O inimigo do meu inimigo

Se você ainda não postou/repassou sua indignação pela escolha de Paulo Maluf para compor o gabinete do prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, termine de ler este texto antes de fazê-lo.

Não que eu vá defender a grotesca presença de Paulo Maluf em qualquer nível, de qualquer governo, ou qualquer outra situação em que se deixe a raposa tomando conta do galinheiro. Quero apenas lembrar alguns fatos bem recentes.

- Dá aqui um abraço no tio... (FOTO: Epitácio Pessoa/Estado)
– Dá aqui um abraço no tio… (FOTO: Epitácio Pessoa/Estado)

Durante o período de disputa pelo comando da maior cidade do país, muita gente ficou estarrecida com a aliança entre Fernando Haddad e Paulo Maluf, abençoada pelo dono do PT, o Lula.

Digo muita gente, porque o partido citado não ficou. Muito pelo contrário, aplaudiu tal movimento, já que significaria um passo importante junto à vitória nas eleições – o que acabaria se confirmando semanas depois do episódio.

Apesar de condenado na Justiça em alguns processos aqui e no exterior, Paulo Maluf ainda conta com um fiel eleitorado. Gente que não se contenta em ler “50 tons de cinza” ou escutar Justin Bieber e precisa de outros flagelos.

Pois eis que algumas alas do partido agora querem que Haddad dê uma banana para Maluf.

Não importa que o partido tenham recebido-o de braços abertos quando precisava dele. Não disseram uma palavra quando a aliança foi sacramentada mas, agora, uma vez no poder, temem pelo desgaste na imagem do partido.

Entendem que ele já fez a sua parte, assegurando a eleição, e agora insistem em vê-lo pelas costas. Maluf foi usado pelo partido com propósitos eleitorais. Aproveitaram-se de seu patrimônio eleitoral.

Haddad, ao menos, está tentando ser fiel às suas promessas de campanha – algo que não é importante para muita gente no PT, como deixaram claro. Resta saber se o prefeito eleito manterá a mesma disposição para acabar com a cobrança da taxa de inspeção veicular.

Já Maluf, pode não ter sido a primeira vez, mas neste episódio ele está sentindo na pele o que é fazer parte do povo. Ao menos no tipo de tratamento típico do PT, após uma eleição.

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