Sonâmbulo em berço esplêndido

A cena já faz parte do imaginário popular: o sujeito se levanta da cama, no meio da noite, vai andando até a sala, de olhos bem abertos. Pelo caminho, derruba o vaso da mesinha que se espatifa no chão e dá uma topada bem dolorida com o dedinho no pé do sofá. Tudo isso enquanto dormia.

Dormindo ou acordado, a gente só quer um ossinho.
Dormindo ou acordado, a gente só quer um ossinho.

A descrição acima é de um episódio de sonambulismo, mas poderia ser do recente período de manifestações pelo país.

Diz a lenda que é possível, inclusive, conversar com o sonâmbulo e até induzí-lo a fazer algumas coisas, sob o comando de outra pessoa.

Alguns estudiosos sustentam que o fenômeno é resultante de um atraso no amadurecimento do Sistema Nervoso Central. Assim como na consciência política da população.

Existe, ainda, um forte componente hereditário no sonambulismo. Tal como no bundamolismo genético do brasileiro.

A associação é imediata quando vemos tanta gente batendo no peito, orgulhosa, dizendo que o gigante acordou e, mesmo assim, as barbaridades continuam acontecendo tal como antes.

É a presidente que não sabe para onde vai, os jatinhos da FAB, o helicóptero do Governador, o (ainda) presidente do Senado, os estádios da Copa. Não é preciso me alongar, basta abrir os jornais para ver que o vaso permanece quebrado e o dedinho do pé ainda lateja.

 

3 pensamentos em “Sonâmbulo em berço esplêndido”

  1. Uma pergunta que me faço é “e se a seleção de futebol brasileira tivesse perdido a Copa das Confederações?”. E outra pergunta que me faço é “como o mesmo povo que saiu as ruas parava tudo e ia assistir aos jogos na TV (Globo…)?”. Até onde sei os estádios tiveram valores que faria qualquer faraó ficar com inveja. Sem contar a corrupção na FIFA e na CBF.

  2. Se você quer patrocinar um evento deste tipo, ok!
    É ótimo para o Brasil desde que com iniciativas privadas.
    Lembrando que no começo seria assim, iniciativa privada.
    A coisa mudou e o governo investiu mto. Aí população se rebelou diante a situação de que pra saúde nao tinha grana, mas para estadios sim… dentre outros exemplos.
    Algo deveria ser feito, e acredito que as passeatas foram, sim, um grande passo para os jovens que já nasceram livres ( lembrando da ditadura na época de meus pais ). Mas temos que continuar …

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