Anônimo de Araújo

Quando a gente decide escrever um blog, tem que tomar um monte de cuidados.

Se você não tiver um tema específico e impessoal para escrever – tipo futebol ou culinária – e escolhe usar o seu dia-a-dia como tema, precisa tomar uma série de precauções. Como não é uma obra de ficção, os atores são pessoas reais e, na maioria das vezes, próximas a você. É preciso, assim, atenção redobrada para não expôr seus amigos, magoar seus colegas ou enfurecer seus inimigos. Caso contrário, perdem-se aqueles e ganham-se estes. Proporcionalmente. Isso limita um pouco as situações sobre as quais você pode escrever, debater, discutir. Especialmente quando envolvem temas ligados à sua vida profissional – porque, como você já deve ter notado, algumas coisas que escrevo são carregadas de críticas. Abertas ou veladas.

Para contornar esse problema eu precisava tomar uma decisão: escrever o meu blog ou fazê-lo anonimamente. Deste jeito tem-se mais liberdade e menos compromisso com a realidade, mas vive-se uma vida secreta e, se algum dia seu blog crescer, você terá que se dividir entre as duas, Bruce Wayne. Quando você opta por assinar o que publica, torna-se refém de suas opiniões, por suas conseqüências, ao mesmo tempo em que leva o crédito e afaga seu ego – talvez a principal razão por se lançar nessa aventura.

Levar o crédito representa, então, o ônus e o bônus. E como agora todos vocês já sabem que eu sou eu mesmo – e vice-versa – preciso tomar um enorme cuidado com os temas, os caminhos, humores, opiniões e conclusões. Temas ásperos precisarão ser amaciados. Os delicados requerem sutileza e, os pesados, leveza. Além, é claro, de contar muitas histórias que “um amigo meu” vivi.

Caceta, essa introdução ficou tão extensa que vou deixar o assunto propriamente dito para amanhã. (Só no meu blog mesmo para a introdução virar assunto principal. É que eu ainda sou café com leite…) Xau.

Da vida pública e da privada

Hoje um amigo chamou no MSN para conversar sobre dúvidas profissionais.

Acho interessante a quantidade de pessoas que me procura para falar sobre emprego, dúvidas no trabalho, incertezas profissionais. Interessante porque vivi tais dúvidas e não tinha ninguém para consultar e, de repente, viro referência para algumas pessoas. Quando eu digo ninguém, entenda-se, refiro-me a uma pessoa em quem eu confiasse e com experiência suficiente e necessária para uma orientação, um aconselhamento sobre carreiras. Alguém para me ajudar a escrever um Currículo, por exemplo. Fui sempre guiado pela minha intuição e meu bom senso – que, se hoje é assim, imagine quinze anos atrás.

advice_career Nesses últimos cinco anos eu precisei tomar (sozinho) uma série de decisões importantes, muitas das quais mudaram completamente a minha vida. E, certamente, eu não voltaria atrás em nenhuma delas. Quando fui demitido da Genexis, em 2001, já tinha feito as primeiras provas para a PUC (Rio de Janeiro).

Iniciar o Mestrado Acadêmico com dedicação exclusiva e bolsa de estudos já tinha sido, desse modo, uma decisão. No final do curso, quando entrei para a Novartis, o fato de a sede da empresa ser em São Paulo já incluía uma decisão futura de mudar de cidade – pois planejava trabalhar na área de Marketing, mesmo tendo sido admitido na equipe de Vendas.

Essa transição ocorreu um ano depois, no final de 2005, assim como a transferência de cidade. E em 2008 mais uma mudança de rumo: a ida para a Adrenax – mas isso merecerá um post exclusivo, mais adiante.

Enfim, o amigo em questão vive o dilema de estar numa empresa pequena, onde não vê muitas perspectivas de crescimento, versus seu passado recente numa multinacional. Certamente ele experimentou as mesmas dúvidas quando decidiu-se pela troca – eu passei por isso. E agora pensa em tentar carreira no serviço público, ou seja, estudar para fazer concurso – também passei por isso…

Bom, prepare-se, porque a partir daqui entraremos numa zona turbulenta. Se você não gosta ou tem medo de opiniões fortes, pare de ler imediatamente, feche o Internet Explorer e vá descansar, pois você acaba de escapar de um sério risco.

No intervalo entre o fim do Mestrado e a entrada para a Novartis houve um período em que eu também quis fazer concurso público. Cheguei a me matricular num cursinho, comprar livros e até estudar um pouco. Inclusive fiz uma prova que, óbvio, não passei. Mas aquilo não era para mim. Não tenho nada contra o serviço público. Meu pai foi funcionário da Câmara dos Deputados, em Brasília, durante a maior parte de sua vida profissional.

Outras pessoas que admiro muito também trabalham para o governo. O que eu não me conformo é quando a pessoa tenta fazer disso uma fuga para suas frustrações profissionais. Eu estava frustrado porque estava terminando o Mestrado e não conseguia emprego. Sentia-me desvalorizado. Meu amigo está frustrado porque vive um ambiente de incerteza profissional – não sei se é a cabeça dele que está em jogo ou se é a empresa inteira que corre perigo. E agora quer fazer concurso.

Crise de 1929
Crise de 1929

Há uma verdadeira horda de desempregados, subempregados e descontentes em geral de olho numa vaga no BNDES, no Banco do Brasil, na Petrobrás. Algo como dois, três, dez milhões de pessoas atrás dessas cinco ou quinze mil vagas anuais. (Também não vou discutir aqui o milagre da multiplicação dos cargos públicos durante o governo Lula.)

Alguns dedicam-se de verdade, virando estudantes profissionais e ralam oito, dez horas por dia, todos os dias da semana. Esses passarão.

Outros se enganam, continuam trabalhando e estudam de vez em quando, rezando para acordar inspirado no dia da prova. Esses – como diz Lobão – se fuderão.

O meu ponto, quando digo isso, é que as pessoas estão buscando na estabilidade do serviço público a solução para todos os seus problemas. Acreditam que a estabilidade resolverá sua revolta por não ter sido promovido, a picuínha com o colega chupa-sangue, a bronca com a secretária que não te dá os recados, o chefe idiota que não consegue soletrar “benchmark” (você também fala “benchmarketing”…?) e muito menos a porra da cafeteira que não funciona desde o lançamento do filtro de papel descartável. Você encontrará tudo isso no serviço público.

O problema é que a estabilidade é para todos… E você só terá uma nova cafeteira se pagar do seu bolso, porque aquela veio com o prédio. A única garantia que você terá, desse jeito, é a de continuar frustrado. Esse tipo de miopia é imperdoável pois, se você passar para um emprego público, vai precisar de um esforço ainda maior para sair dele.

equilibrio Reconheço que a minha opinião pode estar enviesada por alguns preconceitos ou desatualizada, pois a questão da estabilidade mudou bastante de umas eleições para cá. Mas a incompatibilidade entre o mal e a cura permanece.

Outra ressalva que acho importante diz respeito ao tipo de necessidade de cada um: eu não sou casado nem tenho filhos e, portanto, preciso muito menos dessa estabilidade do que outras pessoas. Se posso me dar ao luxo de fazer certas apostas, não tenho o direito de criticar porque não sei onde dói o calo de cada um. Mas todo mundo que está atrás dessa estabilidade tem tais necessidades?

Minha conclusão sobre o tema? Entendo que você deve perguntar-se honestamente: o que eu pretendo com um emprego público? Ser escrivão é o meu sonho? Nasci para trabalhar na Polícia Rodoviária Federal? Serei um ótimo Fiscal da Receita Federal? Farei uma carreira brilhante começando como Analista Administrativo II no BNDES? (Só não venha com esse papo de que “por R$8.500,00 por mês eu aceito”, porque em menos de dois anos você estará fazendo greve por aumento.)

Se a resposta for sim, ótimo, parabéns, tem todo o meu apoio para perseguir seu sonho e fazer disso uma carreira de verdade. (Não pude deixar de lembrar do meu amigo Pierre que tá comprando uma briga cabulosa na Universidade onde trabalha e lembrei dos professores da rede pública. Talvez o professor seja uma exceção, porque primeiro você é professor, depios vira funcionário público. Ninguém se forma fiscal e depois tenta a carreira no governo. Faz sentido?)

Caso contrário, use toda essa energia, toda essa vontade que você tem para estudar (o quê, você quer fazer concurso mas não gosta de estudar?) e invista na sua carreira! Estude pra caralho, as mesmas oito, dez horas por dia que você usaria para se dedicar ao serviço público, faça por você! A grana que você gastaria em apostilas, compre livros. Seja um puta profissional! Aprenda Finanças, Estatística, Contabilidade, Marketing, Estratégia. Se você pode ficar sem trabalhar por dois anos para fazer provas, também pode ficar dois anos sem trabalhar, se preparando e vitaminando o seu Currículo, não pode?

Day after

Bom, de acordo com o meu último post – que também é o primeiro – se você voltou aqui há uma grande chance de você não ter gostado do meu texto. Voltou só de raiva. Raiva de você, não de mim.

Então parabéns! Você é um das 26 pessoas que acessaram – mas não necessariamente leram – o meu blog. Isso quer dizer que, no primeiro dia de vida, ele teve o dobro de leitores do Agamenon, que escreve n’O GLOBO. E, nesse ritmo, a ABL parece-me um caminho natural.

Essa fama toda – que para vocês pode parecer repentina – já rendeu aproximadamente 1 comentário. Tudo bem que foi da minha mãe, mas a gente tem que começar.

Isso de blog é um troço complicado pra burro.

 

aurelioMas, como pra burro eu não sirvo, estou tentando aprender. A duras penas! Mas faço isso para vocês, meus queridos (26) leitores. O layout ainda tá meio tosco, básico, e sem muitas emoções. Pouco a ver comigo, lógico. (Essa figura ficou meio forçada, mas eu acho engraçado à beça! Vejam outras em www.desencannes.com.br)

Acabou de tocar o telefone e vou ter que deixar esse post pela metade. Um amigo chamou para ir comer uma feijoada (aqui tá um frio glacial – para um carioca). Isso vai acontecer de vez em quando, mas é o preço da fama. Preço que vocês pagam, porque o famoso sou eu.

Minha amiga Dani acabou de entrar aqui no MSN. Aliás, devo um agradecimento a ela, pois foi a grande incentivadora para eu criar um blog. Pensando bem, vocês devem um agradecimento a ela…

Bom, depois eu retoco isso aqui então…

Gênese

Bom, começou.

Segurei o quanto deu, tentei evitar enquanto pude, resisti até agora. Mas tal qual o dito latino, não há como negar sua natureza (Naturam expellas furca, tamen usque recurret). Sempre gostei de escrever. Trago isso desde muito cedo, criança ainda. Minha vontade talvez venha da minha admiração pelo que estava escrito – e esta, possivelmente, da minha curiosidade indomável.

Sempre observei os adultos lendo, estudando, envoltos em livros, cadernos e papéis. Devia ter uns quatro ou cinco anos quando me divertia folheando enciclopédias. Tive a sorte de crescer numa família com gosto pela leitura e pela música. Livros e jornais à vontade, sempre com algo de MPB ao fundo.

Do ambiente montessoriano de minha educação pré-escolar no Constructor Sui, à liberdade (nem sempre tão) responsável do São Vicente de Paulo, tudo parece ter conspirado para moldar mente e espírito sempre em busca do novo.

Do curioso fez-se o criativo que, para resumir essa história (afinal isso não é uma auto-biografia), tem um monte de coisas para contar. A dúvida sempre foi se haveria alguém disposto a ouvir. Ou ler. Só que recentemente escrevi algumas coisas que publiquei no site da minha empresa (www.adrenax.com) e, para minha surpresa, um monte de gente conhecida leu e gostou. (ATENÇÃO: essa questão da "surpresa" é o máximo de humildade que vocês verão por aqui.)

Então a partir de hoje eu tomo a liberdade de escrever esse blog. De início não terei um tema específico. Gosto de mulher, dinheiro, futebol (Flamengo), comida/cozinha, jazz, livros, xadrez, cinema, negócios, piadas, viagens.

Tenho um senso de humor bastante peculiar impregnado no meu DNA. Normalmente você ama ou odeia. Os que amam talvez leiam meus posts. Os que odeiam certamente lerão. Duas vezes. Bem feito pra eles.

Fiquem à vontade para sugerir assuntos, porque eu me sentirei à vontade para escrever sobre outras coisas. Critiquem à vontade, porque eu sempre posso deletar. Já os elogios eu talvez não edite. Isso soou meio grosseiro, mas é a minha cara…