As redes e as redes

Uma das coisas mais divertidas que existem para usar como tema de um texto é pegar acontecimentos aparentemente desconexos e juntá-los num único post. Quase sempre você acaba tendo uma visão melhor de ambos os assuntos.

Pois bem, de um lado, um amigo perguntou o que eu achava sobre empresas utilizarem as mídias sociais para contratar funcionários. De outro, uma aflita confessa-se aliviada por cancelar sua conta do Twitter, depois de presenciar passadas de pernas, furadas de olhos e toda sorte de baixarias e futilidades.

Ambos os casos convergem para uma constatação: você é o que você expõe e você se torna o que você vê.

No caso das contratações, há muito mais fumaça do que fogo propriamente dito. Muitas empresas usam as redes sociais para divulgar vagas e atrair interessados, com a promessa de uma realidade bem diferente da que ele vai encontrar.

Normalmente, o encantamento inicial vai-se no momento em que você vai tuitar seu primeiro feito na nova empresa, ou adicionar seu colega de baia no Facebook e, em vez disso, recebe a seca mensagem: “Este domínio está bloqueado. Favor contactar o suporte técnico”. Seu status passa de namorado a ex-marido em segundos. Redes sociais são bonitas lá fora. Aqui dentro não pode porque prejudica a produtividade. Tóim!

A parte triste é que um estudo recente mostrou que as informações do Facebook podem ser ótimos indicadores do comportamento de uma pessoa no ambiente profissional. Está tudo lá – é só conferir. Segundo a reportagem, em dez minutos você já é capaz de ter uma boa ideia sobre como alguém deve se comportar profissionalmente.

6a00e554b11a2e88330168e7ed4ebb970c-320wiEu, por exemplo, relutaria bastante em contratar alguém cuja timeline está repleta de VSFS (Viva Sexta, Foda-se Segunda), ou o sujeito que diz que o ano começa na quarta-feira de cinzas.

Claro que você pode rechear o seu Facebook de mentiras ou de atitudes que não são suas – a bem da verdade, você já faz isso no seu Currículo há muito tempo.

A diferença é que, no Facebook, seus amigos não deixarão isso impune. Eles não terão nenhum escrúpulo em te esculachar. Afinal, o Facebook imita a vida.

Daí que chegamos no outro ponto da conversa, sobre a aflita que se torturou vários meses antes de deletar sua conta do Twitter: ora, assim como no Facebook – e na Internet inteira – você acompanha o que quer. Você lê o que te interessa. Você reclama porque precisa.

Se os seus amigos só falam besteiras, se um vive furando os olhos dos outros, o problema não está no lugar onde eles fazem isto (Facebook, Twitter ou Orkut), mas nos amigos que você tem. Ou você arruma amigos novos, ou para de ouvir os antigos.

Duas decisões que, nestes casos, estão ao alcance de um clique e não deveriam ser tão dolorosas.

Até porque, mesmo que você queira preservar sua relação com algum fanático religioso, preconceituoso, analfabeto e desinteressante, basta cancelar a assinatura de seus feeds e continuar amigo offline daquele acéfalo – sabe-se lá por qual motivo.

Do mesmo modo, nas redes sociais você diz o que pensa. Você escreve o que quer. Então, ninguém pode ser culpado pelas suas intimidades que estão trafegando na rede. Ninguém além de você mesmo. Ou mesma.

Se você bloqueia o conteúdo e só permite que alguns felizardos vejam, então você não está numa rede social. Você está num quartinho social. Aliás, num quartinho privado.

Quando você começa a considerar a possibilidade de fechar seus posts, seus tweets ou sua timeline, talvez seja hora de rever o que você anda escrevendo a seu respeito. Ou a respeito dos outros. Ou então os comentários que anda lendo. Algum dos dois não está te fazendo bem e, honestamente, a culpa não é da rede. A culpa é sua. Pelo que escreve ou pelo que lê – até porque uma coisa certamente interfere na outra.

Com a vida profissional é exatamente a mesma coisa: se você tem medo que seu chefe (atual ou futuro) leia suas atualizações, então das duas uma: ou você está escrevendo bobagens, ou está fazendo bobagens (e escrevendo sobre elas) – e nenhuma rede social tem culpa disso. Adivinhe quem tem…

Eu, por exemplo, escrevo inúmeras baboseiras aqui no blog, diversas sandices e múltiplas cretinices. Mas uma qualidade ao menos vocês, leitores, não podem me negar: sou consistente. Não faço questão de ser fofo ou miguxo (talvez até seja este o motivo pelo qual você ainda está aqui).

Mas eu sempre sei que tenho responsabilidade sobre o que escrevo e que, de muitas formas, isso define o meu caráter. Ao mesmo tempo, preciso conviver com o que os outros escrevem de volta. Na verdade eu não preciso, porque posso bloquear, cancelar ou deletar os Comentários.

Até hoje não precisei. Se um dia precisar, farei. Sem nenhum remorso. Porque isso aqui é o meu passatempo, a minha diversão (espero que a sua também!). No dia que o Não Posso Evitar… não for mais nenhum dos dois, lamento, ele morre. E prometo não ficar choramingando no Facebook.

3 pensamentos em “As redes e as redes”

  1. Fui inspiração pra um post seu, que grande honra! Concordo que vc pode escolher quem vc segue. E olha, eu dei unfollow em MUITA GENTE. Muita gente ficou ofendida inclusive, mas eu nem liguei. Mas optei por sair do twitter por outro motivo. Pelos RTs da gente mala sem alça que fiz questão de dar unfollow mas continuavam aparecendo porque meus amigos seguem essas pessoas e curtem o que elas escrevem! Aí esses me matavam. Um festival de mediocridade com o qual me recusei a conviver.
    Beijo, rabugento favorito.
    🙂

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