que eu poderia ter de ser brasileiro…

  2. HAHAHAHAH e Rodolfo, ficou puto por causa do preço que o cara te cobrou que acabou até fazendo um post especificamente pra isso heim? Já vi isso acontecer com meu amigo, quando um mecânico cobrou $300 reais por uma mão de obra, e esse meu amigo não cobrava nem perto desse valor por uma consulta veterinária (ele já tinha doutorado)…. realmente é lástimavel

  3. Só me preocupo com as comparações. Qual o problema de um soldador capacitado ganhar o mesmo de uma simples consulta de um neurocirurgião? Ou de um mecânico cobrar 300,00 por um serviço?
    Tem muita coisa em jogo nestes casos, acho que vocês não foram felizes nas comparações.
    É o típica divisão de castas indiano…

  4. Boa Rodrigo. De tudo que li o que mais me chamou a atenção foi a colocacão chucra do autor a respeito do tecnico.

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