Os ingênuos de Wall Street

Acompanho intrigado as recentes manifestações anticapitalismo anti-imperialismo, cujo símbolo maior é a ocupação de Wall Street, ícone do regime econômico dominante. Em virtude de seus princípios e objetivos, fico até comovido com a inocência dos participantes, a infantilidade das manifestações e a incoerência dos argumentos.

Como lembrou Clemente Nóbrega em sua lúcida coluna Ocupar Wall Street? Claro, por que não? Pensando bem, por que sim?, o capitalismo é o resultado esperado da vida em comunidade. Desde que deixamos de ser nômades caçadores/coletores e estabelecemos as primeiras civilizações, a troca de bens e serviços faz parte dos alicerces da sociedade.

- Vocês precisam de um iPad mais rápido...
– Vocês precisam de um iPad mais rápido…

O desenvolvimento das técnicas que otimizaram a agricultura, a pecuária e a pesca, aumentou a produção de alimentos – o que proporcionou a sobra de outro valioso recurso: o tempo.

Além de dar início ao comércio dentro e fora das comunidades, este incipiente progresso levou ao desenvolvimento das artes, da engenharia, da astronomia e, last but not least, das finanças.

Diversas simulações em computador já mostraram que o surgimento do capitalismo é um caminho natural comum a várias espécies, independentemente da sua complexidade, como conta Eric Beinhocker em Origin of Wealth: Evolution, Complexity, and the Radical Remaking of Economics.

Os exemplos são abundantes na natureza: abelhas e formigas organizam-se em rígidas hierarquias hereditárias – e nem por isso as operárias fazem motim na colmeia ou no formigueiro. Bandos e manadas de mamíferos trabalham por seus machos alfa – e nem por isso fazem greve, embora em quase todos os casos haja fome e abusos.

Mesmo que os mais puristas torçam o nariz, a acumulação e concentração de riqueza e/ou poder é quase inevitável com o avanço de sociedades mais complexas.

A ainda recente derrocada de sistemas alternativos – como o socialismo e o comunismo –  mostra que regimes igualitários falham por não levar em consideração outro elemento intrínseco à natureza humana: a motivação.

Quando o resultado final é fixo e garantido, não há incentivos para fazer mais nem para inovar – e o resultado (previsível) é a estagnação. Tais sistemas não impedem, tampouco, a perigosa acumulação de poder, nem a supostamente indesejável concentração de riquezas. Além disso, são terrenos férteis para a corrupção e outros abusos de autoridade.

- Vem na minha que eu te banco!
– Vem na minha que eu te banco!

Mercados mais livres e competitivos, por outro lado, incentivam a criatividade, premiam a ousadia e recompensam o trabalho duro.

Nestes ambientes, a Medicina trouxe drásticas melhorias na expectativa e (veja nos Comentários) qualidade de vida. A Ciência iluminou, saneou e abasteceu cidades inteiras e a Administração, por sua vez, tornou tudo isso possível.

Claro que também tivemos a bomba atômica, a poluição e o Restart, mas ninguém está dizendo que o progresso tem apenas uma via.

O fato é que tudo isso tornou-se possível apenas em função do dinheiro. Mas um dinheiro que não existia de fato. Um dinheiro criado a partir de algumas premissas do capitalismo. Um dinheiro vindo de financiamentos e investimentos. Um dinheiro vindo de Wall Street.

A grande questão, então, não é o progresso em si – mas a velocidade cada vez maior com que queremos o progresso. Cada vez queremos mais coisas, cada vez queremos coisas melhores. Wall Street está aí para atender a este nosso desejo, à nossa ambição.

O mundo vive hoje um nível de consumismo incompatível com os valores que desejamos abraçar. Fazemos fila na porta da Apple para comprar aparelhos fabricados por trabalho escravo – que combatemos. Batemos palmas para os carros elétricos que precisam de usinas nucleares ou hidrelétricas como Belo Monte – que combatemos.

A incoerência das aspirações sociais e ecológicas frente àquilo que apontamos como a origem de todo o mal é gritante – exceto para os manifestantes. São multidões vestidas de Levi’s, amealhadas pelo Facebook, entretidas por iPods, portando cartazes made in HP, renegando seus próprios símbolos e modos de vida.

Se clamam por melhor regulamentação do mercado financeiro, então o motivo é justo, mas o endereço está errado. Este é um papel do governo, não dos bancos ou bolsas de valores. Políticos e governantes deveriam ser os alvos dos protestos. Ou, ainda, quem escolhe os políticos.

- Greed is good!
– Greed is good!

O ritmo da atual economia é ditado pela eterna equação oferta x demanda. A primeira atende à segunda, em vez de criá-la. Se o dinheiro rola num nível frenético é porque você quer trocar de carro, comprar outro celular e ir para Miami nas férias. Para fazer compras.

Se a população está endividada até o pescoço é porque ela não se incomoda em pagar 100% de juros num sofá novo. É atribuir ao traficante a responsabilidade pelo seu vício.

Como sugerem Levitt e Dubner em Superfreakonomics, muitos culpam quem fornece bens e serviços considerados prejudiciais, em vez de quem os consome.

Ambição e consumo não são desejos inerentemente perniciosos. Deve-se apenas considerar os efeitos colaterais de seus excessos. Na economia, assim como na medicina, a diferença entre o remédio e o veneno está na dose.

23 pensamentos em “Os ingênuos de Wall Street”

  1. Prezado, alguém está pedindo para acabar com o capitalismo e substituí-lo por qualquer outra coisa? Acho que não, né? O que se deseja é mais distribuição da riqueza. Não dá mais para poucos ganharem muito e o resto que se vire. Ademais, seu texto é confuso pois parece que critica os “ingênuos”, mas ao mesmo tempo usa de afirmações deles. Usando suas próprias palavras: “O mundo vive hoje um nível de consumismo incompatível com os valores que desejamos abraçar” – é ingenuidade achar que isso é só fruto das pessoas, que é natural. É ingênuo considerar o poder da mídia, da propaganda de massa, etc. “Deve-se apenas considerar os efeitos colaterais de seus excessos” – é ingênuo controlar só os excessos, há que se buscar o bem comum e pensar no futuro. Não dá para aceitar o “faça o mal, mas cuide do excesso para que não seja muito mal, mas pode ir ao limita da malvadeza”. “Na economia, assim como na medicina, a diferença entre o remédio e o veneno está na dose” – é ingênuo achar que o sistema financeiro é quem deve decidir qual é a dose certa – o paciente está dizendo: doutor, não está resolvendo!!! O “doutor” precisa ouvir o paciente.

  2. Olha, eu apóio o movimento na tal Wall Street não para acabar com o capitalismo (até pq nem acredito nisso), mas para dar um basta nesse poder todo que o pessoal de lá tem. Cadê a regulação para esse pessoal? O poder deles é tamanho que nem após a crise de 2008 os governos baixaram regulação alguma. E o pessoal que perdeu casas lá nos EUA viu bem como as ações do mercado financeiro pode ser prejudicial e influenciar diretamente a vida. Há que se limitar os fluxos especulativos por meio de normas jurídicas sancionadoras, ao menos. Mas, né, os nossos governantes se rendem aos interesses do sistema financeiro… e nada sai.
    Tudo isso me faz questionar a nossa democracia. Poder de mercado vale mais que voto, vale o governo, a tomada de decisões.

  3. Sua argumentação tem todos os elementos da lógica, mas não fecha. Minha mãe tinha um ditado que dizia mais ou menos assim: ” você está certa, mas vai presa assim mesmo..”. Quando eu tentava retrucar uma de suas ordens a qual discordava.
    Sou simpática ao movimento pelo que ele representa, uma busca à democracia direta. A democracia representativa está morta. Podre e morta. Não se sustenta mais.
    Sobre esse movimento, o documentário “Inside Job” – ganhador do Oscar desse ano – mostra muito bem onde leva esse poder desmesurado das corporações financeiras. Assim como o doc canadense ” The Corporation”, ele desvenda alguns bastidores desse mundo atrelado ao dinheiro, que sinceramente, gostaria de ainda viver na idade de inocência e não saber de nada do que foi mostrado. Ingenuidade é defender o estado das coisas como estão hoje, fechar os olhos para os descompassos do que está ocorrendo e achar que isso deve continuar desse jeito.
    Enquanto houver casas Bahia vendendo no crediário em 12 vezes, o brasileiro vai continuar em sua zoninha de conforto e não vai fazer nada e aqui continuará sendo o paraíso do Bancos e das montadoras.
    Qual o problema em fazer parte desse movimento e usar iPhone? Não entendi esse argumento. As coisas não são lineares, meu caro e nem as pessoas são planas.

  4. Qual o problema em fazer parte desse movimento e usar iPhone?
    O problema é que quem usa o Iphone faz milhões e milhões circularem nas bolsas, tornando a Apple a maior empresa em capitalização do mundo…
    ..
    o movimento é hipócrita.. se você não entendeu, releia a coluna com mais atenção.

  5. Exato, João Pedro. Este é o problema que vejo nestes movimentos: combatem de um lado, adoram de outro. E ainda: são seus próprios hábitos de consumo que fazem Wall Street prosperar. Querem fazer um movimento realmente coerente? Então reduzam drasticamente o consumo. Isso vai chamar a atenção de Wall Street.
    Abraço, Rodolfo.

  6. Não sei o que é mais legal, se é ler os posts ou os comentários.
    Tá… os posts são melhores, mas os comentários…
    Adorei o “…Claro que também tivemos a bomba atômica, a poluição e o Restart, mas ninguém está dizendo que o progresso tem apenas uma via…”
    Abraço!

  7. Peraí, quem vc tá chamando de ingênuo?
    Olha no que vc acredita…
    “Mercados mais livres e competitivos, por outro lado, incentivam a criatividade, premiam a ousadia e recompensam o trabalho duro.”
    Recompensam o trabalho duro? Aham…
    Vc quase entendeu o recado da mobilização. A questão não é trazer o Socialismo/Comunismo de volta. A questão fundamental é mostrar como os hábitos de consumo da sociedade é q ferram com a sociedade…
    Por isso eu digo que vc quase entendeu o recado:
    “O ritmo da atual economia é ditado pela eterna equação oferta x demanda. A primeira atende à segunda, em vez de criá-la. Se o dinheiro rola num nível frenético é porque você quer trocar de carro, comprar outro celular e ir para Miami nas férias. Para fazer compras.”
    Só de induzir textos questionando o consumo, assim como o seu, vemos q a mobilização atingiu parte de seus objetivos.
    abç

  8. Um mundo sem líderes e bandeiras, é o que vejo hoje. Não existe um idealismo inocente e patético que aconteceu aos jovens dos anos 50 a 70 do século passado.
    Falaram tanto em democracia que ela virão uma logomarca blindada e resposta chave para qualquer debate.
    Certo ou errado, no passado existiam contra-movimentos. Capitalismo vs. Socialismo/Comunismo, no momento atual, estão ficando ricos aqueles que apontam contra as corporações. Dizem eles que usam iPads contra o sistema, e que assim que derrubarem os opressores irão livrar o povo do mal. Quantas vezes isso se repetiu na história?
    Me lembrei de “Quando Explode a Vingança” do Sergio Leone, quando um irlandês, no meio da revolução mexicana resolve tomar partido em favor dos revolucionários, e por final ele termina descobrindo o obvio, todos lutam para conquistar o poder, e o sangue inimigo passa a ser invisível ao quociente moral e ético dos que estão ganhando a guerra.
    O capitalismo fez o mundo evoluir, o ultra-capitalismo está destruindo culturas, e a educação, formando alienados.
    Por mais que eu saiba que esses movimentos são tolos, ainda prefiro ver isso a uma inercia.

  9. Rodolfo, João Pedro e Maristela, com todo o respeito, mas não acho que é o uso dos iPods e iPads e outros iToys que é o alvo dos manifestantes. As empresas que produzem, geram empregos, geram riquezas e alavancam a economia, etc., são bem-vindas. A questão é o sistema financeiro que ganha muito mais que a maioria dessas empresas e não produz nada, só concentra riqueza… e pior, com a conivência de muitos governos. Esse é o alvo dos manifestantes, pelo menos na minha opinião.

  10. Pessoal, pelos comentários acho que não fui claro em algumas ideias contidas aqui. Senão vejamos:
    – Não estou dizendo que o povo está se manifestando contra o Capitalismo. Ao contrário. Como escrevi, o Capitalismo é um caminho natural da vida em sociedades. Seria o mesmo que protestar contra a Lei da Gravidade;
    – Também não disse que os protestos são contra os símbolos do Capitalismo ou do consumismo, como iPads e iOutros. Mas as empresas que colocam os gadgets mais modernos no mercado são as queridinhas do mercado de ações. Então é incoerente o cara protestar contra um sistema que fornece tudo o que ele mais preza.
    – Por fim, sustento que Wall Street é o símbolo de um modelo financeiro que proporcionou um formidável progresso nas últimas décadas. Foi graças ao dinheiro do mercado de ações que muitas empresas prosperaram e criaram os confortos da vida moderna. Por outro lado, algumas de suas recentes criações tornaram-se verdadeiras armas de destruição em massa. Derivativos e Hedge Funds são dois exemplos claros disso.
    Mas a correção disso não deve ser feita por Wall Street. Você não vai na casa do ladrão pedir que ele pare de roubar. Você chama a polícia.
    Abraços, Rodolfo.

  11. Olá Rodolfo, sinceramente acho que você se expressou muito mal, na primeira fase do texto você fala que o protesto é anticapitalismo e depois volta com a ideia de que os manifestantes usam ipods, calças levi`s e isto não faria o menor sentido em seu ponto de vista. Uma coisa não têm nada a ver com a outra, economicamente seu texto não faz o menor sentido, o livre comércio não é combatido pelos manifestantes(não sei se você leu o manifesto), ao contrário o protecionismo é o alvo de seus manifestantes pois ele só aumenta a discrepância entre os países e ricos e pobres. É combatido pelos manifestantes o excesso de poder adquirido pelos anos de não regulação do mercado financeiro que acabou criando bolhas que atingiram a economia real. Você faz uma confusão sem tamanho da importância de wall street para a economia, na verdade todas as bolsas de valores são mercados especulativos, não têm nada a ver com o desenvolvimento da economia real em si. O protesto se torna altamente legítimo de ser em wall street, seria estranho se fosse feito na frente do capitólio, como podemos ver na crise o estado não governa wall street e sim o contrário, o gasto de mais de 1 trilhão para salvar os bancos é a maior prova disso, onde capitalizam-se os lucros e socializam-se as perdas. O fato de você protestar não significa que você quer voltar a viver na idade das pedras, ou quer o comunismo ou socialismo e assim como estes o capitalismo de Adam Smith no papel é fabuloso mas hoje já se sabe ser impossível de ser implantado, o mercado que se auto-regula é um mito que já foi refutado “O mercado neoliberal fundamentalista foi sempre uma doutrina política a serviço de certos interesses. Nunca recebeu o apoio da teoria econômica. Nem, agora fica claro, recebeu o endosso da experiência histórica. Aprender essa lição pode ser a nesga de sol nas nuvens que hoje pairam sobre a economia global.”
    —JOSEPH E. STIGLITZ vencedor do Nobel de Economia de 2001.
    Dica: assista ao filme Inside Job, ganhador do Oscar de melhor documentário do ano passado, ela explica muito sobre a crise, além disso é legal dizer que a ambição é que move este movimento, a ambição por um mundo melhor, mais igualitário e sem rótulos. Yes, greed is good.

  12. O sistema econômico capitalista surgiu de necessidades primordiais de troca justas entre as pessoas. Até hoje, o pragmático “capitalismo” mantem seu foco apenas nos bens materiais (de consumo); e não saiu disso. Nesse sistema mesquinho, tudo parece justo e exato, mas a conta não fecha. Reparem: estamos todos aqui, trabalhando “de graça” para tentar resolver o problema do sistema econômico…
    A questão não é somente econômica. É também social, ecológica, espiritual… O ser humano precisa de algo maior que simples bens materiais. Quem realiza um importante trabalho sabe que o reconhecimento social pode valer mais que dinheiro… Claro que precisamos comer, vestir e sustentar algumas despesas primordiais, mas a verdadeira felicidade não está na posse de bens de consumo. Quer coisa mais entediante que viver para trocar constantemente de carro e de celular?
    O sistema para o qual o capitalismo deve evoluir é o que equacione também as outras necessidades humanas, que não só as materais.

  13. “Concordos”:
    O capitalismo nos dará o que pedirmos, é fato.
    Deve-se protestar contra o governo. Obama manteve todo o corpo criminoso que criou a crise de 2008.
    O capitalismo é realmente inevitável.
    Se usarem Levi’s e Iphone com a consciência de que estão dispostos a viverem sem, tudo bem, mas acho difícil.
    Imagino se o bolsa família criasse uma onde de inflação e corroesse a economia, a sociedade interromperia o programa? O governo americano não quis reduzir o acesso da classe média as casas (subprime), resultado crise.
    “Discordos”
    Temos basicamente duas diferenças sobre os animais, nascemos com a Lei Moral, o que nos permite admitir certo e errado, e pensamentos ruptivos, contraditórios, fazemos e desfazemos coisas conforme nosso consciente.
    Podemos reconfigurar o capitalismo, as melhores coisas que invetamos, foram através da união de outras coisas. O Capitalismo deve ser distributivo e sustentável.
    Deve ser um ciclo virtuoso, não um fim em si mesmo. Esse é o grande desafio.

  14. Muito bom André, esse é meu pensamento.
    Temos infinitas provas de que o homem não só se motiva por dinheiro. Isso é possível e uma reforma espiritual liderada por cada um é o caminho.
    Muito bom vídeo!

  15. A questão está justamente no excesso. Governos corruptos (independe se de direita ou esquerda) e banqueiros gananciosos (sem limite) estão na raiz das crises mundiais. E corrupção precisa ser entendido não apenas como o desvio ilegal de dinheiro, mas sim como qualquer desvio imoral. Se já ficamos estarrecidos com a corrupção ilegal, muito mais deveríamos ficar com a corrupção imoral!

  16. Olá, Rodolfo,
    Parabéns por este e outros textos. Encontrei seu blog por acaso há cerca de um ano (quando pesquisava no Google por NNT e me tornei fã). Apenas uma correção importante: a Medicina através dos séculos melhorou enormemente a qualidade de vida da população, mas não a expectativa de vida. Parece surpreendente e contraditório, mas é verdade. Apenas cerca de 5 anos da expectativa de vida foram prolongadas pelos avanços da Medicina durante o século XX. Para maiores informações, sugiro ler Jayme Landmann (já falecido), John Abramson e a nossa obra, publicada recentemente: Medicina – Fragilidades de um modelo ainda imperfeito. Caso tenha interesse, te envio um exemplar.
    Um abraço,

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