Verdade ou mentira? Que importa?

Até a publicação deste post ainda estamos na dúvida se a reportagem sobre o rapaz do camarote é verdadeira ou falsa. Não vou discutir isso aqui. Também não vou discutir se ele é ou não um imbecil. O ponto central deste texto é a segunda pergunta: que importa?

Depois de os sempre oportunistas do Pânico dizerem que tudo era uma armação (deles), vem o texto da Rosana Hermann dizendo que não, que tudo é verdade. Quem disse “eu sabia” faz cara de paisagem. Inclusive eu.

Rico, esbanjador e cheio de amigos que se aproveitam. E ninguém nunca reclamou.
Rico, esbanjador e cheio de amigos que se aproveitam. E ninguém nunca reclamou.

Um dos pontos da Rosana é que todos ostentamos alguma coisa nas redes sociais. Para alguns é o dinheiro. Para outros é a refeição. Corpos malhados. Viagens de férias. Quilômetros corridos. Inclusive eu.

Mas ficamos indignados quando o outro ostenta e por isso destilamos nossa inveja. Ficamos com água na boca com os pratos, queríamos nadar nas águas cristalinas daquela praia paradisíaca, ser magrinhos como as fotos da timeline alheia e acumular os mesmos quilômetros corridos. Inclusive eu.

Mas meu ponto de crítica é a discussão em si. Muito, muito tempo atrás, polêmica semelhante envolveu o episódio do Francisquinho anunciando que enterraria seu Bentley. Enxurradas de críticas. Caras de paisagem ao perceber que era um truque. E o que mudou? Absolutamente nada. O carro não foi enterrado e, salvo engano, ninguém doou seus órgãos.

Falou-se mais da campanha do que dos seus objetivos. Ainda corremos o risco de alguém dizer que era uma campanha em prol dos valores – morais, não financeiros. A conferir.

Ninguém se lembra mais da encenação do longínquo mês passado. Polêmicas vazias e discussões infrutíferas. Trollagens altamente eficientes. Efeitos manada soberbos. Milhares de revistas vendidas, centenas de milhares de compartilhamentos, milhões de visualizações, dezenas de milhões de cliques.

Não importa, na verdade, discutir se o que ele faz está certo ou errado. Não tem como não cheirar a inveja, porque todo mundo queria ter o dinheiro que ele tem, embora jurem que não fariam aquela presepada toda. Embora seja apenas especulação.

Se amanhã descobrirmos que fomos vítimas de outra trollada, ou se o personagem é real, realmente não importa. Não fará diferença alguma na vida de ninguém, seja verdade ou não. Na semana que vem, quando tudo isso fizer parte de um passado muito distante, o que terá mudado? Ninguém mais vai cair em coisas deste tipo? Duvido muito.

Há os que defendam a eficácia do método. Que os objetivos da campanha foram cumpridos. Em termos de marketing está correto. Mas como marketing, ética e utilidade não costumam se dar muito bem, então a conclusão é, no mínimo, nebulosa.

Quanto ao debate ser valioso, também discuto. Valioso é discutir coisas construtivas. E assinar petições online

2 pensamentos em “Verdade ou mentira? Que importa?”

  1. Excelente ponto: o que importa?
    Sempre que há um “case” desses, faço o teste e pergunto sobre o ocorrido a conhecidos (de várias classes sociais e diferentes níveis de “intimidade” com a Internet). E sempre mais de 90% das pessoas sequer ouviram falar do caso.
    Só porque um assunto vira “TT no Twitter”, não quer dizer que as “pessoas comuns” realmente estejam comentando o fato. Não podemos esquecer que mais de metade dos usuários ativos do Twitter estão no eixo Rio-SP. Enquanto isso, o “resto do Brasil” segue a vida normalmente, sem nem tomar conhecimento de “revoltinha” com matéria de “revista local”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *