Delegar, Controlar e Comer Chocolate

Um dos maiores dilemas que os líderes enfrentam, mesmo os mais experientes, é sobre a forma ideal de delegar tarefas. Muitos temem perder o controle sobre aquilo que confiam a seus subordinados, especialmente em tarefas mais sensíveis.

Alguns tentam contornar este problema através de um follow up sistemático, ou seja, uma checagem periódica sobre a evolução da tarefa. Neste momento surge outra dificuldade: quando checar?

Se o gestor marcar muito em cima, perderá muito tempo e passará a sensação de que não confia tanto assim na equipe; se deixar correr solto, pode parecer que não se importa.

Como podemos fazer, então, para manter o controle das tarefas que delegamos a terceiros?

Uma das saídas é estabelecer checkpoints, ou seja, pontos de verificação. São marcos específicos, distribuídos ao longo da tarefa que nos permita acompanhar a evolução e antecipar os problemas.

Uma forma de se fazer isso é dividir a tarefa em pedaços menores e, assim, avaliar cada parte finalizada. Outra forma é pedir seu chocolate favorito… Oi? Assista ao vídeo abaixo e entenda!

O holocausto dos mensageiros

Não me interessa a sua inclinação política. Não quero saber se você é torcedor do PT ou apoia a oposição. A discussão em torno dos últimos fatos envolvendo política e economia – e sua relação cada vez mais promíscua no Brasil – extrapola qualquer preferência ideológica, pois envolve riscos muito mais sérios do que o iminente colapso econômico do país.

O holocausto dos mensageirosComo se sabe, o Banco Santander enviou a seus clientes uma análise do cenário econômico, fazendo previsões pessimistas em caso de reeleição da presidente Dilma.

Para um observador isento, trata-se de uma avaliação de perspectiva econômica, com base em um futuro cenário político.

Como especialista em Comunicação, entendo que há diversas maneiras de se dar uma mesma notícia – o que na Psicologia costumamos chamar de framing. Se há um viés na mensagem acima – e sempre há! – ele pende a um discreto alarmismo pois, como é sabido, o medo é um dos melhores vendedores.

De resto, é uma análise de uma tendência facilmente verificável por qualquer estudante de Economia ou Estatística: quando uma pesquisa eleitoral aponta a queda da presidente nas intenções de voto, o mercado (especialmente o Ibovespa) sobe; do contrário, ele cai. Isto é um fato.

Pois eis que o Governo se lança em uma cruzada para matar o mensageiro. Em instantes os responsáveis pelo comunicado foram sumariamente demitidos e a instituição emitiu um pedido oficial de desculpas através de seu presidente mundial, que vestiu a carapuça, ou melhor, a mordaça.

A motivação do gesto espanhol, embora disfarçada, reside na incestuosa relação mantida entre bancos (todos eles) e Governo (todos eles), através de incentivos, ajudas, concessões e outras benesses patrocinadas por seus benfeitores oficiais, como BNDES, Caixa e outros.

Mas a mensagem é clara: não pode dar notícias negativas sobre o Governo ou o desempenho da economia. Mesmo que elas sejam verdadeiras. Ou principalmente se elas forem verdadeiras. Porque se elas forem fantasiosas – ou em um Português mais claro, mentirosas – mas falarem bem do governo ou, mais especificamente de seu representante máximo, aí pode.

Foi o que ficou claro no affair envolvendo o novo porta-voz oficial Jeferson Monteiro, mais conhecido como Dilma Bolada. Depois da mal-explicada aposentadoria, a personagem voltou com força máxima e chapa branca.

A carta do Santander atingiu cerca de 40 mil correntistas, uma única vez, segundo informações do próprio banco. O perfil fake atinge diariamente 1,4 milhão de seguidores no Facebook. Qual o entendimento do zeloso TSE (Tribunal Superior Eleitoral) neste caso? Que espécie de malabarismo lógico ele fará para determinar que a Dilma Bolada não é propaganda política?

Porque o mesmo TSE teve um entendimento bem diferente em outro caso semelhante ao do banco espanhol: uma consultoria de investimentos foi denunciada na mesma corte e teve seus textos censurados. O motivo? Análises negativas do atual momento econômico. A justificativa? Conluio com o PSDB e interesse eleitoreiro.

Para falar da economia brasileira, você tem que estar a milhares de quilômetros de distância, em um país democrático de fato, no qual a liberdade de imprensa é inatacável. Como a Alemanha, por exemplo, onde um banco pode emitir sua opinião a respeito da economia sem temer represálias covardes. Em lugares assim, uma entidade privada pode fazer análises que mostram que a política econômica do país é desastrosa, como mostra esta outra matéria do Financial Times lembrando que a previsão de crescimento do Brasil foi corrigida para baixo nove vezes seguidas.

Fica combinado assim, então: se você achar que a economia vai mal, cale-se. Está proibido de divulgar sua opinião e, por consequência, está impedido de trabalhar. Se quiser levar comida para casa, alimentar sua família, tem que falar bem do Governo. Nunca foi tão perigoso ter opinião no Brasil, onde mensageiros são abatidos como moscas.

Eu torço por mim

Estou vendo um monte de gente dizendo que vai torcer na Copa, porque a seleção não tem nada a ver com os problemas do país. Se a seleção não tem nada a ver com os problemas do país, então o que ela tem a ver com você? Se esta seleção não te representa, qual o sentido dessa paixão, desse amor?

Eu torço por mimVamos recapitular uma coisinha que disse tempos atrás: a seleção brasileira é uma empresa. Você está torcendo por uma empresa que, por acaso, veste uma camisa amarela, às vezes azul. É como se você estivesse indo ao estádio torcer pela Coca-Cola ou pela Petrobrás. É uma empresa que há pouco você mesmo pedia a prisão do seu presidente, por corrupção. Ele, aliás, continua morrendo de rir daquilo.

Eu também torci em 1982, 1986, 1990… Mas o tempo passou e não sou mais aquela criança que achava Spectreman o máximo. Também já achei que o Carnaval era a coisa mais divertida do mundo e que beber todo dia na faculdade era o paraíso. Não é porque fiz uma vez e achei divertido que vou me sentir na obrigação de repetir o tempo todo. Isso não é motivo, é desculpa. E quando você pede desculpas antecipadas por algo que vai fazer, caceta, dá tempo de mudar.

“Espírito de Copa”. Sério, o que é isso? De verdade, pensa de onde vem isso, se não da TV! A TV que você diz odiar. “Todo mundo se abraçando nas ruas, comemorando juntos”. Sério, o que é isso? Você realmente acha o máximo fazer isso uma vez na vida e depois voltar a olhar para os estranhos como leprosos? Só porque você abraça um estranho na rua, já se acha a melhor pessoa do mundo?

E o seu trabalho? Você vive dizendo que é ocupadíssimo, que não tem tempo para nada, que não pode passar algumas horas a mais com seus filhos. Que não consegue tirar férias. Que não tem como fazer uma pós-graduação nem estudar Inglês. Mas vai deixar tudo de lado para ver o futebol. Vai assistir Bósnia X Irã. OK, cada um sabe das suas prioridades.

Eu torço por mim. Vou aproveitar este mês de hipnose nacional para alavancar os meus negócios, adiantar meus projetos. Vou trabalhar duro enquanto todos vivem essa fantasia e falam do mesmíssimo assunto aborrecido, o dia todo. E no dia 13 de julho, quando isso acabar, vá no caixa eletrônico ou acesse sua conta pelo home banking, tire um extrato e responda: independentemente do campeão, o que mudou na sua vida?

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ADENDO: Outra pachecada típica é aquela assim: “Vamos tratar bem os torcedores que estão vindo para a Copa”. Se você é o Príncipe Não-Sei-O-Quê de Orleans e Bragança, você tem certa legitimidade, embora esteja defasado. Mas se você é um reles mortal, como eu, que tipo de pedido é esse, insinuando que somos um bando de selvagens e tratamos mal as pessoas? E porque a preocupação a respeito do tratamento só com o turista e só em tempo de Copa do Mundo? Isso é muito vira-lata!

Outra: “Vamos mostrar ao mundo que somos capazes de fazer isso e aquilo”. Pra quê? Sério, pra quê? Vamos ganhar uma plaquinha, ou algo assim? Temos que mostrar a nós mesmos que somos capazes de fazer o básico, porque somos bem ruins nisso. Isso é muito vira-lata!

O bonzinho e o bundão

Em recente entrevista, durante a inauguração de um estádio em Natal, a presidente Dilma reforçou seu discurso ufanista tecendo maravilhas sobre o campeonato de futebol que nosso país talvez sedie em junho. Como de praxe, suas palavras pediram o apoio público ao evento e, por extensão, às obras realizadas para tal:

“É como dizia Nelson Rodrigues: não é possível apostar no pior. O governador [do Paraná, Beto Richa], o prefeito [de Curitiba, Gustavo Fruet] e o empresário [CAP/SA] vão fazer estádio no prazo. O Brasil tem que apostar a seu favor, não contra”

O bonzinho e o bundãoCitando o canteiro de obras do Paraná, Dilma apela às pessoas que ela diz torcer para tudo dar errado na Copa. Que o dever do brasileiro é torcer pelo Brasil.

Aqui eu me incluo fora dessa.

Eu quero, SIM, que dê tudo errado nesta Copa, por um simples motivo: quando as coisas dão certo no final, todo mundo acha que tudo foi feito de maneira correta desde o início.

Este é um erro grave. Um bom resultado não significa, necessariamente, que boas decisões foram tomadas.

Mas ninguém fica revendo as decisões tomadas depois de um bom resultado. E, ainda pior, elas tendem a se repetir. Decisões só costumam ser revistas quando algo dá errado de verdade. E enquanto nós, brasileiros, continuarmos a achar que nosso país está dando certo, nada faremos para mudá-lo.

Antes que digam que este é um discurso anti-PT, adianto que estou me referindo a “país que dá certo” em um sentido muito mais amplo do que o vosso complexo de perseguição alcança.

Não me refiro apenas aos problemas de corrupção (que ocorrem, sabemos, independentemente da sigla), mas a mazelas muito mais profundas da nossa sociedade. Além da corrupção, temos a violência, o altíssimo custo de vida, os impostos e aquela lista a que, infelizmente, já nos acostumamos.

O “infelizmente” acima, no entanto, refere-se ao “nos acostumamos”, não aos problemas. Porque o brasileiro é, antes de tudo, um povo acostumado a se foder. Acostumado a sofrer violências. Acostumado a pagar caro por tudo. Acostumado a não fazer nada. Acostumado a ser passivo, fraco, bonzinho, bundão. Acostumado a achar que é feio torcer contra.

Enquanto o povo continuar assim, nada muda. Enquanto acharmos que é erradinho torcer contra, vamos continuar a sofrer violências, pagar caro e só ficar olhando. Enquanto acharmos que as coisas dão certo por fora, não saberemos o que deu errado por dentro.

Como em vezes anteriores, este texto ficou com ares um tanto pessimistas. Mas ainda vai piorar.

Eu acho que o país tem jeito sim. Acho que as coisas aqui podem mudar. Mas as mudanças não virão de pessoas comuns, como eu e você, que um belo dia acordarão e irão para as ruas mudar o país. Aquelas manifestações patéticas do ano passado deixaram isto bem claro. As mudanças também não virão de movimentos organizados e líderes políticos.

Infelizmente, mais uma vez, as mudanças de que este país precisam só virão quando ocorrer uma grande, enorme tragédia.

Não falo em tragédias como perder a final da Copa do Mundo em pleno Maracanã (se você pensou isso, está perdendo a transmissão do BBB e eu não quero te atrapalhar). Também não me refiro ao estouro de uma possível bolha imobiliária, ou outro tipo de crise financeira. Nem de vinte centavos. (Aliás, no fim das contas, era isso mesmo, né?) Como disse antes, esse tipo de coisa não abala o brasileiro, este ser tão acostumado a se foder.

Lamentavelmente precisaremos de algo grave, muito grave. Algo que jamais tivemos. Muitas pessoas só se transformam após traumas aparentemente irrecuperáveis. Assim parece acontecer com povos, também. Os exemplos estão aí, para quem quiser ver. E para quem não quiser também.