Agência de futebol ou time de marketing?

Nem esfriou o meu texto sobre o péssimo momento do futebol brasileiro e já vemos outras claras demonstrações de que o cenário pode ser mais sombrio do que parece.

Desde que o esporte tornou-se um negócio multimilionário, o futebol em si caiu para segundo plano. A principal razão de ser dos grandes clubes de hoje é gerar dinheiro, não importa como, ironicamente para pagar um elenco que cada vez mais afasta-os do seu real core business: ganhar jogos, conquistar títulos.

A primeira pixotada veio do Palmeiras: uma campanha online para arrecadar o valor necessário para a contratação do jogador Wesley (quem???). O Palestra precisa de R$ 21 milhões até o dia 25 de março para pagar o passe do jogador, que pertence ao Werder Bremen.

Como de praxe, o clube compra sem ter dinheiro, assume um compromisso financeiro sem saber como vai saldá-lo. E aí pede pinico à torcida: doe R$ 100,00 para ter o craque no seu time. Hein? Craque? Quem é Wesley? Até ontem, R$ 341.100,00 haviam sido arrecadados, segundo informa em sua coluna Cosme Rímoli, o repórter que não conhece parágrafos.

Outra dúvida que fica no ar é a seguinte: o que acontece depois, quando o cluber revender o jogador? O dinheiro é devolvido aos que fizeram as doações? Outra pegadinha dessa presepada é que, como se diz, dinheiro não tem nome. Então, como o torcedor saberá que sua doação não será revertida em nababescos salários para gestores canhestros?

E o Jackie Chan continua sem contrato...
E o Jackie Chan continua sem contrato…

Aí vem o Corínthians, atual campeão brasileiro e dono da segunda maior torcida do Brasil (a primeira é a do Flamengo, diga-se) e contrata um jogador chinês, de futebol de salão, de um time da segunda divisão em seu país.

Chen Zhizhao tem 23 anos, 1,70 m e 61 kg. É um franguinho, mesmo comparado a Liédson e Jorge Henrique. Mas sua vinda, explicam os arrojados dirigentes corintianos, é para atrair o público chinês, com 1,2 bilhão de potenciais torcedores. Uma arma secreta para brigar com o tênis de mesa, o esporte mais popular daquele longínquo país.

Uma piada de mau gosto com o técnico Tite, em cujos ombros pesa o colossal desafio de trazer o primeiro título continental para o clube.

Se o menino joga bola ou não, é pergunta secundária. A briga por mercados é mais importante do que a disputa de títulos, pensam os cartolas. Se os clubes querem deixar o futebol de lado para se transformar em agência de publicidade, tudo bem, mas que o façam direito – e que combinem isso com a torcida.

A gestão da maior paixão nacional sempre foi de um patético amadorismo por aqui, reflexo de uma grotesca forma jurídica que permite aos clubes multiplicar suas dívidas ad eternum. Assim, você não precisa ser bom nem gerar lucro, porque de qualquer maneira não precisará responder pelos prejuízos. A próxima diretoria que se vire. E os torcedores também.

3 pensamentos em “Agência de futebol ou time de marketing?”

  1. O pior que nao é só no futebol nao! Tem muita escola de idioma que gasta absurdo em propaganta e marketing, enquanto mantem uma alta rotatividade de professores.
    Quem paga (2 vezes) é o aluno.
    Me lembra um pouco do termo Obsolescencia Programada, embora isso seja tema de outra materia!
    Parabens!

  2. Nossa Rodolfo, você não estava exagerando em nada quando disse “o repórter que não conhece parágrafos”. O que é aquele texto? Coisa de louco, é o que mais de espantou em toda a matéria pq do futebol amador brasileiro não me espanto com mais nada.

  3. Futebol é espetáculo, entretenimento, lazer para quem assiste. Os clubes, os jogos, vivem de audiência, de público. Este é core business de qualquer entretenimento. Ganhar jogos e títulos, faz parte do processo lúdico do esporte.

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